O médico Manuel Rodrigues de Carvalho e a sua contribuição para o conhecimento da flora moçambicana

 

Manuel Rodrigues de Carvalho

No âmbito do Congresso Internacional Saber Tropical em Moçambique: História, Memória e Ciência, que decorreu em Lisboa entre os dias entre os dias 24 e 26 de Outubro, o projecto fez-se representar através da comunicação “O médico Manuel Rodrigues de Carvalho: contribuição para o conhecimento da flora de Moçambique no século XIX”.

No dia 30 de junho de 1886 desembarcava em Quilimane o medico Manuel Rodrigues de Carvalho, para dar princípio a uma viagem na Zambezia inferior, ordenada pelo governador geral da província de Moçambique. Durante essa viagem o sr. R. de Carvalho, já pratico em trabalhos botanicos, não descurou o estudo da vegetação d’esta região e enviou para o herbario de Coimbra exemplares bem preparados de mais 379 especies.”

Júlio Henriques dava assim início à publicação do catálogo das plantas colhidas por Manuel Rodrigues Pereira de Carvalho [1848-1909], em Moçambique, dando conta de aspectos que foram discutidos no âmbito da apresentação. Médico de profissão, foi nomeado para o quadro de saúde de Moçambique, onde se instalou em 1875. Tanto nesse país como na Guiné, onde viveu alguns anos, fez diversas colecções botânicas, incluindo várias espécies novas, que enviou para a Universidade de Coimbra. O material recolhido foi mais tarde publicado no Boletim da Sociedade Broteriana e, em parte, na Flora of Tropical Africa.

As suas herborizações concentraram-se na ilha de Moçambique e no litoral continental – Mossuril e Cabaceira -, na ilha de Chiloane, na Gorongosa, margens do Zambeze nas imediações de vila de Sena, Morrumbala, margens do Chire e ilha do Ibo. Um dos seus objectivos foi também o de estudar as condições para o estabelecimento de uma colónia europeia de cultura da quina.

Das suas explorações botânicas em Moçambique resultou uma colecção com uma grande amplitude de zona geográfica explorada, de norte e centro de Moçambique, sem se restringir à costa; que compreende uma grande variedade de espécies e que deu a conhecer vários taxa novos para a ciência. Este espólio constitui uma grande contribuição para o Herbário da Universidade de Coimbra – num total cerca de 400 exemplares de plantas, algumas nunca antes observadas naquelas regiões; O material colhido por M. R. Carvalho enriqueceu também as colecções de Kew e de Berlim, dois dos mais importantes herbários europeus.

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