jardim botânico – as estufas

Numa semana em que o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra vai estar em foco como um dos locais em todo o mundo a assinalar o DIA INTERNACIONAL DO FASCÍNIO DAS PLANTAS, recordamos mais um pouco da sua história.
Entre 1814 e 1821 foram realizadas as obras estruturais mais importantes de toda a história do Jardim. Foi devidamente murado e instalada a imponente grade que o rodeia, com ferro importado de Estocolmo no valor de 6732$645 réis. Entre outras empreitadas de fundo foi também plantada a mata e preparado o local de instalação da escola de plantas medicinais.
As grandes despesas que este conjunto de trabalhos implicou causaram tal polémica, porque os fundos faltavam noutras repartições da Universidade e quase não eram suficientes para remunerar os professores, que o Governo não pôde deixar de dar ordens para que parassem as obras.

Em 1856, o Governo, a que presidia na altura o Duque de Loulé, concedeu autorização para a construção de uma estufa no Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, tantas vezes reclamada pelos seus vários directores ao longo do tempo.
Desenhada pelo engenheiro Pedro José Pezerat, foi executada parte no Instituto Industrial de Lisboa e parte na fábrica da Fundição de Massarelos, no Porto. O novo edifício, que ainda hoje existe e que mantém as funções para que foi criado, é amplo e composto por três corpos de temperaturas e condições diversas.
À construção desta estrutura seguiu-se a edificação de duas pequenas estufas, destinadas a algumas culturas de características mais especiais.
Tal aconteceu com as sementes de quina (Cinchona spp.) oferecidas ao Jardim por várias pessoas e entidades e que germinavam perfeitamente nas estufas. As novas plantas foram mandadas para Cabo Verde, Angola e S. Tomé e Príncipe onde se procedeu a experiências de aclimatação.
Sobre a quina e as investidas de naturalistas da Universidade de Coimbra em São Tomé demos conta num post anterior e a elas voltaremos, para falar de um outro lado da exploração científica…
As ilustrações que apresentamos são da autoria de Joaquim de Mariz, ilustre e empenhado naturalista a quem se deve, entre muitas outras coisas, a revisão do herbário do Jardim Botânico de Coimbra. Os dotes de ilustrador e gravador ficaram bem patentes ao longo do seu percurso científico e disso são bons exemplos estas imagens.

Joaquim de Mariz Júnior nasceu a 28 de Janeiro 1847, em Coimbra. Foi nessa cidade que efectuou os seus estudos, licenciando-se na Faculdade de Medicina com distinção. Exerceu clínica durante algum tempo, até que, em 1879, concorreu ao lugar de naturalista adjunto à cadeira de Botânica da Universidade de Coimbra, cargo que conservou até à sua morte.
Destacou-se como taxonomista botânico. Estudou exaustivamente a espermatófitas portuguesas, tendo-se debruçado sobre mais de 200 espécies, que lhe foram enviadas pelos sócios da Sociedade Broteriana, que o próprio também integrava. Fez um trabalho monumental de identificação e classificação de exemplares botânicos e vários trabalhos de botânica descritiva de importância crucial para o estudo da flora portuguesa.
A sua perícia como taxonomista fez com que se tornasse um dos nomes mais solicitados por outros grandes botânicos da sua época. Colaborou na elaboração das Floras de Portugal de Gonçalo Sampaio e António Xavier Pereira Coutinho,  identificando muito do material.
Realizava com frequência herborizações que permitiram descobrir bastantes espécies novas e contribuiu significativamente para traçar o mapa geobotânico de Portugal.
Realizou uma expedição científica prolongada a Trás-os-Montes, especialmente no distrito de Bragança, de que resultou um estudo aprofundado da flora transmontana. Nessa zona do país procedeu a vastas colheitas de plantas e a observações metódicas. Os catálogos das plantas colhidas e o registo das observações feitas encontram-se publicados no Boletim da Sociedade Broteriana.
Morreu no dia 1 de Abril de 1916, vítima de uma pneumonia.

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