da quina e de S. Tomé

O clima tropical da ilha de São Tomé permitiu o cultivo de muitas espécies de importância médica, comercial e industrial, tais como o café e o cacau. De grande influência foi a introdução da quina (espécies do género Cinchona), em finais do século XIX.

Encontrada pelos espanhóis na transição do século XVI para o XVII aquando da conquista do Império Inca, as suas propriedades médicas foram descobertas originalmente pelos índios Quechua do Peru e da Bolívia. Foi nessa altura que os invasores espanhóis tomaram conhecimento de uma árvore usada pelos índios para, entre outras coisas, curar a febre. A sua introdução no Ocidente ocorreu no século XVII e deve-se aos padres Jesuítas. O nome do género foi dado por Linnaeus em homenagem à Condessa de Chinchón, mulher do Vice-re do Perú.
A quinina, que existe naturalmente na casca da árvore Cinchona, é um alcalóide de gosto amargo que tem funções antipiréticas, antimaláricas, analgésicas e anti-inflamatórias. Foi o primeiro tratamento eficaz para a malária, doença infecciosa cujo contágio se faz através de uma picada de mosquito.
A título de curiosidade, refira-se que a água tónica contém até 85 mg/l de quinina, inicialmente adicionada como sendo um composto de efeitos benéficos contra a malária.

Adolpho Frederico Möller, jardineiro-chefe do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, deslocou-se a esta antiga colónia portuguesa em 1885 para conhecimento científico da ilha e para avaliar a existência de terrenos para a plantação de quina.
Escreve a Júlio Henriques, à altura director do Jardim Botânico, dando conta que:

Terrenos para a plantação de quina há alguns mas todos têm dono. Talvez haja entre elles algum do estado ainda por vender, dos que pertencião à mitra, mas isso só o governador o poderá dizer. Os proprietarios alguns há que tambem vendem quando tem falta de denheiro; pois a maior parte delles estão muito empenhados. Quem tem bons terrenos para Quinas é Monte Caffe e ja vendeo alguns.

Após uma avultada troca de correspondência com responsáveis locais das roças locais, e de um profundo conhecimento da ilha através do trabalho de outros naturalistas, o próprio Júlio Henriques visita finalmente São Tomé, já com 65 anos.
Dessa viagem, realizada em 1903, resultou A Ilha de S. Tomé sob o ponto de vista histórico-natural e agricola, uma monografia extensa e pormenorizada sobre todos os aspectos naturais de S. Tomé.
Logo a abrir esta publicação, afirma:

Desde quando o Jardim Botanico da Universidade de Coimbra começou a ter relações com os agricultores da ilha de S. Tomé, enviando-lhes plantas úteis e entre elas principalmente as da quina, para que encetassem novas culturas, nutri desejo de visitar esta ilha para ver e estudar processos agrícolas e para contemplar a explêndida vegetação tropical. Realizei êsse desejo em 1903.

A esta trabalho voltaremos em breve dando conta das descrições detalhadas de Júlio Henriques sobre a história, orografia, fauna e flora de São Tomé.

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