jardim botânico – o início

O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra é parte indissociável da história, dos naturalistas e das plantas que serão objecto dos documentários. A ele voltaremos aqui várias vezes. Hoje falamos da sua génese.
Criado aquando da Reforma Pombalina de 1772, de acordo com os Estatutos da Universidade:
1.º Ainda que no gabinete de Historia natural se incluem as producções do reino vegetal; como porém não podem ver-se nelle as plantas senão os seus cadáveres, seccos, macerados e embalsamados; será necessário para complemento da mesma Historia o estabelecimento d’um Jardim botânico, no qual se mostrem as plantas vivas;
2.º Pelo que: No logar, que se achar mais próprio e competente nas vizinhanças da Universidade, se estabelecerá logo o dicto Jardim; para que nelle se cultive todo o género de plantas; e particularmente aquellas das quais se conhecer ou se esperar algum préstimo na Medicina, e nas outras artes; havendo cuidado e providencia necessaria para se ajuntarem as plantas dos meus domínios ultramarinos, os quaes têm riquezas imensas no que respeita ao reino vegetal.
Em Fevereiro de 1773, o Marquês de Pombal escrevia ao Reitor Francisco de Lemos:

Devendo ahi chegar com muita brevidade o tenente coronel Guilherme Elsden, elle delineará perfeitamente o horto botânico pelos apontamentos dos professores, que v. s.ª me avisou que iam em sua companhia reconhecer o terreno, que para elle se acha destinado.

Referia-se aos professores italianos Dalla Bella e Domenico Vandelli, responsáveis, em conjunto com o engenheiro Guilherme Elsden, pelo primeiro projecto do jardim botânico. Este primeiro esquisso terá sido rejeitado pelo Marquês de Pombal, por considerar a execução do projecto demasiado dispendiosa.
Feitos os devidos ajustes, instalou-se então o horto botânico num amplo terreno, rodeado por um muro, que existe ainda hoje, na parte central do jardim.
O terreno, situado próximo da Universidade, pertencia quase na totalidade ao colégio de S. Bento e foi cedido pelo colegiais ‘gratuitamente e com todo o gosto‘, por se considerar ‘feliz a sua situação de poderem concorrer, ainda que em tão pequena parte, para um estabelecimento tão interessante não só da Universidade como a todo o reino‘.

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