É proibido estar triste (durante muito tempo)

Sinal

Não se estranhe que este livro seja editado pela Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa, mais conhecida como EMEL. A Rua dos Sinais Diferentes faz parte de um conjunto de quatro obras criadas com o objectivo de sensibilizar os mais novos “para a mudança de mentalidades e comportamentos nas ruas da cidade”.

Integram por isso o programa escolar de educação Pela Cidade Fora. Para que no futuro sejamos todos mais civilizados. Lembram como há muitos adultos que “ainda não sabem atravessar devidamente uma estrada, respeitar os semáforos, os peões e condutores, ou circular em segurança nos transportes públicos”.

Um projecto que abrange crianças do pré-escolar e chega até aos jovens do ensino secundário. Não se pense, no entanto, que só há lições rodoviárias e nada de imaginação ou poesia. Pelo contrário.

Neste livro, José Fanha conta com o seu talento a história do poeta Jeremias. Vive na Rua General Sarmento, mas a que preferiu chamar Rua de Todos os Espantos, com a aprovação dos moradores. “Ninguém sabia quem fora o tal General Sarmento.” Só passaram a saber “porque o Professor Edgar, que morava no n.º 5, foi à biblioteca pública estudar quem era esse general e descobriu que se tratava de um herói da República”.

Depois de ao leitor serem apresentados os habitantes (peculiares) da rua, ficamos a conhecer melhor o tal Jeremias (o mais peculiar de todos). Este, ao se dar conta de que na sua rua não existiam sinais de trânsito, “não passavam por ali carros nem autocarros nem motorizadas”, resolveu inventar “novos sinais de trânsito”.

Assim, nasceram, à medida de cada habitante, sinais como “É proibido estar triste” (para a Dona Choramincas Pingona) e vários de perigo, para que todos os animais da vizinhança tivessem direito a um sinal: “perigo de gato”, “perigo de periquito”, “perigo de porquinho-da-índia”, “perigo de cão” e “perigo de caracóis”.

Conclusão: “A Rua General Sarmento e de Todos os Espantos ficou muito mais divertida.” E bem ilustrada por Maria Remédio. Seguiram-se os “sinais de obrigação”, que se transformaram em “sinais de alimentação”: todos saberiam onde encontrar “croquetes”, “bolas de Berlim”, “pudim flan”, entre outras delícias.

No final, há uma festa, a celebrar a amizade entre os vizinhos. Um bom sinal.

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A Rua dos Sinais Diferentes
Texto | José Fanha
Ilustração | Maria Remédio
Direcção de arte | Pato Lógico
Edição | Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa
40 págs., 13,90€

 

 

(Texto divulgado na edição do Público de 27 de Maio, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa (e linda!). Como habitualmente, com sugestões de actividades em família (via Guia do Lazer).

Em Setúbal, a ilustração é uma festa

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Foto de Misé Pê

A terceira edição da Festa de Ilustração de Setúbal — É Preciso Fazer Um Desenho? decorre até dia de 2 Julho. António Jorge Gonçalves ocupa a Casa da Cultura e Manuel Ribeiro de Pavia, a Galeria do 11. Mas há mais espaços ilustrados na cidade.  (Artigo divulgado no Público.)

Desde o início do mês de Junho que há festa em Setúbal. Abriu, como habitualmente, numa sexta-feira à meia-noite, na Casa da Cultura. Desta vez com a inauguração dos trabalhos de António Jorge Gonçalves, organizados em três núcleos: Subway Life, Desenhos Efémeros e A Minha Casa Não Tem Dentro.

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Foto de Misé Pê

O segundo núcleo da exposição é audiovisual (Desenhos Efémeros) e mostra diferentes participações do autor em espectáculos de teatro, música e dança, em que vai projectando no palco ou em edifícios o que desenha ao vivo digitalmente. António Jorge Gonçalves fez uma demonstração desse tipo de trabalho na noite da inauguração, com uma sessão com diferentes apontamentos musicais, no Pátio Dimas, a que chamou Eterópolis.

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Por último, A Minha Casa Não Tem Dentro. Exposição de trabalhos que resultaram de uma experiência de “quase morte”. Nas palavras do artista, “morri, voltei e durante aquele período só pensava em conseguir desenhar aquilo que me estava a acontecer e a passar pela cabeça”. Dois registos podem ser observados: um a preto e branco e outro colorido.

Houve ainda espaço para cobrir uma parede da Casa da Cultura (antes de abrir a exposição) com alguns desenhos acompanhados de frases irónicas, filosóficas e desafiadoras.

As mostras na Casa da Cultura podem ser vistas de terça a domingo, a partir das 10h.

 

Pavia: um alentejano neo-realista

 

Foto de Misé Pê

Foto de Misé Pê

Por ali perto, a Galeria Municipal do 11 (Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal) acolhe uma exposição-retrospectiva de Manuel Ribeiro de Pavia. “Uma lenda, uma figura muito particular e uma referência na ilustração neo-realista”, segundo o curador Jorge Silva.

Alentejano, Pavia nunca pintou uma tela, só pintava e desenhava em papel. “Nunca quis ser aquilo que se designava na época como um artista plástico convencional. Tinha o sonho de fazer murais”, contou o designer na inauguração da mostra, no dia 10 de Junho.

A exposição divide-se em várias áreas: o Alentejo, as mulheres, “o Pavia era nessa matéria um sonhador, não se lhe conhecem amores, era um solitário, mas desenhou mulheres ideais às centenas”, e os livros que ilustrou, “durante os anos em que viveu em Lisboa, dos anos 1930 até 1957, tornou-se uma espécie de talismã de intelectuais e escritores portugueses. Todos os grandes e pequenos escritores, prosadores e poetas neo-realistas da época tiveram as capas dos seus livros ou até o miolo dos seus livros ilustrados pelo Pavia”.

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Contos com ética

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Um conjunto tranquilo de contos budistas adaptados de versões tradicionais, em que os animais são quase sempre protagonistas. Explica-se no final do livro o que são jatakas, informando-se os leitores de que se trata de ensinamentos de Buda partilhados “através de contos, metáforas e lições que foram passando de mestres a discípulos ao longo dos anos”.

Diz-se ainda que: “As jatakas fazem parte da colecção de obras que preservam os princípios do budismo mais primitivo. Não pretendem dar lições, apenas inspirar uma conduta consciente e ética.”

Centremo-nos no primeiro conto: O veado dourado. Ali se conta como um veado especial pela sua cor e beleza, mas sobretudo pelo olhar, era protegido do rei Manu e esposa. “Esses olhos contêm todo o Universo”, disse a rainha.

Passaram a chamar-lhe Príncipe Dourado do Bosque. Mas o rei gostava de carne de veado e a manada que vivia perto do palácio ia perdendo os seus animais. Alguns ficavam feridos e em sofrimento porque era o cozinheiro e os seus ajudantes que os tentavam caçar, mas eram muito desajeitados.

Os veados decidiram então oferecer-se voluntariamente para serem mortos e cozinhados, um em cada dia. Até que chegou a vez de uma fêmea grávida, que pediu ao veado dourado que adiassem a sua execução até ter o filho e este se tornar crescido.

O Príncipe Dourado do Bosque ofereceu-se em seu lugar, “deitou-se no chão, inclinando o pescoço comprido sobre a pedra de execução”. Mas o rei não autorizou que o matassem, nem a mais nenhum animal da sua espécie, isto depois de conhecer a história da fêmea com um filho por nascer e de se comover com a compaixão do veado dourado.

No final do livro, há uma proposta de “jogo” em que se sugere ao leitor que imagine ser rei e depois veado. E que conversem os dois. Um exercício que ajuda a pormo-nos no lugar do outro. Para se concluir que, assim, podemos compreendê-lo “e, quando o compreendemos, podemos amá-lo”.

A cada conto, todos com bonitas ilustrações, corresponde um sentimento ou uma reflexão: Cabeça-deAmeixa (interdependência); O urso azul dos Himalaias (generosidade); O mocho que comia figos (impermanência); A Avó Pirilampo (sabedoria, único conto criado expressamente para este livro); A macaca e o crocodilo (amor).

Jatakas — Seis Contos Budistas
TextoMarta Millà
Tradução | Inês Castel-Branco
IlustraçãoRebeca Luciani
EdiçãoPequena Fragmenta
40 págs., 13,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 20 de Maio, página Crianças.)

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A página completa ficou assim. (Obrigada, Sandra Silva.)

Mi anda à procura do que não sabe se perdeu

O pequeno Mi deu-se conta de que perdera algo e foi procurar — sem saber muito bem o quê. Sandro William Junqueira conta-nos A Grande Viagem do Pequeno Mi e junta a sua voz à nossa galeria de Livros para Escutar.

Quem não teve já a sensação de ter perdido algo? Sem saber exactamente o quê, de repente apercebe-se de que lhe falta qualquer coisa essencial. E o mais acertado é partir à sua procura. Enfrentando desconforto, obstáculos, tempestades, mistérios, desconhecidos, medos e tudo o mais.

Foi exactamente isso que fez o pequeno Mi nesta sua grande viagem à procura do que suspeitava ter perdido. “Mi deu-se conta de que perdera algo. Não estava no quarto. Nem no bolso das calças. Espreitou dentro da torradeira e abriu uma janela e três portas. O que procurava não estava.”

Depois deste arranque, o leitor fica não só curioso por saber o que foi que a criança perdeu, como se enche de vontade de a ajudar a encontrar o que, mesmo sem o saber, decerto lhe faz falta. Agora, depois e sempre.

 

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Tudo o que nos passa pela cabeça

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Comecemos pela contracapa, que nos diz: “Na Antiguidade julgava-se que o órgão responsável pelos nossos pensamentos e emoções era o coração. Hoje já sabemos que tudo o que somos – pensamentos, emoções, decisões, ideias – acontece dentro do cérebro, em conversa contínua com o resto do corpo.

“Mas como nasce um pensamento? Como funciona o cérebro? Como é que o cérebro guarda o que aprende? Como se emociona, cria, inventa e faz de cada um de nós uma pessoa única e irrepetível?” Um resumo sedutor para que se entre no livro (e em nós).

Logo no arranque, há uma frase feliz no sentido da consciência: “Cá dentro tens um cérebro. Mas só sabes que tens porque tens um cérebro cá dentro.” Seguem-se explicações sobre o funcionamento do cérebro numa linguagem simplificada, mas sem descurar o rigor científico do que é explicado. À medida que se avança nas páginas, a complexidade dos temas aumenta.

As autoras fizeram-se acompanhar dos saberes (neurociências, psicologia, filosofia) de vários investigadores, a que chamaram “revisores”, e que no final são entrevistados.

Cá Dentro nasceu como contraponto ao Lá Fora (2014), um guia de descoberta da natureza. No início do livro, conta-se como surgiu a ideia e como poderia ter sido, entre outros temas, “sobre os segredos do centro da Terra”.

As ilustrações de Madalena Matoso, vermelhas e azuis, são ora mais concretas e descritivas, ora mais metafóricas e criativas, sem nunca deixarem de manter a ligação com o que é dito e num registo que cativa o leitor e o mantém agarrado ao livro. Foi assim que funcionou cá dentro…

Cá Dentro — Guia para Descobrir o Cérebro
Texto: Isabel Minhós Martins e Maria Manuel Pedrosa
Ilustração: Madalena Matoso
Edição: Planeta Tangerina
368 págs., 24,60€

(Texto divulgado na edição do Público de 13 de Maio, na página Crianças.) 

Para folhear o livro, leve os dedos (e o pensamento…) até ao Planeta Tangerina.

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A página completa foi esta, com as habituais sugestões do Guia do Lazer.

Um livro-roteiro sobre Lisboa

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Eu Li Ali! foi imaginado e criado por uma jovem de 20 anos e é sobretudo por isso que o trazemos aqui — para motivar outros jovens a escrever e a desenhar. É um livro-roteiro.

À entrada, convida-se o leitor a entrar numa viagem por Lisboa e pelas palavras de autores portugueses: “Psiu! Pega neste livro com muito cuidado, pois o que tens na mão é algo que te pode despertar para um imenso mundo de fantasias, sonhos e de criatividade.

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Seguem-se poemas de Luís de Camões, José Gomes Ferreira, Miguel Torga, Fernando Namora, David Mourão Ferreira, Eugénio de Andrade, Reinaldo Ferreira, Afonso Lopes Vieira, Fernando Pessoa, Alberto de Oliveira, Augusto Gil, Antero de Quental e Eugénio de Andrade. Todos ilustrados e onde aparecem pequenos fantasminhas.

Chamam-se Anima (alma em latim)”, começa por explicar a ilustradora, e prossegue, “existem para te ajudar a perceber que às vezes não é necessário dizer o que sentimos ou pensamos, pois tudo aquilo que não se vê converte-se em emoções e em códigos que só quem está atento é que os entende”.

No final, algumas páginas são dedicadas a desafios e actividades à volta da cidade de Lisboa. Identificar lugares, pintar a rua do roteiro do autor preferido, uma sopa de letras, convites para desenhar no Cais das Colunas e fotografar no Parque das Nações, entre outras propostas.

Há ainda um mapa solto com a indicação das ruas, avenidas e largos com os nomes dos autores, correspondendo a cada um uma cor.

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Uma ideia engraçada e bastante completa de uma jovem que está a estudar ilustração na Universidade de Norwich no Reino Unido, mas que não esquece Lisboa.

(Imperdoável o erro na Introdução, em que se escreve “à” em vez de “há”. Responsabilidade que deve ser partilhada por autora e editora.)

Eu Li Ali!
Texto: vários
Concepção, ilustração e paginação: Alexandra Marguerita
Edição Chiado Editora
72 págs., 15€

(Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 6 de Maio.) 

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Página completa, com as habituais sugestões de actividades culturais em família. Mais informação no Guia do Lazer.

Mais um Livro para Escutar (aqui há gato…)

Rui Lopes e Renata Bueno foram ao estúdio do PÚBLICO ler para nós o livro Aqui Há Gato!. O registo foi feito por Frederico Batista. (E ficou muito giro.) Obrigada a todos.

Para conhecer outros trabalhos da ilustradora brasileira que escolheu viver em Portugal, este é o caminho.

Um rei chato e uma revolução

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Havia um rei muito chato. Fazia sempre tudo da mesma maneira. “Convém avisar que um rei pode ser lei. (É só trocar o R pelo L.)”, escreve-se logo no início.

Segue-se a descrição de algumas rotinas de el-rei Dom Chato. “Calçava sempre a bota direita antes de calçar a esquerda. Penteava-se sempre à mesma hora, sempre com o risco para o mesmo lado. Escutava sempre a mesma sonata triste no piano. E nunca, nunca fazia as coisas de modo diferente.”

Aqui Há Gato! nasceu de uma forma pouco convencional. Primeiro foram criadas as ilustrações e só depois o texto. “Quis transformar uma coisa monótona, os códigos de barras, em imagens criativas”, contou ao PÚBLICO a ilustradora brasileira Renata Bueno.

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Criou então uma série de ilustrações (sempre com códigos de barras), juntou-lhe pequenos poemas e mostrou tudo  à editora Orfeu Negro na Feira do Livro Infantil de Bolonha.

A editora gostou das imagens e sugeriu que se criasse uma narrativa à volta delas. Chamou Rui Lopes, tradutor de muitos títulos da Orfeu Mini, que assim se estreou como autor. E bem.

Pensei na monotonia e criei uma personagem chata”, recorda Rui Lopes. No entanto, o rei há-de ser convencido a aceitar a mudança.

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“Um dia, a Dona Cristina, farta de tanta rotina, disse: ‘Basta.’ E tal bastou para que as pessoas, os animais e as outras coisas que tais, cansados de tanta, tanta repetição, fizessem uma revolução.” E ainda bem.

“O rato fez-se valentão e rugiu para o leão”, “o foguetão parou no meio do voo e ali se deixou ficar, desafiando a gravidade, só para experimentar”, mas houve muitas outras mudanças que espantaram o rei.

Aqui há gato!”, era o que ele dizia sempre que alguma coisa não acontecia à sua maneira. Até que o gato Silvestre lhe explicou em língua de gente: “Onde há gato há curiosidade, majestade, e é assim que tudo pode ser diferente.”

Um livro bem-humorado e de fácil leitura textual e visual. Na imagem das páginas centrais  do álbum, os códigos de barras remetem para outros livros. Quem conseguir um leitor destas “risquinhas” poderá identificá-los. Os autores vão estar hoje em Évora, às 15h, na Livros à Rua (ver agenda ao lado).

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Quanto ao Dom Chato, aprendeu alguma coisa com a revolução. Tirou a coroa e anda apanhar banhos de sol com a rainha.

Aqui Há Gato!
Texto Rui Lopes
Ilustração Renata Bueno
Edição Orfeu Negro
48 págs., 9,90€

(Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 29 de Abril.)

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Aqui fica a página completa com sugestões de actividades culturais em família. Mais informação no Guia do Lazer.

“Quebrar a cabeça” no Dia Mundial do Livro

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(Hoje, 23 de Abril, é Dia Mundial do Livro.)

Como o nome anuncia, este livro é um quebra-cabeças. Também será o que nós quisermos, basta aceitarmos o desafio do autor e desatarmos a pintar pequenas caixas de cartão ou de papel (caixas de fósforos, de pastas dentífricas, de lâmpadas, de medicamentos, de tisanas, etc, etc).

Depois de as juntarmos por tamanhos semelhantes e de lhes darmos cor, há que agrupá-las de forma a criar uma figura. “Assim que estiverem agrupadas, faz um desenho em cima delas com um pincel”, orienta o autor. “Roda as caixas e faz outros desenhos nos outros lados que ainda estiverem por preencher. E agora já podes brincar com o teu quebra-cabeças”, explica-nos Diego Bianki mais para o final do livro, depois de já nos ter conquistado com a sua arte.

O lema vem definido logo no início: recuperar, reciclar, reutilizar. Seguem-se as primeiras frases, também elas escritas em caixas pintadas. “Tu olhas para mim”, lê-se no rodapé de uma página encimada por várias caixas que compõem um homenzinho de chapéu e gravata. “Eu olho para ti”, vê-se na página seguinte, onde 16 caixas reproduzem a imagem de uma mosca de olhos muito grandes, que multiplicam a figura do homenzinho da página anterior.

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Este boneco de chapéu e gravata há-de aparecer em várias páginas mais adiante, levando-nos a ver as diferenças entre vários seres e a reflectir sobre as múltiplas identidades que o mundo nos oferece.

Na contracapa, descreve-se esta verdade: “De facto, embora sejamos tantos e pareçamos tão distintos, há algo em que somos iguais: ‘Somos todos diferentes’.” E mais esta: “Ainda que não haja um número onde caibamos todos, há porém uma palavra onde nos podemos encontrar: ‘Nós’.”

Quebra-Cabeças teve direito a uma Menção Especial na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha em 2016 na categoria de Disability. Mas o autor, argentino, já recebeu vários prémios pelos seus trabalhos, sempre muito originais e quase sempre interactivos, como o Prémio Novos Horizontes da Feira Internacional do Livro de Bolonha (2013), o Prémio Konex de Ilustração 2012.

Este professor de Desenho e também designer, na Universidade Nacional de La Plata, foi ainda seleccionado para a lista da White Ravens. Profissionalmente, é, além de ilustrador e autor de livros para crianças e jovens, director de arte da chancela Pequeño Editor.  Com tantas actividades, não admira que goste de “quebra-cabeças”.

Quebra-Cabeças
Texto e ilustração: Diego Bianki
Tradução: Ana M. Noronha
Edição: Kalandraka
56 págs., 15€

(Texto divulgado na página Crianças do Público de 22 de Abril.)

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A página completa ficou assim bonita… Com várias sugestões de actividades culturais em família. Mais informação no Guia do Lazer

Para conhecer melhor o autor e ilustrador de Quebra-Cabeças, siga por este caminho.

Boa Páscoa e… maçãs sem dentes

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Se as Maçãs Tivessem Dentes lança-nos num exercício de imaginação e diversão. Literária e estética. Também pode ser visto como uma prática gramatical da utilização do conjuntivo.

Independentemente do propósito de quem o criou, o resultado é o leitor ficar a imaginar “ses” em tudo o que tropeça. E nada tem que ver com a famosa canção “se eu fosse rico” (embora nos lembrássemos dela). Aqui, a riqueza maior é o acto de imaginar e subverter os sentidos que o mundo (real) nos oferece.

Se as maçãs tivessem dentes, as coisas seriam bem diferentes” é a frase de entrada neste imaginário, acompanhada pelo desenho do fruto a morder o nariz de um militar de olhos arregalados e bigode farto. Seguem-se ideias à volta de animais e alimentos, como “se os cogumelos tivessem cabelos, ninguém ia querer comê-los” ou “se as zebras andassem de pijama de dia, nunca ninguém notaria” (imagem aqui reproduzida).

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Há rimas mais eficazes que outras, mas no conjunto percebe-se grande cuidado na tradução. Trabalho que não vem identificado na ficha técnica, pelo que se presume ser da responsabilidade do editor, Miguel Gouveia.

O livro foi criado por um casal, Shirley Glaser escreveu e Milton Glaser ilustrou, em 1960, mas podia ter sido por estes dias. Milton Glaser “encontra-se entre os mais celebrados designers gráficos norte-americanos, co-fundou o revolucionário estúdio Pushpin em 1954, fundou a New York Magazine com Clay Felker em 1968 e funda a Milton Glaser, Inc. em 1974”.

Frase eleita deste livro: “Se pudesse ler como toda a gente, o canguru dava saltos de contente.” Se a escolha fosse diferente, não seríamos nós certamente.

Se as Maçãs Tivessem Dentes
Texto: Shirley Glaser
Ilustração: Milton Glaser
Edição Bruaá Editora
36 págs., 14€

(Texto divulgado na edição do Público de 15 de Abril, na página Crianças.)

Se quiserem folhear parte do livro, sigam-nos.

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Aqui fica a página completa, com as habituais sugestões de actividades em família. Há mais ideias no Guia do Lazer.

A gravura que invoca a Páscoa é de Vítor Gaspar, do Atelier Contraprova. Foi ele que desenhou o primeiro logótipo do Letra pequena (de que continuamos a gostar muito).

Na boca do lobo (que cheira mal)

Na Boca do Lobo

Um livro que contém poemas poemas criados a partir de expressões idiomáticas comuns, como “andar com a cabeça na lua”, “fazer uma tempestade num copo de água” ou “ir por maus caminhos”.

A que dá título à obra, “na boca do lobo”, mereceu este texto divertido de Sara Monteiro: “Na boca do lobo cheira sempre muito mal./ O lobo só come carne/ e não gosta de vegetal. // O lobo não lava os dentes/ está sempre a devorar,/ assim que abre a boca/ não se pode respirar. // Não vai ao dentista, /não come vegetal,/ não lava os dentes e por isso cheira mal.”

A cada expressão um poema que ignora o habitual sentido do seu uso e antes explora o sentido literal da frase, alargando o imaginário do leitor de modo claro e bem-disposto.

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As ilustrações de Susana Carvalhinhos emprestam cor e movimento aos poemas, sendo igualmente divertidas e alargando os universos descritos. Gostamos especialmente das que acompanham as frases “andar com a casa às costas”, “a menina dos olhos”, “cair das nuvens” e “fazer um negócio da China”.

Na Boca do Lobo integra o conjunto de novos livros infantis editados pela Associação para a Promoção Cultural da Criança, na colecção Ler com Valores, que indicam para leitores até aos 12 anos.

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Os outros títulos são Vincos (texto de Inês Fonseca Santos e ilustração de Nicolau), Cidade em Forma de Assim (João Paulo Cotrim e Rui Rasquinho) e Há Vozes no Charco (Raul Malaquias Marques e Pierre Pratt).

Vincos e Cidade em Forma de Assim assinalam os 500 anos da publicação de Utopia de Thomas Moore. Escreve a editora sobre ele: “Texto fundamental para percebermos o modo como organizamos a nossa vida comum. Mais: com ele se descobriu que haverá sempre possibilidade de sonharmos um mundo diferente.” É verdade.

Na Boca do Lobo
Texto: Sara Monteiro
Ilustração: Susana Carvalhinhos
Edição: Associação para a Promoção Cultural da Criança
40 págs., 7,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 8 de Abril, na página Crianças.) 

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Em papel, a página completa saiu assim. Com sugestões de férias ocupadas e de música recolhidas em conjunto com o Guia do Lazer.

Leve os miúdos a uma livraria

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Na véspera do Dia Internacional do Livro Infantil, divulgámos este texto. Também podem lê-lo aqui no Letra Pequena (foto da Hipopómatos na Lua, “surripiada” da página de Facebook da livraria).

A data de nascimento de Hans Christian Andersen é pretexto para lembrar a importância dos livros para crianças.

Há cada vez mais livrarias vocacionadas para o livro infantil e para a ilustração. Têm programação própria para os mais novos e para as famílias. Em ambientes coloridos, confortáveis e descontraídos, organizam-se oficinas, horas do conto, clubes de leitura. Tudo para criar nas crianças um belo vício: o dos livros e da leitura.

Se não costuma frequentar livrarias, neste fim-de-semana tem um motivo acrescido: no domingo assinala-se o Dia Internacional do Livro Infantil, data em que nasceu o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (2 de Abril de 1805). Um dia que pretende chamar a atenção para a importância da leitura e do papel fundamental dos livros para a infância. A primeira vez que se comemorou foi em 1967.

Mas todos os dias são bons para levar os miúdos às livrarias e bibliotecas e deixá-los escolher os livros que os cativam. Porque ler é bom e há que descobrir o livro certo para cada um. A partir daí, a criança dificilmente perderá o vício…  Continuar a ler

Uma floresta quer-se arrumada?

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Um texugo chamado Pedro é obcecado por limpezas e arrumações. Por isso não consegue deixar que a floresta seja o que se espera dela: um espaço natural e vivo, com a “desorganização ecológica” que lhe é característica. “Arrumava e organizava, era um fã das limpezas. Arrumava as flores, e as que eram diferentes, cortava-as logo, com a sua tesoura de dentes.

Mas não se ficava por aqui. Escovava raposas, limpava pássaros, apanhava galhos do chão, polia as rochas, limpava e lustrava. Enfim, com tanto empenho (empreendedorismo?) em arrumar e organizar, acabou por dar cabo de tudo.  Entre lama, escavadoras, betoneiras e cimento, conseguiu finalmente “uma floresta organizada”. Mas… onde estava agora o alimento?

Durante a noite, o Pedro deu voltas sem fim. Tinha a barriga vazia e pensava: ‘Pobre de mim!’ Deitado na betoneira, completamente acordado, começou a pensar: ‘Acho que estou absolutamente enganado.’” E estava. Por isso, “logo à primeira luz do dia, deitou mãos ao trabalho para salvar o que podia”.

Claro que os amigos vieram dar uma preciosa ajuda para repor a (des)ordem que uma floresta merece. “Depois vieram os animais — fracos, fortes — de todos os tipos e ajudaram-no com as patas, as garras e os bicos.”

Arrumado é uma curta narrativa que, com graça, nos convida a gostar do mundo tal como ele é. Os pequenos leitores ficam a saber que nada é perfeito, mas que há sempre possibilidade de melhorar o que nos é dado. Sem exagerar nem destruir.

A autora, Emily Gravett, venceu três vezes o prémio Kate Greenaway de ilustração. Em Portugal, já tem editados os títulos Feitiços, O Gato da Matilde, Grande Livro dos Medos do Pequeno Rato, Outra Vez! e O Lobo Não Morde! Diz a editora que Emily Gravett “está habituada aos prémios e nomeações desde a sua primeira obra em 2005 e tem-se afirmado com um estilo muito próprio”.

Nesta história “arrumada”, a autora e ilustradora valoriza a amizade e a aceitação das diferenças, num cenário de cores quentes, com personagens de rosto simpático. Um livro bonito.

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Texto e ilustração: Emily Gravett
Tradução: Francisco Ferreira 
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Edição: Livros Horizonte
36 págs., 13,90€

(Texto divulagado na edição do Público de 1 de Abril, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa. Sempre com sugestões de actividades em família. Mais ideias no Guia do Lazer.

António Mota está nos Livros para Escutar

Ninguém deixa a Inês vestir-se de azul, mas ela quer ir bonita à festa do Ricardo. É mais um Livro para Escutar do Letra Pequena, contado pelo autor, António Mota. (Também pode ser escutado e visto no site do Público.)

O conto que deu título ao livro Histórias às Cores foi lido no estúdio do PÚBLICO. Nesta história fala-se de uma menina que foi convidada para ir à festa de anos do Ricardo. “Ela gostava muito do Ricardo, queria ir muito bonita.” Mas as amigas não concordaram com a cor da roupa que Maria Inês queria usar: azul. Afinal, as cores também se discutem.

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História às cores é um dos oito textos que compõem o livro, editado pela Gailivro. Todos foram ilustrados por Paulo Galindro, que nas guardas contou com a colaboração e talento do seu filho, ainda criança, João Galindro. Imagens coloridas e com várias técnicas prendem a atenção dos pequenos leitores, convidando-os também a desenhar.

Este é o trigésimo título da colecção Obras de António Mota, que contou muitas destas histórias aos seus alunos, durante os anos em que foi professor do ensino básico.

No dia em que leu para nós, tinha vindo de Baião (onde mora) para participar na iniciativa Escritores em Belém, promovida pela Presidência da República. Para ele, também “uma história feliz e colorida”.

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Os outros contos do livro: A caixa misteriosa, Bernardo e Tomás, O melhor doce do mundo, Pescarias, Vermelhinha, madurinha, redondinha, A prenda, A bruxa, o fantasma e o monstro.  Para ler em papel.