Os narizes compridos de João Vaz de Carvalho

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Uma colecção de contos de Luísa Ducla Soares com ilustrações de João Vaz de Carvalho. Histórias de rapazes de narizes excessivamente compridos, meninas exageradamente bondosas, rapazes incompreensivelmente medricas e senhores absurdamente fortes.

Juntar a boa disposição de Luísa Ducla Soares ao humor de João Vaz de Carvalho só poderia resultar num livro muito divertido e livre. Cheio de talento.

Aqui não se faz cerimónia com as palavras e assegura-se gargalhadas junto do pequeno leitor. Seja pela escrita, seja pela imagem.

Fala-se de cuecas e rabos, temas que logo fazem as crianças rir-se, embaraçar-se ou corar. Toda a narrativa e estética concorre, de forma bem-humorada e na lógica dos mais novos, para episódios e reflexões à volta do absurdo e dos extremos. E os miúdos sempre gostaram disso.

 

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Há um nariz excessivamente comprido, uma menina exageradamente bondosa, um rapaz incompreensivelmente medricas e um senhor absurdamente forte.

O rapaz do nariz comprido metia sempre o nariz onde não era chamado. Durante as aulas metia o nariz no recreio. Quando ia no autocarro metia o nariz em cima das meninas do banco da frente (…)” Não vamos contar muito mais, mas fiquem sabendo que um dia “meteu o nariz na jaula dos leões”. Imaginem então o que lhe aconteceu.

A menina boa (…) não jogava à bola para não estragar a relva, não corria para não romper os sapatos, não limpava o rabo para não gastar papel higiénico.” É disto que trata o segundo conto deste livro, que conclui “que pena uma menina tão boa não ser ao menos um bocadinho má”. É que a rapariga até oferecia chazinho e torradas aos ladrões…

O menino medricas deste livro tentou rodear-se de animais que o defendessem, mas correu tudo mal, já que os bichos deixaram-se contaminar pelos seus receios: um cão, um gato, um rato e até um grilo. Um dia, o rapaz disse: “Isto é demais!” E atirou-se de cabeça para o lago. “Agora chamam-lhe Miguel sem Medo.”

Já o senhor forte demonstrou logo no berço a sua força, ao brincar com “uma grande roca de chumbo”. Mas cresceu e a saga continuou: “Se havia uma avaria nos comboios, prendia à cintura dez carruagens e largava a correr de Lisboa até ao Porto.” (Como se vê na ilustração maior desta página.)

A concluir, Luísa Ducla Soares revela mais uma vez o seu sentido crítico e mordaz, quando diz que o senhor forte irá atirar à mão o primeiro foguetão português até à Lua. “Esperamos que não erre a pontaria…” Pois.

O Rapaz do Nariz Comprido e Outros Contos
Texto: Luísa Ducla Soares
Ilustração: João Vaz de Carvalho
Edição: Livros do Horizonte
40 págs., 13,90€

(Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 16 de Dezembro de 2017.)

Para conhecer outros trabalhos de João Vaz de Carvalho (quase sempre com personagens narigudas), venha por aqui.

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A página completa saiu assim, com as habituais sugestões do Guia do Lazer.

Do grande e do pequeno

Leão

Do pequeno e do grande. Do medo e da coragem. De um rato e de um leão. O primeiro, invisível e silencioso; o segundo, exuberante e ruidoso. O rato quer ser como o leão.

Descubra as diferenças. O pequeno: “Ele era tão pequenino – nem dá para acreditar – que ninguém nele reparava, mas nunca, nem pensar. Uns pisavam-no, outros sentavam-se nele, sem verem a pobre criatura. Ah, sim… vida de rato é bem dura.”

O grande: “Entretanto, muito em cima, lá no alto do rochedo, as coisas eram diferentes. Havia um leão… que medo! O bicho grande e dentudo fazia a todos sentir a importância que tinha pela força do seu… rugir.”

Acredita o rato que, se aprender a rugir, tudo será diferente. Vão deixá-lo pertencer ao grupo, fará novos amigos e terá uma vida melhor. Põe-se então a caminho de um encontro com o leão. Está convicto de que será o “chefe da família” dos animais que o ensinará a ter voz.

“Sentia que era assustador o que ali ia tentar… mas, se queremos mudar as coisas, primeiro temos de ser nós a mudar.”

É disto que fala O Leão Que Temos cá Dentro. Não nos parece coisa pouca, mesmo que muitos olhem para aquela afirmação como uma “frase batida”, a de que a mudança começa sempre em nós. Pode até ser uma ideia estafada… para os adultos; para as crianças, não.

A autora do texto é britânica e tem um apelido curioso, Bright, que aproveitou para dar nome à sua página online: Look on The Bright Side. Que se pode traduzir por algo como “veja o lado positivo/bom”. Por isso, não admira que na biografia da escritora divulgada na editora se escreva: “O seu trabalho para a infância inclui uma série de histórias e personagens inspiradas em animais, poemas e mensagens afectuosas.”

Percebe-se o esforço do tradutor para manter o ritmo do texto original e de encontrar as palavras certas para que as rimas funcionem em português. Há soluções felizes, outras nem tanto. Mas, no conjunto, a leitura é escorreita e dá vontade de a fazer em voz alta.

O ilustrador, Jim Field, é também “designer” e dirige filmes de animação, como se adivinha pelas formas, expressões, dinâmica e localização das personagens na sequência de páginas. Ganhou o prémio Booktrust Roald Dahl Funny em 2011 pelo livro de fotografia “Cats Ahoy”, com texto de Peter Bently. Também já desenhou para histórias de Kes Gray, Michelle Robinson, Michael Broad, Jeanne Willis, Steve Cole e para o comediante David Baddiel.

E afinal o que se passou com o rato medroso que por instantes se revelou destemido?

Chegado junto ao leão, eis o que aconteceu: “O Leão, todo a tremer, começou a recuar, e andando para trás caiu de patas para o ar! ‘Não me faças mal!’, gemeu. ‘Oh, peço-te por favor!’ Não é que o grande Leão de ratos tinha pavor?

Assim se iniciou uma bela amizade. Cada um com o seu tamanho, mas os dois a sentirem-se grandes. Na voz e no afecto.

O Leão Que Temos cá Dentro
TextoRachel Bright
TraduçãoCarlos Grifo Babo
RevisãoSónia Silva
IlustraçãoJim Field
EdiçãoEditorial Presença
64 págs., 10,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 2 de Dezembro.)

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Na edição em papel, saiu assim. Com sugestões de actividades culturais em família, via Guia do Lazer.

Cada estação, seu paladar

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Primavera, Verão, Outono, Inverno. Já não são muito nítidas todas as características das quatro estações do ano que nos cabem a esta latitude, mas Manuela Leitão e Catarina Correia Marques recuperam poeticamente os sinais, os tons e os sabores de cada uma delas. Sem preferências, antes contemplando e respeitando o que nos oferecem.

Escreve-se (com verdade) na contracapa: “Para que as plantas floresçam na primavera, é preciso que, antes disso, o inverno as embale na terra, que o outono lhes espalhe as sementes ao vento, que o verão lhes amadureça os frutos. Os animais vão e vêm, conforme faz mais frio ou mais calor, e até nós nos comportamos de maneira diferente, com alegrias e afazeres próprios de cada tempo. Nenhuma estação faria sentido sem as restantes. Bom mesmo é sabermos contemplar a beleza de cada uma delas – essa espécie de poesia de que nos apercebemos não só com os sentidos, mas, sobretudo, com o coração.”

Comecemos pelas cerejas, um fruto da Primavera que aqui se evoca com uma tradição de muitas famílias de as usar como brincos. “Quando ela come cerejas,/ Daquelas gordas, vermelhas,/ Põe sempre quatro ou cinco,/ Como se fossem um brinco,/ A enfeitar as orelhas! // (Eu sei, eu sei… A minha mãe, às vezes, parece uma criança!)”

Passemos agora por uma esplanada, que é Verão: “Desculpe,/ Posso fazer-lhe o pedido?…/ Traga-me um dia comprido, / Em copo alto, de vidro,/ Com gelado,/ insetos e flores. (…)” Seguem-se pedidos de melão, ameixas, coco ralado e, “no fundo do copo, um pêssego alaranjado”. E porque o sol está forte há-de ser preciso uma sombrinha.

Veado

Vamos depois passear nas serras, que o Outono já chegou e traz com ele um belo menu serrano: “Fui à serra da Lousã,/ Levei comigo a Isabel:/ Comemos castanhas assadas,/ Comprámos um frasco de mel. // Fui à serra de Montesinho,/ Levei comigo o Edgar: /Almoçámos cogumelos/ E lanchámos um folar (…)”

O passeio estender-se-á ao Gerês (caldo verde e aletria), à serra de Santa Bárbara (funcho e doce Dona Amélia), da Estrela (pão de centeio e requeijão) e à serra de Monchique (batata-doce, bolo de alfarroba e figos).

E eis que chega o Inverno, a encerrar o desfile das estações. Com ele, vêm as romãs: “Comi uma romã/ De pernas para o ar./ será por isso que me estou a apaixonar?”

Centrámo-nos nos frutos, mas poderíamos ter escolhido as árvores, as flores, a temperatura ou as aves. Muitos elementos e cenários compõem as páginas deste livro, que alia com eficácia aprendizagens e fruição — estética e literária. Só para lembrar, estamos no Outono.

Poemas para as Quatro Estações
Texto | Manuela Leitão
Ilustração | Catarina Correia Marques
Edição | Máquina de Voar
48 págs., 11,95€

(Texto divulgado na edição do Público de 25 de Novembro, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de actividades culturais para toda a família. Via Guia do Lazer.

Um dragão simpático e afinado

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Depois de cem anos adormecido, um dragão desperta e prepara-se para se juntar à festa da aldeia.

Penteou as escamas do cabelo, lubrificou as asas, borrifou-se com fragrância de morcego aluado e escolheu, de entre a sua colecção, o lacinho encarnado.” Satisfeito com a sua imagem, partiu rumo ao baile. Mas os aldeões, assustados, refugiaram-se nas suas casas.

“— Porque fogem? — perguntou-lhes. Mas as pessoas, que tremiam como varas verdes, quando viram que deitava fumo pelo nariz, trancaram as portas, fecharam as janelas e não lhe responderam.”

O dragão, no entanto, não desistiu de os conquistar e de participar na festa. Então, pôs-se a cantar. “Ao verem que sabia cantar, e muito bem, os aldeões começaram a sair de suas casas e foram-se agrupando junto da fogueira para o ouvir. Curioso! O dragão parecia um rouxinol quando cantava, um rouxinol roxo que deitava lume pela boca.”

Este foi o início de uma nova vida para o dragão, transformado agora em professor de música das crianças da aldeia. “E, claro, sempre que havia festa, ele e o coro de pequenos cantores eram os convidados especiais.”

Rouxinol

Uma história simples que valoriza a amizade e a aceitação da diferença. O autor, Pedro Jardim, tem outras obras publicadas, nem todas para a infância, As Crónicas do Avô Chico, A Senhora da Tapada, O Monstro de Monsanto e Gigante Gigantão, mas a sua profissão principal é a de chefe na PSP, dedicando-se também a investigação criminal.

Com o Dragão Rouxinol, Pedro Jardim tem visitado muitas escolas e bibliotecas de todo o país.

O livro já tinha sido editado pela Alfarroba, em 2013, com ilustrações de Raquel Pinheiro e incluía um CD (com música, fichas, jogos e actividades).

Esta edição de autor conta com as ilustrações bem-dispostas de Natalina Cóias, que recorre a colagens de forma imaginativa e eficaz, dando textura e expressividade às personagens.

Dragão

O dragão tem uma cara amável e foi uma boa ideia pô-lo sempre em companhia de um pequeno pássaro (talvez um rouxinol…). Também as guardas do livro com partituras em fundo são uma boa solução gráfica.

Natalina Cóias, além de ilustradora, é educadora de infância: “O meu mundo e o mundo das crianças é exactamente o mesmo, e é no universo delas que eu me inspiro todos os dias, em tudo o que faço (…) Gosto de histórias… de as ouvir, de as contar e de as ilustrar.”

Com Paulo Galindro, que assina o design do título, criou a Pintarriscos, um blogue que é também uma loja de materiais ilustrados.

O Dragão Rouxinol
Texto: Pedro Jardim
Ilustração: Natalina Cóias
Edição: De autor
24 págs., 12€

(Texto divulgado na edição do Público de 18 de Novembro, página Crianças)

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Esta foi a página completa divulgada, com sugestões de actividades para toda a família, escolhidas em parceria com o Guia do Lazer.

Frida Kahlo para menores (e maiores)

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Olha-se para a capa e fica-se com a sensação de estar em presença daqueles retratos em que os olhos se movem em função do ângulo em que os observamos. Mas não. No entanto, não se consegue fugir ao olhar penetrante com que Benjamin Lacombe desenha Frida Kahlo.

Diz o ilustrador: “Recordo-me da primeira vez que deparei com o olhar de Frida. Tinha doze ou treze anos, e detive-me naquele rosto de olhar hirsuto que me media rodeado de macacos. (…). Para dizer a verdade, ainda que tivesse ficado intrigado, não foi nesse dia que ele me seduziu.”

Foi quando estudou História de Arte que o fascínio pela artista surgiu. Ainda bem. Ou não teríamos aqui este belo livro.

Frida é uma biografia ilustrada e poética que começa com o acidente grave que a artista sofreu quando tinha 18 anos e que lhe valeu dores crónicas pela vida fora. “Ainda há pouco, (…) eu era uma menina que caminhava num mundo de cores (…). Era tudo misterioso (…). Agora, moro num planeta doloroso, transparente, como que de gelo, mas que nada oculta.”

Ainda assim, a jovem renasce depois do choque. “Cheia de esperança. (…) Abro o meu coração a esta nova vida.”

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As imagens do livro são recriações e reinterpretações da sua obra. Começou por pintar para ocupar o tempo, mas depois usou a pintura para expressar as suas dores. Físicas e outras. Frida tinha uma grande afeição pelo México e o livro começa e finda na Casa Azul, onde nasceu e morreu.

Para os que ficam receosos de mostrar livros “perturbadores” às crianças, saibam que elas precisam de ter medo, desde que no final se sintam seguras e tenham quem as abrace. Para universos cor-de-rosa, há Disney que chegue.

Frida
Texto: Sébastien Perez
Tradução: Ana M. Noronha
Ilustração: Benjamin Lacombe
Edição: Kalandraka
76 págs., 26€

(Texto divulgado na edição do Público de 11 de Novembro, página Crianças.)

Para conhecer melhor o ilustrador, este é o caminho.

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Esta foi a página completa publicada, com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Saramago em desassossego à procura de uma ilha

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(A antecipar os Dias do Desassossego — Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa, que decorrem de 16 a 30 de Novembro em Lisboa, escolhemos divulgar este livro na página Crianças do Público. Ficou muito bem paginada graças a Sandra Silva.)

Contrariando todos os procedimentos oficiais, um homem insiste em ser recebido pelo rei. “Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele.”

Pela pontuação logo se percebe que o autor é José Saramago, mas também pelo que denuncia e reflecte num texto que alia o sonho à luta contra convenções inusitadas e à descoberta do mais genuíno e íntimo de cada um de nós. Sempre em busca da utopia.

Afinal, que queria aquele homem, tão corajoso e determinado que desafiara as rotinas da autoridade e do poder?

Foi assim o encontro com o rei: “Que é que queres?, Por que foi que não disseste logo o que querias?, Pensarás tu que eu não tenho mais nada que fazer, mas o homem só respondeu à primeira pergunta. Dá-me um barco, disse.

O rei ficou desconcertado e só algum tempo depois o homem conseguiu dizer-lhe que queria “ir à procura da ilha desconhecida”. Não foi fácil convencê-lo a aceder ao pedido nem a fazer valer a sua certeza de que haveria sempre ilhas por descobrir.

A mulher da limpeza, com quem o homem falara à porta do rei, acabará por viajar com ele. Gostamos deste diálogo: “Não queres vir comigo conhecer o teu barco por dentro, tu disseste que era teu, Desculpa, foi só porque gostei dele, Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.”

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Uma história sobre descoberta, perseverança e espírito colectivo. Já a vimos encenada e dramatizada por diferentes companhias, mas não nos cansamos do texto. E da ideia. “Sempre tive a ideia de que para a navegação só há dois mestres verdadeiros, um que é o mar, outro que é o barco, e o céu, estás a esquecer-te do céu. Sim, claro, o céu, Os ventos, As nuvens, O céu, Sim, o céu.

As ilustrações de Fatinha Ramos oferecem à narrativa variações de escala e um colorido que atraem e fixam o olhar do pequeno leitor. Do grande também.

O Conto da Ilha Desconhecida
Texto: José Saramago
Ilustração: Fatinha Ramos
Edição: Porto Editora
64 págs.,13,30€

(Texto divulgado na edição do Público de 4 de Novembro, página Crianças.)

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A página completa, onde se quis também destacar o espectáculo O Pássaro da Cabeça, que estará em cena no Porto, até 19 de Novembro, no Teatro da Vilarinha. Uma peça de Manuel António Pina que encerra um ciclo de representações do Pé de Vento iniciado em… 1978. (Já há um tempinho.)

Mais sugestões de actividades para a família no Guia do Lazer.

Braga em Risco… (uma cidade a colorir o Outono)

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Até 25 de Novembro, há um programa feliz em torno de ilustradores nacionais e internacionais que convidam as crianças a experimentar desenhar, pintar, apagar e fazer de novo. (Como qualquer artista que realmente o seja.)

Pedro Seromenho e uma equipa competente e motivada da Câmara Municipal de Braga fazem deste encontro uma festa criativa e emotiva. Só visitando as exposições no Castelo… de Braga e na Casa dos Crivos é que se percebe exactamente o que queremos dizer.

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Isto é só para espreitarem um pouco mais da escada (maravilhosa) que nos conduz às 11 exposições distribuídas pelo edifício.

Agora, deixamos aqui os vídeos que não conseguimos mostrar na sessão Livros sem Texto, na noite de 11 de Novembro. (Foi uma mistura de falha técnica e aselhice nossa e só nossa.)

Afinal o Caracol (Fernando Pessoa, Mafalda Milhões, editora Bichinho de Conto)…

e… Um Dia na Praia (Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina). Aqui é mesmo preciso descarregar o ficheiro. Mas Letra pequena garante que vale a pena :).

Anda por aí um rapaz de carapinha ruiva

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Orlando acaba de receber uma carta. É a primeira vez que isso acontece. E não é uma carta qualquer: vem da Rússia!

Começa assim a história de Orlando, um rapaz de oito anos que herdou a tipo de cabelo do pai (guineense), mas com a cor do cabelo da mãe (portuguesa). O resultado desta mistura é uma original carapinha ruiva.  Além desta característica, há outra que o diferencia dos restantes miúdos, não consegue pronunciar a letra “éle”, sai-lhe sempre um “u”. Por isso, é assim que pede à mãe os ingredientes da pizza: “Cogumeuos e toneuadas de queijo.” Mas faz-se sempre entender.

Orlando tem um grande amigo, Tobias, que muito admira por saber duas coisas: a tabuada do 8 e desenhar. Só não consegue compreender que ele não goste de jogar futebol e tenha medo da bola.

A mãe do protagonista, Miranda, é bailarina e o pai, Tim, contrabaixista. Estão separados, mas moram perto um do outro e entendem-se bem. Temporariamente na Rússia, foi ele o remetente da primeira carta que Orlando alguma vez recebera. Lá dentro, dois postais: um para o rapaz e outro para Miranda.

E é então que um rinoceronte entra na sua vida e nos seus sonhos, com a ajuda do tio Tristão. Um bom contador de histórias e hábil na conquista do miúdo para o conhecimento da história de Portugal e do mundo.

Estreia de Alexandra Lucas Coelho nos livros para a infância, Orlando e o Rinoceronte dá início a uma série que remete para os Descobrimentos e para um passado português com que nem sempre é fácil lidar. “O que vamos fazer com o passado muda as coisas, muda o presente e muda o futuro. É importante saber que Portugal foi a maior potência esclavagista, isso faz parte da nossa história”, disse a autora à agência Lusa antes do lançamento do livro, que ocorreu no dia 14 de Outubro no Teatro D. Maria II, em Lisboa.

A escritora, ex-jornalista do PÚBLICO, disse também que pretende que as suas histórias tenham que ver “com a vida, com a família, com o passado, com questões de género, tanta coisa que pode ainda ser contada para crianças”.

Na vida de Orlando, o maior problema é a miúda de sete anos que vive no prédio da mãe: “Pior do que a tabuada do 8, só a Cláudia. A vizinha de baixo, muito mais nova, acaba de fazer sete anos, enquanto Orlando já fez oito. Devia olhar para as crianças da idade dela, mas não. Passa o tempo a persegui-lo nas semanas que ele cá dorme.”

No próximo título, talvez o rapaz não se consiga ainda livrar dela. Está previsto acompanhar o pai até à Guiné-Bissau, mas a mãe de Cláudia também é música e é provável que viajem todos juntos.

Alexandra Lucas Coelho inspirou-se na história do rinoceronte oferecido em 1514 a Afonso de Albuquerque, vice-rei da Índia, que não pôde ficar em Lisboa e naufragou a caminho de Roma. (Também Gilda Nunes Barata convoca este episódio em Rinoceronte e Uma Gaivota na Torre de Belém / Uma Visita à Torre de Belém, com ilustração de Danuta Wojciechowska e Joana Paz.)

A autora, que optou por apenas mostrar a imagem do rinoceronte no final, estreia-se também a ilustrar, recorrendo sobretudo a recortes e colagens. À semelhança do protagonista, parece ainda ter receio de desenhar. Tal como nas palavras, nada a temer.

Orlando e o Rinoceronte
Texto e ilustração: Alexandra Lucas Coelho
Paginação e arranjo gráfico da capa: Teresa Coelho
Edição: Alfaguara
120 págs., 14,90€

(Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 28 de Outubro.)

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A página completa foi esta, com as habituais sugestões do Guia do Lazer.

O sábio não é sempre o mais forte e poderoso

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Quando não procuras, encontras.” Este é o primeiro de 15 ensinamentos taoistas reunidos neste livro, que na contracapa traz um bom resumo do seu propósito: “Como iniciar as crianças na filosofia do taoismo?”

“Através de fragmentos seleccionados do Livro do Tao que falam sobre rios, casas, copos ou árvores, descobrirão que o sábio não é sempre o mais forte e poderoso, mas antes um barqueiro que sabe aproveitar as correntes do rio, alguém leve e flexível como um bambu, que faz sem fazer e ensina sem querer, que avança sem seguir caminhos nem pegadas e nunca se perde.”

O autor do texto, Manel Ollé, nasceu em Barcelona em 1962 e estudou Literatura Catalã. No site da editora conta que se interessou pelo Livro de Tao por “casualidade”: “À saída de um concerto de música cubana, um amigo disse-me que estava a estudar chinês na Escola de Línguas e que o professor Ding era muito bom. Desde que comecei a aprender chinês, já não consegui parar.”

Agora, é professor de História e Cultura Chinesas na universidade. Lembra ainda que o seu interesse pela cultura chinesa se deveu “a um livro de poemas chineses antigos (onde havia um sobre a emoção de um músico que deixa o alaúde em cima da mesa e ouve como o vento faz soar as cordas, e a música surge sozinha)”.

Esta atitude contemplativa e de respeito pela natureza e também pelos outros atravessa todo o livro, baseado nos ensinamentos do velho e sábio Laozi, também conhecido como Lao-Tsé. “A lenda diz que era bibliotecário. Vivia no anonimato na China há mais de dois mil anos”, pode ler-se no Guia de Leitura no final da obra.

As ilustrações que acompanham os fragmentos são de grande sensibilidade e delicadeza. Diz a ilustradora, Neus Caamaño, também catalã, que cresceu “rodeada de lápis, papéis, tesouras, tintas, pincéis”. Diz ainda que, depois de estudar Belas-Artes, descobriu a ilustração e de que o que mais gosta é “do álbum ilustrado: pensar, procurar, experimentar ideias e imagens, recortar e colar, apagar e começar outra vez”.

Terá sido assim que criou para nós estas ilustrações tão bonitas.

Tao — Fragmentos do antigo caminho chinês do mestre Laozi
Texto: Manel Ollé
Tradução: Inês Castel-Branco
Ilustração: Neus Caamaño
Edição: Fragmenta Editorial
40 págs., 13,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 21 de Outubro, na página Crianças.)

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Página completa com as habituais sugestões do Guia do Lazer para actividades em família.

Invenções antigas que nos ajudam hoje

Genial

Integrada na colecção Saber para Todos, este volume (são quatro no total) trata de nos recordar como foram inventados objectos e criadas utilidades que há muito fazem parte do nosso quotidiano e que resolvem muitas das nossas necessidades.

Na divulgação, a editora escreve: “As maiores invenções de todos os tempos e os génios a quem se devem. Da criação da Web por Tim Berners-Lee aos projectos de Leonardo da Vinci, [venha] conhecer os pioneiros e as grandes invenções na comunicação, nos transportes e na exploração do espaço.”

É possível aqui recuar ao tempo dos primeiros telefones, televisões e automóveis, mas também aos velhinhos fonógrafos.

Sr. Watson, venha cá, quero falar consigo.” Estas foram as primeiras palavras ouvidas claramente num telefone, ditas por Alexander Graham Bell. A legenda que acompanha a imagem de um dos primeiros telefones que usou, em 1877, é a seguinte: “Bell utilizou este telefone para fazer a demonstração do seu invento perante a rainha Vitória em Inglaterra.” Muito longe ainda dos hoje vulgares… smartphones.

As imagens antigas do livro têm um registo muito diferente do que as crianças estão habituadas, pelo que é um bom exercício de “educação visual” – pelas cores, formas e técnicas de reprodução.

Explorar  Uau Eureca

Explorar! As Viagens mais Perigosas de Todos os Tempos; Uau! Os Artistas mais Admiráveis de Todos os Tempos e Eureca! As Descobertas Científicas mais Empolgantes de Todos os Tempos são os títulos dos restantes volumes. Cultura geral para toda a família.

Genial! As Invenções mais Espantosas de Todos os Tempos
Texto: Deborah Kespert
Consultoria: Jane Insley
Tradução: Isabel Araújo
Revisão: Anabela Macedo
Grafismo: Karen Wilks
Ilustração e fotos: Vários
Edição: Círculo de Leitores
98 págs., 19,99€

(Texto divulgado na edição do Público de 14 de Outubro, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Pensar o pensamento

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Uma visita especial a um museu especial é o convite que este livro faz aos leitores. Mais ou menos jovens, todos podem entrar, assistir, participar. Convém no entanto que os que nasceram há menos tempo sejam levados pela mão e pela voz dos que chegaram antes. Só há uma condição indispensável para desfrutar das palavras do guia Miguel: estar disponível para pensar.

Já alguma vez pensaram onde vão parar os pensamentos depois de passarem pela vossa cabeça? O que é que lhes acontece? Nunca pensaram nisso? Nunca mesmo? Nunca tiveram assim um pensamento tão grande, tão pesado, que vos fizesse doer a cabeça? Nunca tiveram assim um pensamento tão bonito ou divertido que vos deixasse feliz sem ter de acontecer mais nada?”

Esta torrente de perguntas segue-se a uma breve apresentação e descrição do senhor Miguel: “O Miguel é este senhor muito bem vestido. Traz um daqueles fatos que usam os adultos em reuniões de negócios, casamentos, funerais, ou sempre que querem ser tomados por pessoas sérias. Tem mesmo muito gel no cabelo penteado para trás. (…)” É este o tom.

Vários desafios são então propostos pelo guia do museu: pensar em/por imagens; não pensar em nada; treinar a memória e a imaginação; pensar numa coisa impossível de ser pensada, entre outros.

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Pelo caminho, tropeça-se em muitos chapéus, de diferentes épocas, e em frases como “a boca é uma máquina de emitir opiniões” ou “pensar é: uma orquestra que toca dentro de nós, mesmo a meio da noite, quando toda a gente foi dormir, e reina o silêncio”. Sempre com o objectivo de “pensar o pensamento”.

Este livro nasceu na chapelaria Azevedo Rua (no Rossio, em Lisboa), que funcionou como palco da edição de 2014 do Festival do Teatro das Compras.

A autora conta tudo, no final, sob o título Quando este livro foi teatro: “Na primeira vez que entrei na chapelaria Azevedo Rua, fiquei muito impressionada. O meu olhar navegou pelas estantes que cobrem as paredes até ao tecto, repletas de cartolas, gorros, chapéus de toureiro… Imaginem, tantas cabeças! Só conseguia pensar em todas as pessoas que por ali passaram ao longo dos cento e vinte e oito anos que a loja completava naquele ano. Imaginava-as a saírem dali, de volta para as suas vidas, com os seus lindos chapéus e, de imediato, a pergunta surgiu-me: em que pensariam?

Uma obra original, escrita num tom coloquial e bem-disposto, a que se juntam ilustrações num registo que combina bem com a clareza da linguagem. Não sendo imagens óbvias (à excepção dos múltiplos formatos de chapéus), estimulam a imaginação e a reflexão. Arriscaríamos chamar-lhes “imagens filosóficas”. É que dão que pensar…

O Museu do Pensamento
Texto: Joana Bértholo
Ilustração: Pedro Semeano e Susana Diniz
Edição: Editorial Caminho
80 págs., 16,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 7 Outubro, página Crianças.)

Para conhecer melhor o trabalho de Pedro Semeano, este é o caminho. Para chegar até Susana Diniz, siga-nos. Já Joana Bértholo dá-se a conhecer aqui.

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Aqui fica a página completa que foi publicada, com sugestões de actividades em família. Mais informações no Guia do Lazer.

Um grande lambuzão

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Um livro bilingue (português e inglês), bem-humorado e com imagens dinâmicas, de diferentes escalas e perspectivas.

Fala de um comilão e de como o exagero nessa prática de tudo engolir pode levar a uma grande má disposição. Tem uma moral, mas sabe dá-la. Sem acusações ou castigos.

Quem vem lá pela estrada fora?”, pergunta-se logo à entrada, enquanto se vê (e escuta) uns pés a chinelar (“schlep, schlep, slap, slap”). Fica depois a saber-se que “só pode ser o… Billy Bolly”.

Mais perguntas se seguirão, sem cerimónia com as palavras: “Porque esfrega ele a pança? (Bolly pançudo).” “Porque lambe ele os beiços? (Bolly guloso).” Logo se percebe que o protagonista gosta bem de comidinha e não tem maneiras à mesa.

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“Ketchup”, “pickles”, maionese e mostarda, “tudo misturado a pingar da mesa”, e mais uma série de iguarias (ervilhas, pizas, camarão, milho, pão…) numa grande “confusão pelo chão”. Assim, a rimar.

Depois deste exagerado repasto, Billy Bolly só podia ficar agoniado. No final, chamam-lhe mesmo “lambuzão”.

De uma forma divertida e com cores felizes, o livro permite aprender vocabulário relacionado com a alimentação, quer em português quer em inglês.

O autor, Paul Hardman, é britânico, designer gráfico, ilustrador e professor de Design e Multimédia na Universidade de Coimbra. Estudou Artes Gráficas na Liverpool Art School e fez mestrado em Design Gráfico na Camberwell College of Arts em Londres. No domínio da literatura para a infância, ilustrou em Portugal Palavras Viageiras, com texto de João Pedro Mésseder, também editado pela Xerefé – uma pequena editora cujo nome significa “à nossa”.

O livro pode ser encomendado directamente à Xerefé (xerefeedicoes@gmail.com), ser adquirido no Porto (livraria Gigões e Anantes) ou em Lisboa (Fundação Saramago, livraria da Sociedade Guilherme Cossoul e Leituria). Sem nódoas.

A Almoçarada de Billy Bolly / Billy Bolly’s Big Lunch
Texto e ilustração | Paul Hardman
Edição | Xerefé
24 págs., 8,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 30 de Setembro, página Crianças.)

Para conhecer melhor o trabalho do autor, siga por aqui.

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A página completa, com sugestões de actividades para os mais novos, com destaque para as oficinas Um Ano Inteiro (Casa da Avenida, Setúbal). Mais informação no Guia do Lazer.

Famílias trocadas

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Duas famílias, ambas com quatro filhos, percebem que um deles é muito diferente dos irmãos. A educação que receberam não impediu no entanto (nem permitiu totalmente) que cada um revelasse a sua própria natureza.

A dada altura fica a saber-se que houve uma troca entre um dos elementos de cada agregado. E agora? Devolve-se a criança? Obriga-se a contrariar a sua experiência, convivência ou aceitam-se as características que se impõem?

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Gaston é um cão. Um budolgue que cresceu (amou e foi amado) entre caniches. Antoinette é uma cadela. Uma caniche que cresceu (amou e foi amada) entre buldogues. Não é difícil adivinhar as diferenças entre quem “rosna”  ou simplesmente faz “béu-béu”. Por mais e por muito que quem deles cuide tente o contrário.

A Sra. Caniche sentia orgulho em ensinar os seus filhotes a serem bonitos cachorrinhos. Aprenderam a arte de comer e beber. Sem se babarem!” Ou ainda “aprenderam a desfilar com elegância. Sem correrem pela casa!”. Já para não falar das roupinhas rosa e lilás…

A descoberta (da troca) foi feita num passeio no parque. As mães, crentes em que estariam a seguir o rumo certo, tentaram repor os elementos “estranhos” nas famílias de origem. Enganaram-se. Saíram-se mal e sentiram-se mal. Os filhos/ irmãos, também. Mesmo com um esforço bonito de aceitação.

As famílias optaram então pelo modelo inicial e feliz, passando a conviver com regularidade e aceitando diferenças e semelhanças. Os buldogues acabaram por ensinar aos caniches “a ser menos queridos” e os caniches “ensinaram os buldogues a ser menos brutos”.

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Um livro sobre escolhas entre parecer, fingir, agradar, amar, ser. Tanto quem escreveu como quem ilustrou Gaston já receberam vários prémios de livros infantis. Sempre merecidos pela boa qualidade e grande sensibilidade.

O desfecho (que não é para contar aos miúdos antes de os pôr a ler o livro): “Muitos anos mais tarde, quando se apaixonaram e tiveram cachorrinhos, o Gaston e a Antoinette ensinaram-nos a ser o que bem quisessem.” Haverá melhor lição?

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Texto | Kelly DiPucchio
Tradução | Maria Afonso
Ilustração | Christian Robinson
Edição | Orfeu Negro
40 págs., 14,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 23 de Setembro, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, sempre com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Outro modo de olhar

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O título deste livro, que é uma colectânea, foi retirado do poema Outro modo de olhar, que pertence à obra Rondel de Rimas para Meninos e Meninas. A ilustração que o acompanha está reproduzida [aqui em baixo] e tem assinatura de Ana Lúcia Pinto.

O poema: “Havia em cima do muro da casa uma vaca deitada ao sol, de pernas para o luar,/ um melro depenado, só com uma asa,/ uma girafa com dificuldade em respirar// e um menino muito pequenino a sonhar que nada devia ser assim tão cruel:// para a vaca inventou um tropel. Para o melro, um céu, ainda que de papel,/para a girafa, uma corrente de ar/ e, para o poeta, outro modo de olhar.”

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Cada dois poemas contam com imagens de ilustradores diferentes. Nesta página, mostramos parte da imagem de Fedra Santos  criada para os poemas Bicicleta Como se te Chamasse e também parte da imagem de João Vaz de Carvalho para Amendoeira Diospiro.

Esta selecção reúne textos que João Manuel Ribeiro foi escrevendo e publicando ao longo de dez anos e é da responsabilidade da professora Sara Reis Silva, que no posfácio explica que a antologia se baseia em dez núcleos – infância; amor; avô; casa; bicicleta; animais; flores, frutos e árvores; letras e números; ciência; humor e ironia.

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Diz ainda que espera que a compilação “ofereça uma visão do valor estético dessa obra singular poética que é a de João Manuel Ribeiro”. E acrescenta: “Acima de tudo, como escreve o próprio autor, que esta antologia faça acontecer ‘a junção de dois mistérios: o do poeta que os escreveu e o teu que os vais ler.
Assim seja.

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E para o Poeta Outro Modo de Olhar
Poemas: João Manuel Ribeiro
Selecção e posfácio: Sara Reis da Silva
Ilustração: vários
Edição: Trinta por Uma Linha
34 págs., 12,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 16 de Setembro, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa da edição em papel com destaque para o Festival Literário de Ovar e mais sugestões do Guia do Lazer.

Se quiserem ouvir a voz de João Manuel Ribeiro a ler um dos seus primeiros livros (Improvérbios), sigam-nos.

A alegria de pintar com os dedos

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Um livro que dá a alegria aos miúdos (e aos crescidos ) de poderem pintar com os dedos.

Depois de breves instruções iniciais e alguns alertas, vários cenários e ambientes convidam a criar bichos coloridos de muitas espécies. Não se preocupem porque as tintas são laváveis e não tóxicas.

Comecemos pelas instruções, que podem ser descritas pelos adultos, caso o miúdo não seja ainda leitor autónomo: “Pressiona o teu dedo numa das almofadas de tinta algumas vezes para teres a certeza de que ele está bem coberto de tinta antes de o usares no livro.” As almofadas de tinta estão ao lado das páginas e têm as sete cores do arco-íris.

Explica-se também que, de cada vez que se quiser mudar de cor, há que limpar os dedos com um toalhete de papel, para não misturar os tons. E adverte-se ainda: “Quando tiveres acabado o teu desenho, lava as mãos com água e sabão para ficares sem manchas de tinta.” Por fim, diz-se ainda “tenta não sujar a roupa com tinta e não metas os dedos na boca – as tintas não sabem bem”.

Há ainda dicas para que a criança recorra a vários dedos e assim obtenha diferentes formas e também para que use a ponta do dedo de modo a conseguir “uma impressão digital redonda”.

Depois, é deixar a criança divertir-se, criar, esborratar e treinar alegremente a sua sensibilidade táctil, assim como a percepção de várias texturas. Neste exercício criativo, vai descobrindo muitas espécies animais. Ouriços-cacheiros, coalas, caracóis, gatos, joaninhas, abelhas, pintainhos, pavões e outras aves fazem parte das sugestões de pintura que vão aparecendo a cada página. Sempre enquadradas nos múltiplos e complexos habitats dos animais retratados.

Pintar com os Dedos – Animais decerto proporcionará momentos divertidos em família. Bom para brincadeiras durante as férias.

Pintar com os Dedos – Animais
Texto e ilustração | Vários autores
Edição | Jacarandá
64 págs., 13,90€

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(Página divulgada na edição do Público de 24 de Junho. Estamos atrasados… mas ficou bonita, não ficou?)