Mão Verde, um livro para cantar

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Porque hoje [1 de Outubro] é Dia Mundial da Música, trazemos um livro (também) para cantar.

Comecemos pelo fim, reproduzindo o registo nas últimas páginas deste livro e disco (ou “lisco” e “divro”, brincando como os autores) com as simpáticas e verdadeiras palavras: “As árvores quando morrem viram livros e os livros guardam histórias e a memória dos antigos. Das folhas das árvores para as folhas dos livros, passa a poesia que nos ensina a ser livres!

Vamos agora ao princípio: Mão Verde resultou de uma encomenda do Teatro São Luiz, em Lisboa, e começou por ser um espectáculo para o espaço Mais Novos, que se realizou em Dezembro de 2015. Resultou. Entre essa data e a de hoje, houve algumas apresentações em jardins e outros espaços. Mas foi ontem, último dia de Setembro de 2016, que Mão Verde chegou às livrarias.

Um conjunto de lengalengas e textos ecologistas transformados em canções, com o propósito claro de que as crianças se interessem pela Terra e por todos os seres vivos. Pede-se ainda que os respeitem e façam por cuidar deles. Um livro didáctico, portanto. “Compra só o essencial, evita o desperdício e reduz o número de embalagens. (…) Consome menos carne, compra produtos da época, produzidos localmente e de preferência de agricultura biológica. Prefere os transportes públicos, as caminhadas e as bicicletas.”

Mas Mão Verde assume não gostar de moral: “Na fábula não moralista, a moral da história é que, nas histórias de amor, o amor é sempre mais importante que a moral.” Entre rap, hip hop, rock e referências explícitas a Tom Jobim e Chico Buarque (na prosa e na música), a audição do CD faz-se com interesse, alegria e empatia entre crianças e adultos.

Aplauso para a exploração do mistério sobre a cor das rosas: “De que cor é a rosa? A rosa é cor-de-rosa. Não, qual é a cor da rosa? A cor da rosa é cor-de-rosa! Se a rosa for vermelha, não é rosa? É rosa! Então posso dizer que o vermelho é cor de rosa!” Nesta e em algumas outras canções há um convite menos comprometido, menos ideológico, menos didáctico e com menos moral… que resulta infinitamente melhor junto do público mais jovem ou menos jovem.

O tema que dá título ao livro-disco e que decorre da expressão francesa “avoir la main verte” (ter jeito para plantas e talento para jardinagem) começa assim: “Sou jardineiro e tudo à minha volta é um jardim. Eu tomo conta das plantas e elas, conta de mim.” E repete-se o refrão, com muitas exclamações: “Mão Verde! Dever de ser verde! De ver o ser vivo viver e ser livre!”

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As ilustrações de Maria Herreros, numa mistura de ilustração científica competente com a criação de ambientes naturais coloridos, expressivos e criativos, valorizam bastante o livro (a ilustração que reproduzimos acima representa a Primavera e o Verão). Resumindo, um “lisco” e “divro” que vale muito a pena.

Lamentamos apenas que, entre o amor pela terra, pelo verde e pelas palavras, não saibam escrever “brócolos”.

Mão Verde
Texto e voz: Capicua
Música: Pedro Geraldes
Ilustração: Maria Herreros
Gravação: Zé Nando Pimenta
Edição: Valentim de Carvalho
62 págs.+CD áudio, 14,99€

(Texto divulgado na edição do Público de 1 de Outubro, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa. Mais informação no Guia do Lazer.

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