Histórias por todo o lado

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Já que se assinala hoje (2 de Abril) o aniversário do nascimento de Hans Christian Andersen, a página Crianças deste sábado, no Público, foi totalmente dedicada à leitura. Por todo o país, bibliotecas, livrarias e outros espaços de cultura convidaram autores e mediadores a ler para as crianças. Que bom! Também tivemos mais espaço para escrever sobre o livro escolhido para esta semana. Que bom!

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Porque Hans Christian Andersen nasceu neste dia há 211 anos, trazemos aqui um livro que traz o seu nome no título. Segundo informação retirada da editora que o divulgou, “o menino Andersen era um grande inventor e não andava nada satisfeito com as definições de palavras que lia no dicionário. Por isso decidiu começar a escrever um dicionário novo, um dicionário que entusiasmasse os seus amigos”.

Quem o substituiu nessa redacção foi Gonçalo M. Tavares, que escolheu repensar, por exemplo, a definição de “mapa”: “O mapa é um papel que impede que olhes para as coisas. Um mapa da cidade de Veneza esconde-te a cidade de Veneza. Visitares uma cidade, sempre com o mapa à frente, é como colocares uma venda nos teus próprios olhos.”

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O autor de O Dicionário do Menino Andersen pretende ajudar as pessoas a perceber “que as palavras têm vários entendimentos”, como disse na altura do lançamento do livro durante o encontro em Lisboa O Que Um Livro Pode, no final de 2015. Disse ainda que não lhe agrada que a linguagem se transforme numa mera funcionalidade.

“Infelizmente, na passagem do infantil para o adulto, a utilização da linguagem é muitas vezes uma passagem de uma utilização lúdica, por vezes absurda, sem sentido nenhum,  para uma mera utilização funcional da palavra. Ganhamos funcionalidade e perdemos imaginário. Este dicionário tenta recuperar um pouco essa perda.

Parece ter conseguido. Até porque teve a ajuda da talentosa ilustradora Madalena Matoso, que a cada definição soube acrescentar sentidos e leituras. Optando por desenhar mecanismos tipo geringonças e caranguejolas… para ilustrar os vários vocábulos descritos, foi mais além do que escrevera o menino Andersen.

O resultado, segundo M. Tavares, foi “uma confusão lúdica” e um “livro essencialmente visual”, onde em cada imagem “há uma espécie de passo à frente”. É mesmo isso.

Mais uma nova definição deliciosa para “cadeira”: “É o sítio onde as crianças descansam depois de desarrumar a casa toda. A cadeira também pode ser o sítio onde as crianças ganham forças para, a seguir, desarrumar a casa toda.” De preferência, depois de lerem um conto de Hans Christian Andersen.

O Dicionário do Menino Andersen
Texto: Gonçalo M. Tavares
Ilustração: Madalena Matoso
Edição: Planeta Tangerina
32 págs., 13,90€

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