Todos os sótãos têm um papão

CapaLivroPág.Crianças10Out

Quem convive com crianças (pode ser com apenas uma) sabe não haver forma de escapar diariamente a dezenas de perguntas. Umas poéticas, outras nem tanto.

Em Não Acordem os Pardais, a pequena Rita, que tem cabelos azuis e adora arroz-doce, faz sempre as mesmas perguntas quando não quer comer a sopa: “Onde mora o papão?”, “onde dormem os pardais?”, “para onde vão os sonhos depois de os sonharmos?” Os pais dão sempre a mesma resposta: “O papão dorme no sótão, junto com os pardais e os sonhos que já não servem para nada.” E divertem-se a convencê-la a comer a sopa em troca da sobremesa mais desejada. (Quem nunca fez chantagens semelhantes com os miúdos?)

A menina há-de engolir os legumes e conseguir entrar no sótão. Aí encontrará tudo o que os pais diziam lá estar — e mais ainda. Um livro delicado e feliz. A maior parte das ilustrações são envolventes, dinâmicas e bonitas, como a da capa. No entanto, quando “se chega ao papão”, estranha-se a mudança de registo, como se a obra não fosse a mesma ou houvesse outra pessoa a desenhá-la.

Autor e ilustradora vão estar hoje (10 de Outubro) na Fnac do Chiado, em Lisboa, às 16h30. Afonso Cruz fará a apresentação de Não Acordem os Pardais. Se os acordarem, serão bem capazes de se pôr a dançar.

Não Acordem os Pardais
Texto: Nuno Camarneiro
Ilustração: Rosário Pinheiro
Edição: Publicações Dom Quixote
56 págs., 13,95€

(Texto divulgado na edição do Público de 10 de Outubro, na página Crianças.)

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Lá dentro, há imagens assim. (Estas foram retiradas da página de Facebook da Dom Quixote.)

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