Ana de Castro Osório votou na literatura

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Houve um tempo em que nenhuma mulher da tua família podia votar. Apenas por ser mulher. Mãe, avó, tia, irmã, sobrinha, prima, não importava. Mesmo que fossem muito inteligentes, mesmo que tivessem lido 100 ou 200 livros (o que seria imenso!), mesmo que soubessem dizer a tabuada de trás para a frente ou o nome de todos os rios e afluentes da Ásia (o que seria incrível!), tinham contra si uma série de leis que as julgavam como inferiores aos homens.”

Assim começa este livro que retrata a biografia de Ana de Castro Osório (1872-1935), da colecção Grandes Vidas Portuguesas. Antes, é-nos apresentada Carolina Beatriz Ângelo, “a primeira médica cirurgiã em Portugal” e “a primeira mulher a votar, tanto em Portugal, como no sul da Europa”.

Em véspera de eleições, talvez seja boa ideia explicar às crianças a importância de um acto durante muito tempo vedado a grande parte da população. Mas falar de Ana de Castro Osório é falar de literatura infantil, já que a esta dedicou “uma parte fundamental da sua vida”, tendo sido também “uma das primeiras pessoas a encarar a escrita para crianças com o mesmo empenho que reservava aos assuntos ditos ‘sérios’, como a política”.

Um livro de fácil leitura, sem deixar de estimular o sentido crítico. A capa não revela a criatividade das ilustrações que se podem encontrar no interior da obra.

Ana de Castro Osório – A Mulher Que Votou na Literatura
Texto: Carla Maia de Almeida
Ilustração: Marta Monteiro
Edição: Pato Lógico/Imprensa Nacional-Casa da Moeda
48 págs., 11€

(Texto divulgado na edição do Público de 3 de Outubro, pág. Crianças.)

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