Logo na capa, informa-se: “Uma história sobre a arte de bater palmas em situações alegres ou tristes.” E é verdade. Aqui se conta como a Senhora Clap investiga todos os tipos de aplauso. A sua fama advém de bater palmas “mesmo muito bem”, “num encaixe, ritmo e som absolutamente perfeitos”, e por abrir muito os olhos quando aplaude: “Tanto, tanto, que se vê tudo dentro dela, até ficar totalmente transparente do lado esquerdo.”
A especialista em Aplausologia vai registando pensamentos nos cadernos que sempre a acompanham, uns são conselhos – “só devemos bater palmas quando nos apetece”, “não devemos ter receio de bater palmas mesmo quando somos os únicos a fazê-lo”, “nunca obedecer a tabuletas que dizem ‘aplaudir’” – outros são reflexões – “uma sala enorme cheia de palmas é como um abraço gigante, quente e reconfortante”, “as palmas de uma pessoa que nos ama valem pelas de uma plateia”.
Um livro terno e imaginativo, onde se vislumbra a vontade de transmitir valores positivos da vida em sociedade. Alexandre Esgaio ajuda a tornar alegre um livro já de si feliz, mas preferíamos que tivesse explorado apenas um registo e não vários. O livro será apresentado hoje em Leiria, na livraria Arquivo, às 18h, pelo escritor Paulo Kellerman. Uma oportunidade de baterem palmas (ao vivo) aos autores. Mas só valem os aplausos sinceros: “Clap, clap, clap.”
A Senhora Clap e o Mundo na Palma das Mãos
Texto: Marta Duque Vaz
Ilustração: Alexandre Esgaio
Edição: Planeta
64 págs., 12,90€
(Texto divulgado na edição do Público de 27 de Junho, na página Crianças.)
Lá dentro, há imagens assim. O ilustrador, Alexandre Esgaio, “mora” aqui.
Para conhecer a página de Facebook da Senhora Clap, siga-nos. Poderá contribuir com testemunhos seus para o Tratado sobre a Arte de Bater Palmas em Situações Alegres e Tristes.