Poesia, sempre

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Poesia para Todo o Ano
Selecção e prefácio: Luísa Ducla Soares
Consultora pedagógica: Rosa Maria F. Silva
Texto e ilustrações: Vários
Edição: Porto Editora
144 págs.,  14,90€

“A poesia é anterior à própria escrita e nela a humanidade se exprimiu, desde tempos muito antigos, vindo depois a fixar em verso algumas das suas mais belas obras. Também para a criança a poesia é iniciática. Encanta-a a magia da palavra poética das rimas infantis mesmo antes de saber falar.”

É assim que Luísa Ducla Soares começa o seu prefácio a esta colectânea de poemas de autores portugueses, pensada para alunos do 1.º ciclo do ensino básico. Mas pode muito bem (e deve) ser lida fora da escola. A organização de Poesia para Todo o Ano é temática e a cada tema corresponde um ilustrador: poemas feitos de sons, letras e palavras; poemas simplesmente matemáticos; poemas para um corpo saudável e seguro; de valores e sentimentos; sobre nós e os outros; poemas de trazer por casa; para dias especiais; de tempos idos; da Terra e do Universo; da terra e do mar; dos seres vivos e, por último, poemas à volta de ideias e seres nunca vistos.

Há dois graus de dificuldade, assinalados com duas cores diferentes, isto para ajudar professores e educadores a adequar a escolha de leitura à maturidade da criança. A fechar a colectânea, o delicioso poema Coisas que não há que há, de Manuel António Pina. Um bom livro.

(Texto divulgado na edição do Público de 6 de Julho, na página Crianças.)

Deixamos aqui o poema de Manuel António Pina que encerra a colectânea.

 

Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste

é que não exista o que não existe.

(Se é que não existe, e isto é que existe!)

Há tantas coisas bonitas que não há:

coisas que não há, gente que não há,

bichos que já houve e já não há,

livros por ler, coisas por ver,

feitos desfeitos, outros feitos por fazer,

pessoas tão boas ainda por nascer

e outras que morreram há tanto tempo!

Tantas lembranças de que não me lembro,

sítios que não sei, invenções que não invento,

gente de vidro e de vento, países por achar,

paisagens, plantas, jardins de ar,

tudo o que eu nem posso imaginar

porque se o imaginasse já existia

embora num sítio onde só eu ia…

(Adorável.)

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