Alice (Vieira) a falar de Mário (Castrim)

Foi numa conversa a propósito dos 30 anos de livros da autora, num trabalho divulgado no Público a 16 de Dezembro de 2009. Fomos recuperá-la por hoje ser um dia especial. (Como mostrámos na mensagem/post anterior.)

Há 30 anos que escreve livros. Mas foi há mais tempo que Alice Vieira enviou o primeiro texto para um jornal. Não o publicaram. Tinha 14 anos e recebeu uma carta do “Diário de Lisboa” a pedir que não desistisse. Assinatura: Mário Castrim. Tentou uma e outra vez e viu muitos textos serem impressos. Casou com ele, o remetente.

Uma paixão de 40 anos. “Mas paixão mesmo“, diz Alice quando fala do jornalista e escritor. Tinham 23 anos de diferença de idades e só se conheceram “ao vivo” depois de muitos telefonemas e cartas, quando a escritora foi trabalhar, como jornalista, para o “Diário de Lisboa”. Pouco depois, iria para o Diário Popular. “As pessoas, quando têm um relacionamento, não devem trabalhar no mesmo sítio. Seja marido e mulher, pai e filho. Por isso, atravessei a rua e fui para o Diário Popular.” Seguiu-se o Record e o Diário de Notícias.

Castrim foi a pessoa mais importante da sua vida. Toda a gente a desaconselhou a viver com ele, pela diferença de idades e pelos problemas de saúde que lhe adivinhavam. “Vais ser a enfermeira toda a vida”, diziam-lhe. “Afinal”, conta, “quando tive o “cancro da praxe” e fui operada, ele é que foi o meu enfermeiro. A quimioterapia custou-me muito. Há 20 anos, os produtos eram mais agressivos e eu vomitava bastante. Ele obrigava-me a ir imediatamente para o jornal trabalhar. Acho que nem estive um mês de baixa. E ainda bem que me obrigou. Se não fosse isso, eu podia ter ido abaixo. Assim, tinha mais que fazer do que estar infeliz.”

E recorda como sempre a estimulou a escrever, nunca deixando de ser muito crítico. “Não tenho dúvida de que aquilo que sou, aquilo que faço, aquilo que escrevo, foi muito obra dele. Sinto, no entanto, algum remorso por ele se ter afastado da escrita por minha causa. Para eu poder fazer a vida que fiz, ele não publicou tanto como devia. Escrever escrevia (tenho muitos inéditos), mas não publicava.”

E repete várias vezes: “Tive sorte, tive sorte”. E ele? “Acho que sim. Ele também teve.”

Se quiser ler mais,  siga-nos. Ou espreite aqui em baixo. 

Alice pdf

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Também pode ver/escutar o vídeo de uma conversa mais recente (Maio de 2011), quando lançou O Livro da Avó Alice (e fala do Avô Mário). Venha. 

 

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