Pessoa (menino) no Trindade

Cá está de novo o destaque escolhido por Helena Melo para a página Crianças do Público de hoje. Porque é sábado. (Agasalhe a famíla e vá ao teatro.)

Depois da estreia em Outubro de 2009, Havia Um Menino que Era Pessoa regressa ao Teatro da Trindade para nova temporada. Um espectáculo interactivo e de câmara (lotação máxima de 50 espectadores), a partir do livro O melhor do mundo são as crianças (título de um verso de um poema de Fernando Pessoa), no qual Manuela Nogueira, sobrinha do poeta, dá a conhecer poemas que Pessoa escreveu para os seus sobrinhos. Encenação de Lucinda Loureiro, interpretação de José Figueiredo Martins. Maiores de 6.

Lisboa Teatro da Trindade (Largo da Trindade, 7).
Tel.: 213420000. Sáb. às 15h. Sessões para escolas durante a semana às 11h. Até 27 de Março. Bilhetes a 5 euros

O nosso contributo para a página Crianças vem já a seguir.

“Na noite em que Max vestiu o seu fato de lobo e começou a fazer travessuras a torto e a direito, a mãe chamou-lhe: – Monstro! E Max respondeu-lhe: – Vou-te Comer!” O resultado foi que a mãe o mandou para a cama de castigo. E sem jantar. Se fez bem ou mal, cada um julgará, mas não restam dúvidas de que daí nasceu uma bela história ilustrada. Maurice Sendak é o responsável pelo sucesso desta obra, criada em 1963, mas vista já como um “clássico”. O texto é curto e claro, mas provocou inquietação suficiente para que o autor tivesse de se bater por que a edição original mantivesse as palavras que escolheu. Alguns adultos especializados em educação assustaram-se com a obra. Uma leitura mais atenta obrigá-los-ia a reconhecer e a ultrapassar os seus próprios medos. É o que acaba por fazer o protagonista. Depois de conviver com os monstros, Max escolhe voltar a casa e saborear uma bela sopa quente. O título, pouco feliz, do filme baseado no livro é O Sítio das Coisas Selvagens. Está nas salas de cinema portuguesas desde quinta-feira. Buuu!

Onde Vivem os Monstros
Autor e ilustrador Maurice Sendak
Tradutor Elisabete Ramos
Editor Kalandraka
50 págs., 14 euros

Um livro para quem vê e para quem não vê. Alguém vai contando como o Tomás descreve as cores. Eis o vermelho: “É ácido como um morango e doce como uma melancia, mas dói quando aparece no joelho arranhado.” E o preto: “É o rei das cores. É suave como a seda quando a mãe o abraça e o envolve com o seu cabelo.” Preta é a cor dominante da obra, apenas as palavras se escrevem a branco. As ilustrações são em relevo (verniz negro) para que se sinta através do tacto cada uma das cores descritas. Desenhos elegantes e delicados. Nas páginas ímpares, na parte superior, reproduz-se o texto em Braille. Tudo isto proporciona uma leitura única, a desafiar os sentidos. Esse foi um dos motivos por que O Livro Negro das Cores recebeu o Prémio Novos Horizontes na Feira de Bolonha 2007. Nunca se fala em cegueira. Fica a saber-se que “o Tomás gosta de todas as cores porque as ouve, cheira, toca e saboreia”. As ilustrações estão no Children’s Museum of the Arts, em Nova Iorque.

O Livro Negro das Cores
Autor Menena Cottin
Tradutor: Miguel Gouveia
Ilustrador Rosana Faría
Editor Bruaá Editora
32 págs., 19,5 euros

Letra pequena já o tinha dado a conhecer, mas ainda não estava traduzido para português. Foi aqui. Mas o melhor é seguir até ao blogue da editora Bruaá, lá pode encontrar mais informação e os depoimentos das autoras, que são venezuelanas. Entre e saboreie.

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