Imagine um mundo sem novos livros


Ou um mundo sem novas histórias (já que o suporte de fixação da palavra cada vez vai pesando menos). É aflitivo, não é? Pois foi isso que Margarida Botelho imaginou no seu As Cozinheiras de Livros (Editorial Presença).

“Era assim que, nos últimos tempos, começava o dia na biblioteca. Todas as manhãs, às dez horas, uma fila de pessoas impacientes amontoava-se junto ao balcão das informações, perguntando, reclamando, exigindo livros (…)”

“A única certeza era [a de] que não havia livros novos há mais de dois meses. A maioria das pessoas já tinha lido todos os livros de que dispunha; por isso, quando alguém requisitava um livro novo, não queria desfazer-se dele e ‘esquecia-se’ de o devolver. A biblioteca ia assim ficando cada vez mais vazia…”

 

Mostra-se aqui a capa e contracapa do livro que conta esta história, ilustrada com as esculturas da autora, feitas quase exclusivamente com materiais usados na cozinha: funis, panelas, frigideiras, coadores. E com talento. As Cozinheiras de Livros venceu o Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2008 (modalidade Literatura Infantil).

Letra pequena online prefere os objectos de Margarida Botelho às figuras humanas, pelo que teria escolhido outra imagem para a capa.

Na história, serão as cozinheiras de livros que irão ajudar a preencher de novo as prateleiras da biblioteca, mas para isso precisarão da ajuda dos leitores. Cada um deles terá de escolher o livro de que mais gostou e semeá-lo na horta das letras.

Já que é de cozinha que se trata, pode dizer-se que é um livro saboroso. Quem não gostar terá, felizmente, muitos outros para provar.

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