Agustina para menores de 18

Capa Dentes de Rato

Este texto de Agustina Bessa-Luís, com ilustrações da sua filha, Mónica Baldaque, foi escrito em 1983 e já teve várias edições. A que aqui se divulga data de 2010. É uma “quase autobiografia” da escritora, que fala pela voz de Lourença, uma criança que “o que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir. Mas não dormia. Fechava os olhos e acontecia-lhe então uma aventura bonita, e conhecia gente maravilhosa”.

Chamavam-lhe “Dentes de Rato” porque “os dentes dela eram pequenos e finos, e pela mania que ela tinha de morder a fruta que estava na fruteira e deixar lá os dentes marcados”. Não tinha o comportamento esperado para uma menina.

Criancas 08 JUN C

Logo no arranque se reconhece a rebeldia de Agustina. “Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habilidades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um bocado infeliz para aprender, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborrecidas e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível.”

Neste conto, encontramos muitos dos temas ancorados na infância e que explorou nas suas obras para adultos: as constantes mudanças de casa, por causa do trabalho do pai (“uma pessoa um bocado doutro tempo e que falava de coisas completamente desinteressantes”), a ligação à natureza e o seu amor pelo Norte.  Continuar a ler

A magia das mães (de quase todas)

CapaMãeMágica

Homenagear as mães (as que merecem) é o objectivo deste livro, que tem a particularidade feliz de ter sido criado por duas irmãs, Sabrina Moyle e Eunice Moyle. Uma escreve, outra ilustra. Também já assinaram o livro O Meu Pai É Incrível!, o que nos faz continuar a acreditar na importância da família e no seu papel na educação de todos nós.

Juntas, as irmãs lançaram há uma década a Hello! Lucky, uma empresa de design gráfico. Além de livros, editam e publicam postais de aniversário, que são um grande sucesso comercial. A família continua a dar-se bem. Gostamos disso.

Vamos ao livro. Em curtas frases descreve-se as qualidades desta mãe (e de outras): seja no conhecimento (“mais inteligente do que uma turma de corujas”), no afecto (“mais calorosa do que o próprio Verão!” e “mais adorável do que um iaque da montanha!”) ou na magia (“mais mágica do que uma centena de arco-íris”).

Há ainda a parte humorística (“mais divertida do que uma banda de bananas”) e o lado “fixe”, como o que a compara a “uma estrela disco-rock” e em que a vemos cheia de estilo a tocar guitarra eléctrica. Tudo sempre com muito (excessivo?) cor-de-rosa.

Para que se perceba o garrido, quase berrante, das ilustrações do livro, há que ter em conta que as autoras se inspiram na cultura pop asiática, algo psicadélica à luz de outros padrões culturais. O que também as motiva, e que devia ser universal, é o “optimismo, o humor e a bondade”.

No final, a homenagem maior: “Para a nossa mãe, Emily. Mais sábia do que um feiticeiro. Mais destemida do que um tigre. Mais transparente do que uma bola de cristal.” Para terminar em grande: “E agora que somos mães, percebemos o quão mágica ela é!” Pois.

A Minha Mãe É Mágica!
Texto: Sabrina Moyle
Ilustração: Eunice Moyle
Edição: Booksmile
32 págs., 12,69€

(Texto divulgado na página Crianças do Público, edição de 4 de Maio de 2019.)

PáginaCriançasDia da Mãe

Aqui fica a página completa, com as sugestões do Guia do Lazer e com destaque para a I Edição do Onomatopeia — Festival de Literatura Infanto-Juvenil de Valongo.

O desconserto e a euforia do amor

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Resumo na contracapa: “Metade deste livro fala de amor e a outra metade também. A meia voz, a meia luz, sem meias palavras nem meios termos, um menino faz a sua primeira declaração de amor.” Para se perguntar depois: “Quem nunca esteve apaixonado? Quem nunca acordou meio estremunhado, a meio de uma frase, e teve vontade de correr meio mundo pela sua cara-metade?”

Está dado o tom feliz do que se passa lá (e cá) dentro. Um jogo eficaz de palavras, que são lançadas num ritmo acelerado, como um coração apaixonado que palpita a grande velocidade. Ora escutem: “Passei a manhã a meio gás. Meia carcaça numa bochecha, meio copo de leite na outra, perdido, meio cá, meio lá, pois nada em mim queria saber do mundo, quanto mais de carcaças ou de leite (só de ti).”

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Também as ilustrações funcionam como peças que procuram encaixar-se, algumas até trazem recados inscritos. [Não é o caso da que trazemos aqui… terão de ver o livro em papel.]

Voltemos ao menino apaixonado: “Metade de mim queria acreditar que sim, a outra metade gritava que não, mas lá fui partido ao meio/ despenteado/ uma meia de cada cor (reparei depois)/ ao teu encontro, eu que há meio século não pensava noutra coisa senão (em ti).”

O encontro lá se deu e a coragem não faltou. Resultado: “… era já perto da meia-noite, mas em mim o sol brilhava como se fosse meio-dia”.

Um livro romântico, sim, mas não piegas e que traduz bem o desconserto e euforia de quem se apaixona. Tenha a idade que tiver.

Metade, Metade
Texto: Isabel Minhós Martins
Ilustração: Madalena Matoso
Edição: Planeta Tangerina
40 págs., 12,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 2 de Março, na página Crianças.)

PáginaMetadeMetade

Aqui fica a página completa, muito bem composta por Sandra Silva com as ilustrações de Madalena Matoso.

A Bruxa Mimi quer dar prendas ao Pai Natal

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Quem já conhece estas personagens trapalhonas, Bruxa Mimi e gato Rogério, não ficará admirado com as suas peripécias. As que aqui se relatam acontecem por alturas do Natal.

Há que admitir que é uma dupla bem-intencionada, mas que torna sempre difícil, complicado e inesperado qualquer acontecimento ou propósito, por mais simples que aparente ser.

Em contagem decrescente para a noite de Natal, a bruxa e o gato disputam a abertura das janelas do calendário do Advento. “— Ei, abriste a porta de ontem! — queixou-se a Mimi. — Hoje é a minha vez. Dá cá isso!

No meio destes desentendimentos divertidos, lembram-se de que o Pai Natal, certamente, também gostaria de receber presentes. Lançam-se então em toda uma empreitada de pedidos de conselhos a adultos e crianças, na construção de prendas, confecção de doces e na invenção de um comboio voador que há-de transformar-se em trenó.

Depois de tudo embrulhado e empilhado, aí vão eles rumo ao polo… Sul. Só irão aperceber-se de que se enganaram no hemisfério quando se virem rodeados de pinguins.

Ainda assim, tiveram de se socorrer do “tabletezinho” do Rogério, o PataTec. Foi através dele que descobriram estar, afinal, na latitude errada. Já se adivinha que irão conseguir chegar ao destino e alegrar o Pai Natal. Pelo meio, haverá foguetes, patinagem no gelo e altos voos.

Mais um livro com a magia especial que só a amizade, a partilha e o humor conseguem.

Mimi e Rogério — Uma Surpresa para o Pai Natal
Texto: Laura Owen
Ilustração: Korky Paul
Tradução: Elisabete Lucas
Edição: Gradiva
128 págs.; 10,50€

Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 22 de Dezembro. Porque é Natal.

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A página completa foi publicada assim (tão gira!). Com duas sugestões de agenda natalícia do Guia do Lazer.

Para conhecer melhor o trabalho de Korky Paul, ponha-se a caminho.

P de Porquê é um programa-podcast da Rádio Miúdos e do PÚBLICO

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A Rádio Miúdos é agora (ainda mais) parceira do PÚBLICO. P de Porquê lança podcasts com notícias descodificadas para os mais novos (e explicadas por eles mesmos). Informação mais completa aqui.

Miudos

Foi assim que tudo começou… em Dezembro de 2016. O ponto de partida foi uma reportagem que fizemos com Vera Moutinho.

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Estamos muito contentes. :)

O Letra pequena já tem dez anos…

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… desde ontem. (Continuamos a actualizar tudo muito devagarinho… Na verdade, gostamos de não ter pressa.)

Tudo começou por sugestão do amigo Sérgio B. Gomes e pelo apoio do amigo Vítor Gaspar, que desenhou o primeiro logótipo e topo do blogue. Obrigada a ambos.

Obrigada também a quem continua aí desse lado. Gostamos que nos visitem.

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Outros separadores que entretanto foram substituídos. (Mas continuamos a gostar deles.)

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Mais materiais gráficos.

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Aqui em baixo, para o Dia da Liberdade (25 de Abril).

Logo LetraPeq 25Abr2014

Para o Natal e Ano Novo.

Boas FestasLP

E chega de nostalgia… :)

 ♫♬♫♬ Parabéns a você ♫♬♫♬

Truz-truz, quem é?

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Já toda a gente disse, escutou e brincou com a expressão “truz-truz, quem é?” Neste livro, cria-se uma espécie de lengalenga em rima, que vai repetindo a pergunta e dando a conhecer quem bate à porta de uma casa.

Tanto pode ser “uma menina pequenina que tem uma meia rota no pé”, como “a gata da vizinha que fugiu pela chaminé”, como “o senhor Inácio que se esqueceu de comprar café”  ou ainda “o Zé que vem da escola, com a bola a pontapé”.

Com capa em formato de porta, Truz-Truz é a primeira obra conjunta do casal de ilustradores Natalina Cóias e Paulo Galindro. Outros títulos bastante conhecidos assinados por um e outro são: O Cuquedo (Paulo Galindro) e Feliz Natal, Lobo Mau (Natalina Cóias), ambos escritos por Clara Cunha.

O casal esteve recentemente em Timor (a convite do Centro Cultural Português em Díli/Instituto Camões e com o apoio da Fundação Oriente) a organizar uma série de oficinas de ilustração em várias escolas, algumas delas de muito difícil acesso.

Com esta missão, a que chamaram “A Odisseia de Paulo e Natalina”, terão conseguido explorar o tema dos direitos humanos com mais de 1500 crianças.

Na próxima terça-feira (dia 23 de Outubro), às 18h, a obra é apresentada pela escritora Luísa Ducla Soares, em Lisboa, na Livraria Almedina Rato (Rua da Escola Politécnica, 225).

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(Foto proveniente do mural de Facebook de Paulo Galindro)

Os originais de Truz-Truz vão estar no encontro Braga em Risco, sendo a exposição inaugurada no dia 3 de Novembro, às 10h, Edifício do Castelo.  No dia seguinte, às 16 horas, os autores vão apresentar o livro e fazer, em separado, duas oficinas de ilustração — Oficinas do Risco. A mostra permanecerá até dia 24 de Novembro.

No final da história, ficamos a saber o que se passou com cada um dos visitantes de uma casa que acolhe todos os vizinhos e amigos. E também alguns animais.

Cosi a meia da menina, com uma linha bem fininha. Entreguei a gata perdida à rabugenta da vizinha.” / “Com uma linda cantilena adormeci o bebé… e aos ratinhos ofereci queijo de ovelha… Méééé!!!” / “À mesa, comemos os doces de amêndoa com café. Varri lá para fora as folhas do sopé… e fui lá para fora jogar à bola com o Zé!”

Natalina Cóias é também educadora de Infância. “O seu mundo e o mundo das crianças é exactamente o mesmo, e é no universo delas que se inspira todos os dias, em tudo o que faz. Da intensidade do contacto diário com estes seres mágicos, pequenos no tamanho mas infinitamente grandes em imaginação e coração nasceram outras paixões: a ilustração e a escrita.”

Paulo Galindro é também arquitecto, “tudo começou aos quatro anos, num bailado de menino pintor em cima de um lençol de papel, ao som das máquinas de impressão da gráfica onde o seu pai António trabalhava”.

Juntos criaram este livro bem-humorado, no texto e nas ilustrações. Como se lê na capa “uma história escrita por Natalina Cóias e pintada, cortada e colada por Paulo Galindro”.

Agora, é a nós que cabe abrir-lhes a porta.

Truz-Truz
Texto: Natalina Cóias
Ilustração: Paulo Galindro
Edição: Minotauro
36 págs., 12,90€

Truz truz

Aqui fica a página Crianças completa, divulgada no Público de dia 20 de Outubro, com destaque de agenda para o Festival Read On.

Para conhecer melhor Paulo Galindro, siga-nos. Para ver as os trabalhos de Natalina Cóias, este é o caminho.

Há diferenças na minha rua. E na tua?

CapaGatoOrquídea

Este livro integra a colecção Na Minha Rua, uma parceria entre a editora Zero a Oito e a RTP (em que se inclui o programa ZigZag).

No lançamento, em Lisboa, foi dito que “é uma colecção pautada por preocupações presentes na sociedade actual e pela luta pela aceitação da diferença e tolerância à diversidade” e que “pretende, com a abordagem de temas difíceis, sensibilizar o público mais novo, fazendo-o conviver com a diferença desde cedo”.

António Mota cumpriu com talento estes pressupostos, ao criar uma história protagonizada por uma menina que vive na ambiguidade de gostar da irmã, mas de também ter momentos em que preferia que ela não existisse. Entre vários motivos, porque têm de partilhar o quarto e porque Sara tem alergia a gatos. Assim, ela, a Catarina, não pode ter um bichano. E até já tinha um nome para lhe dar: Conde.

Eu tinha estes pensamentos quando morávamos na Avenida das Rosas, número 2236, no décimo terceiro esquerdo. Mas não os contava a ninguém. Bem, a Tala era a única que sabia tudo”, confessa a menina. Mas Tala é “apenas” uma boneca. A vida desta família vai mudar e as irmãs serão obrigadas a separar-se temporariamente. Catarina vai ter muitas saudades da mana e até sentirá a falta de a ouvir respirar à noite, “e não me importava de a ouvir tossir”.

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Uma história de emigração, separação e adaptação, contada com sensibilidade.

As ilustrações oferecem um ambiente ternurento e envolvente, misturando com eficácia diferentes registos. Nalgumas páginas, o texto é pouco legível, não só porque surge impresso sobre fundos com padrão, como tem linhas demasiado longas, com muitas palavras, obrigando a uma leitura lenta e pouco confortável.

A colecção já conta com mais dois títulos: Chovem Cães e Gatos (texto de Patrícia Muller e ilustração de Marta Carvalho) e Rua do Silêncio (texto de Margarida Fonseca Santos e ilustração de Carla Nazareth).

Quanto à pequena Catarina, habita agora o n.º 1 da Rua do Castanheiro: “Todas as noites vejo se a orquídea azul da minha mãe está de boa saúde, e depois ponho na sua caminha o gato que a avó me deu. E digo: Durma bem e tenha sonhos bonitos’!” Mas antes, através de um smartphone, “visita” sempre a irmã. E nunca lhe apetece desligar.

O Gato e a Orquídea
Texto: António Mota
Ilustração: Joana Quental
Edição: Zero a Oito
30 págs., 9,99€

Crianças António Mota

Aqui fica a página divulgada na edição do Público de 2 de Junho de 2018. Para conhecer todos os títulos já publicados entretanto na colecção, venha por aqui.

Ilustrarte: olhar para o boneco em Castelo Branco

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As 150 ilustrações seleccionadas entre os trabalhos de 3 mil artistas de 105 países vão continuar expostas no Centro de Cultura Contemporânea. Até dia 7 de Outubro, é tempo de olhar para o boneco. E fruir.

Logo à entrada da exposição, os trabalhos de Yuxing Li, a vencedora da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2018, convidam à preguiça. As imagens ilustram o livro Hoje Estou Livre. Um elogio ao nada fazer e à importância do tempo livre, como explica a ilustradora sino-alemã: “Quis coleccionar momentos confortáveis e de repouso, para criar sentimentos de calma e relaxamento.” Conseguiu.

Podem ler mais aqui.

 

Imagine-se um mundo sem mapas…

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… é uma das propostas deste Atlas das Viagens e dos Exploradores.

Um atlas de capa vistosa que tem um longo e esclarecedor subtítulo: “As viagens de monges, naturalistas e outros viajantes de todos os tempos e lugares”. E é mesmo isso que vamos encontrar lá dentro.

Na contracapa, explica-se: “Há poucos séculos, não conhecíamos os limites do planeta e muitas áreas do mundo continuavam isoladas, sem ligação umas com as outras. Desconhecíamos não apenas as terras e as espécies que existiam noutras regiões, mas também as outras pessoas e as suas culturas. Para sabermos o que era o mundo, tivemos de nos fazer ao caminho: de burro, de camelo, de barco ou a pé, saímos de casa rumo ao desconhecido e regressámos com as novidades espantosas de outros lugares. As viagens de monges, botânicos, comerciantes, marinheiros ou artistas deram contributos importantes para conhecermos melhor o planeta e sabermos da existência uns dos outros. Estes viajantes — de todos os tempos e lugares — são as personagens principais deste livro, onde não faltam mapas e muitas, muitas aventuras.”

À entrada, propõe-se ao leitor um desafio: “Ainda conseguimos imaginar um mundo sem mapas?” “E um mundo sem os outros?” Seguem-se mais, obrigando-nos a sair do lugar e assim compreendermos melhor a nossa identidade e a crescermos na relação com os outros.

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Depois, pomo-nos a caminho por um livro cheio de histórias e geografias curiosas e inesperadas, tudo num ambiente ora colorido, ora a preto e branco.

Há alertas importantes e interessantes, como “os exploradores mais famosos podem não ter sido os primeiros a chegar” ou a reflexão sobre a palavra certa: “descoberta” ou “exploração”?

Não será um livro de fácil leitura para algumas crianças, mas para isso é que os adultos (também) servem. Juntos irão certamente fazer grandes descobertas. E nunca mais olharão para o GPS da mesma maneira. Nem para o mundo.

Atlas das Viagens e dos Exploradores
Texto: Isabel Minhós Martins
Ilustração: Bernardo P. Carvalho
Edição: Planeta Tangerina
140 págs., 24,90€

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Aqui fica a página Crianças divulgada na edição do Público de 26 de Maio de 2018. (Paginação de Sandra Silva.)

O Sr. Solitário empacotou tudo (menos o amor)

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“Na casa n.º 89 da pequena vila das 3 colinas vivia um senhor. Os vizinhos chamavam-lhe o ‘Sr. Solitário’.” Assim começa o livro A Incrível História do Sr. Solitário.

Como se depreende facilmente pelo nome, aquele homem morava sozinho. Em rigor, vivia com a sua paixão, “coleccionar coisas”. Das mais insignificantes às mais incríveis. Mas um dia sentiu-se “aprisionado na sua colecção” e resolveu empacotar tudo, por tamanhos. Apercebeu-se depois de que algo pequenino tinha ficado esquecido numa prateleira. Algo de que não se lembrava de quando teria usado pela última vez. Tentou empacotá-lo, mas ele cresceu, cresceu e expulsou-o de casa.

“Na manhã seguinte, o Sr. Solitário acordou a pensar no que tinha acontecido. Se não conseguia viver com um amor tão grande, tinha de fazer uma coisa: partilhar.” O autor, Elias Gato, disse ao PÚBLICO não saber ao certo como lhe surgiu este homem solitário: “Penso que na altura (na faculdade) me surgiu esta ideia de caixa como forma de empacotar coisas/memórias. Acontecia muito comigo, por ser um estudante deslocado e estar sempre a mudar de poiso.”

E acrescentou: “Uma noite, uma pessoa pediu-me que lhe contasse uma história antes de adormecer, e eu comecei a improvisar uma história que se tornaria mais tarde em A Incrível História do Sr. Solitário. Lembro-me de estar a contar a história e ao mesmo tempo sentir um êxtase tremendo por tudo aquilo estar a fazer sentido e poder sair dali algo em que poderia trabalhar. Nessa altura não sabia nada sobre ilustração infantil, paginação, impressão, etc. Na minha ingenuidade, comecei esta odisseia de criar o meu primeiro livro ilustrado.”

Fez bem. O livro tem graça.

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O autor explicou ainda que técnicas e materiais usou para dar vida ao Sr. Solitário: “As ilustrações foram feitas em técnica mista sobre papel, principalmente com recurso à colagem, ao frottage e aos materiais riscadores. Grande parte do material utilizado para a colagem já o tinha comigo: revistas, cadernos quadriculados e pautados, posters, etc; ao que acrescentei: guardanapos, papel de mesa e papel de rolo de máquina.”

O resultado pode ser adquirido por correio postal ou por entrega em mão (para quem estiver em Lisboa ou no Sotavento Algarvio), sendo as encomendas feitas através do email (eliasrngato@gmail.com) e da página de Facebook de Elias Gato.

O livro cabe numa caixa, mas também pode ser partilhado. Por isso o damos a conhecer na voz do autor, numa realização de Sibila Lind para o projecto Livros para Escutar do blogue Letra Pequena/ PÚBLICO, com o título “O Sr. Solitário descobriu o amor (e partilhou-o)”.

A Incrível História do Sr. Solitário
Texto e ilustração: Elias Gato
Revisão: Rui Bastos
Edição: de autor
44 págs., 10€+despesas de envio

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Aqui fica também a página Crianças divulgada no Público de 19 de Maio de 2018.

 

As maldades e as bondades de Malaquias…

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… são como as nossas.

Malaquias personifica uma criança, com todas as suas maldades e bondades. Tem por companhia vários amigos, que o vão ajudar a lidar com emoções – as felizes e as outras.

São eles: o macaco Gastão, a gata Metediça, o cão Óscar, a girafa Manelinha, as cadelinhas gémeas Xica Patinhas e Xica Linguiça e, finalmente, o professor leão, o Sabichão.

A colecção já vai em três volumes e foi apresentada pelo autor, Mário Cordeiro, a 10 de Maio, durante o festival Livros a Oeste, numa sessão animada para turmas de 3.º e 4.º anos do 1.º ciclo da Escola Básica da Lourinhã.

Todos temos uma parte boa, que quer ajudar os outros e tornar o mundo melhor, e uma parte menos boa, em que queremos mandar em toda a gente”, disse o pediatra no Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira. Para depois explicar às crianças que é preciso “tentar equilibrar esses sentimentos”, lembrando que “os outros também têm as suas vontades”.

Em Malaquias não Gosta de Perder, o ursinho é vencido no xadrez pela girafa e fica furioso: “É injusto. Não devia ter perdido! Que raiva!” E começa a tratar mal toda a gente, deixando tristes os amigos. O macaco Gastão perguntou-lhe: “Ela fez batota?” Malaquias teve de admitir que não. “Então jogaste mal”, concluiu o macaco. “Detesto-te, Gastão!”

Será o leão que o irá ajudar a transformar aquela energia negativa em algo de bom. O mesmo lhe sugeriram as gémeas, que o aconselharam a esforçar-se por jogar melhor xadrez. No final, Malaquias venceu o jogo. Não o de tabuleiro, mas o da raiva. Sugeriu o autor aos alunos: “Não temos de gostar de perder, mas devemos aceitar perder. Depois, pensamos em que é que falhámos e esforçamo-nos por melhorar.

No segundo volume, Malaquias rouba um chocolate à girafa. Mas não era um chocolate qualquer, viera de França e tinha-lhe sido oferecido pela madrinha. Pretexto para se falar de valor simbólico: “Há objectos, coisas que valem mais pelo valor afectivo. Aquele chocolate não era um chocolate qualquer. Não podia ser substituído por outro, mesmo que de igual sabor.” Malaquias há-de compensar Manelinha. “Assumir o erro é um acto de coragem”, disse o pediatra. E Malaquias é corajoso, como demonstrará em Malaquias Vence o Medo.

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Os livros têm no final uma breve explicação do sentimento explorado e pistas para pais e educadores se orientarem a ajudar os mais novos a ser felizes.

As ilustrações de Raquel Santos são expressivas na sua simplicidade, não desviando o pequeno leitor do essencial e levando-o a simpatizar com todas as personagens, apesar das suas contradições. O humor também lá mora. Ganhamos todos.

Malaquias não Gosta de Perder / Malaquias não Resiste a Um Chocolate
Texto: Mário Cordeiro
Ilustração: Raquel Santos
Edição: Porto Editora
32 págs., 10,90€

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Página completa, com sugestões de actividades culturais para toda a família, via Guia do Lazer. Destaque para o festival Livros a Oeste.

Porque hoje é Dia da Mãe

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Porque se assinala neste 6 de Maio o Dia da Mãe, aqui fica uma sugestão para fazer as famílias felizes. Neste livro, o autor é a criança, que vai contar a história da sua relação com a mãe. Não só vai contá-la, como ilustrá-la.

Para tal, precisará da ajuda de um adulto. Mas atenção que ajudar não é substituir. Por isso, no início há uma advertência pertinente: “Mãe, pai, avô, avó, tio, tia, como responsável pelo pequeno autor, só tem uma tarefa: deixá-lo criar.” Nem mais.

Diz-se ainda: “Ajude-o em tudo o que ele pedir, inspire-o se for preciso, mas, sobretudo, deixe que seja ele o protagonista. Esta é a sua história.” Também não vale querer que tudo fique direitinho, limpo e perfeito. Se o resultado é importante, aqui o processo ainda é mais, já que o miúdo está a construir um livro feito de memórias: as dele, as da mãe e as de ambos.

Pelo meio, irá ainda ser obrigado a reflectir sobre o seu comportamento. Primeiro desafio: “Era uma vez… a história de como te tornaste minha mãe.” Seguem-se páginas com molduras para ali serem colocadas fotografias dos dois. Depois, pede-se que se complete a frase: “Uma mãe é mãe porque…” Para em seguida se enumerar as coisas que a fazem zangar. A dada altura, há que explicar os superpoderes da Supermãe!

Mais adiante, a criança é convidada a recortar, a desenhar e a decorar as páginas do livro, onde não faltam corações construídos com materiais variados. A representação mais universal do amor. Se os miúdos não conseguirem preencher todo o livro antes de o oferecerem, podem muito bem completá- lo com a própria mãe, num exercício feliz de recordação, descoberta e cumplicidade familiar. Escolherem juntos a melhor fotografia ou a pior pode resultar em momentos muito divertidos.

A primeira instrução para o pequeno autor é esta: “Preenche cada uma das páginas com o que sair do teu coração, conta as coisas divertidas, sérias e importantes que queres que a tua mãe saiba.” Na última instrução, sugere-se que se embrulhe o livro num papel bonito. Depois, acrescenta-se: “Agora já podes oferecê-lo à melhor mãe do mundo: a tua.”

Há também a versão O Meu Pai É o Melhor do Mundo. Mas essa fica para outro dia…

A Minha Mãe É a Melhor do Mundo
Direitos e tradução: Penguin Random House
Capa e paginação: Montse Martin
Edição: Arena
96 págs., 10,95€

(Texto divulgado na edição do Público de 5 de Maio, página Crianças.)

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Eis a página completa, com as habituais sugestões de actividades em família, com a colaboração do Guia do Lazer.

Grandes mundos minúsculos

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Do infinitamente pequeno… é do que trata este livro, que dá a conhecer aos mais novos o que são e onde vivem os micróbios. Na verdade, estão em todo o lado.

Descrição inicial: “Não têm olhos, cabeça nem pernas, tão-pouco têm ramos, raízes ou folhas, porque não são animais nem plantas. Mas têm vida. São micróbios… e são muitos.”

Exemplo. “Uma gota de água do mar pode chegar a conter vinte milhões de micróbios, o que é mais do dobro dos habitantes de Nova Iorque.”

Sobre os diferentes tamanhos destes seres, ensina-se que um dos mais pequenos se chama “poliovírus” e um dos maiores tem o nome “paramécia”. Sobre a forma, são comparados, por exemplo, a “margaridas”, “naves espaciais” ou a “colares” que enfeitam o pescoço.

Um livro que conquista os jovens leitores para o conhecimento científico, numa informação equilibrada e não alarmista. Ao mesmo tempo que se ensina que na nossa pele “há mais micróbios a viver do que pessoas a habitar o planeta Terra” e que na nossa barriga “vivem dez ou cem vezes mais” do que na nossa pele, também se tranquiliza o leitor: “Não fiques preocupado. Embora haja micróbios que, por vezes, te levam a adoecer, os que vivem diariamente à superfície do teu corpo e dentro de ti ajudam-te a manteres-te saudável.”

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A autora do texto, Nicolas Davies, é apaixonada pela natureza, tendo editado vários livros para crianças sobre o tema. Formada em Zoologia, com estudos específicos em baleias e morcegos, colaborou com o canal de História Natural da BBC.

Emily Sutton formou-se na Escola de Arte de Edimburgo (Escócia) e fez uma pós-graduação em ilustração. Mas também realiza trabalhos de pintura e de escultura.

Neste livro, cada uma com a sua linguagem, mostram-nos que os micróbios “são os transformadores invisíveis do nosso mundo”. E lembram-nos: “As vidas mais minúsculas têm os maiores trabalhos.”

Minúsculos — O Mundo Invisível dos Micróbios
Texto: Nicolas Davies
Tradução: Eurídice Gomes
Ilustração: Emily Sutton
Edição: Nuvem de Letras
38 págs., 16€

(Texto divulgado na edição do Público de 14 de Abril, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de actividades para toda a família. via Guia do Lazer.