Frida Kahlo para menores (e maiores)

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Olha-se para a capa e fica-se com a sensação de estar em presença daqueles retratos em que os olhos se movem em função do ângulo em que os observamos. Mas não. No entanto, não se consegue fugir ao olhar penetrante com que Benjamin Lacombe desenha Frida Kahlo.

Diz o ilustrador: “Recordo-me da primeira vez que deparei com o olhar de Frida. Tinha doze ou treze anos, e detive-me naquele rosto de olhar hirsuto que me media rodeado de macacos. (…). Para dizer a verdade, ainda que tivesse ficado intrigado, não foi nesse dia que ele me seduziu.”

Foi quando estudou História de Arte que o fascínio pela artista surgiu. Ainda bem. Ou não teríamos aqui este belo livro.

Frida é uma biografia ilustrada e poética que começa com o acidente grave que a artista sofreu quando tinha 18 anos e que lhe valeu dores crónicas pela vida fora. “Ainda há pouco, (…) eu era uma menina que caminhava num mundo de cores (…). Era tudo misterioso (…). Agora, moro num planeta doloroso, transparente, como que de gelo, mas que nada oculta.”

Ainda assim, a jovem renasce depois do choque. “Cheia de esperança. (…) Abro o meu coração a esta nova vida.”

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As imagens do livro são recriações e reinterpretações da sua obra. Começou por pintar para ocupar o tempo, mas depois usou a pintura para expressar as suas dores. Físicas e outras. Frida tinha uma grande afeição pelo México e o livro começa e finda na Casa Azul, onde nasceu e morreu.

Para os que ficam receosos de mostrar livros “perturbadores” às crianças, saibam que elas precisam de ter medo, desde que no final se sintam seguras e tenham quem as abrace. Para universos cor-de-rosa, há Disney que chegue.

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Texto: Sébastien Perez
Tradução: Ana M. Noronha
Ilustração: Benjamin Lacombe
Edição: Kalandraka
76 págs., 26€

(Texto divulgado na edição do Público de 11 de Novembro, página Crianças.)

Para conhecer melhor o ilustrador, este é o caminho.

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Esta foi a página completa publicada, com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Saramago em desassossego à procura de uma ilha

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(A antecipar os Dias do Desassossego — Pessoa e Saramago nas ruas de Lisboa, que decorrem de 16 a 30 de Novembro em Lisboa, escolhemos divulgar este livro na página Crianças do Público. Ficou muito bem paginada graças a Sandra Silva.)

Contrariando todos os procedimentos oficiais, um homem insiste em ser recebido pelo rei. “Quero falar ao rei, Já sabes que o rei não pode vir, está na porta dos obséquios, respondeu a mulher, Pois então vai lá dizer-lhe que não saio daqui até que ele venha, pessoalmente, saber o que quero, rematou o homem e deitou-se ao comprido no limiar, tapando-se com a manta por causa do frio. Entrar e sair, só por cima dele.”

Pela pontuação logo se percebe que o autor é José Saramago, mas também pelo que denuncia e reflecte num texto que alia o sonho à luta contra convenções inusitadas e à descoberta do mais genuíno e íntimo de cada um de nós. Sempre em busca da utopia.

Afinal, que queria aquele homem, tão corajoso e determinado que desafiara as rotinas da autoridade e do poder?

Foi assim o encontro com o rei: “Que é que queres?, Por que foi que não disseste logo o que querias?, Pensarás tu que eu não tenho mais nada que fazer, mas o homem só respondeu à primeira pergunta. Dá-me um barco, disse.

O rei ficou desconcertado e só algum tempo depois o homem conseguiu dizer-lhe que queria “ir à procura da ilha desconhecida”. Não foi fácil convencê-lo a aceder ao pedido nem a fazer valer a sua certeza de que haveria sempre ilhas por descobrir.

A mulher da limpeza, com quem o homem falara à porta do rei, acabará por viajar com ele. Gostamos deste diálogo: “Não queres vir comigo conhecer o teu barco por dentro, tu disseste que era teu, Desculpa, foi só porque gostei dele, Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.”

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Uma história sobre descoberta, perseverança e espírito colectivo. Já a vimos encenada e dramatizada por diferentes companhias, mas não nos cansamos do texto. E da ideia. “Sempre tive a ideia de que para a navegação só há dois mestres verdadeiros, um que é o mar, outro que é o barco, e o céu, estás a esquecer-te do céu. Sim, claro, o céu, Os ventos, As nuvens, O céu, Sim, o céu.

As ilustrações de Fatinha Ramos oferecem à narrativa variações de escala e um colorido que atraem e fixam o olhar do pequeno leitor. Do grande também.

O Conto da Ilha Desconhecida
Texto: José Saramago
Ilustração: Fatinha Ramos
Edição: Porto Editora
64 págs.,13,30€

(Texto divulgado na edição do Público de 4 de Novembro, página Crianças.)

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A página completa, onde se quis também destacar o espectáculo O Pássaro da Cabeça, que estará em cena no Porto, até 19 de Novembro, no Teatro da Vilarinha. Uma peça de Manuel António Pina que encerra um ciclo de representações do Pé de Vento iniciado em… 1978. (Já há um tempinho.)

Mais sugestões de actividades para a família no Guia do Lazer.

Braga em Risco… (uma cidade a colorir o Outono)

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Até 25 de Novembro, há um programa feliz em torno de ilustradores nacionais e internacionais que convidam as crianças a experimentar desenhar, pintar, apagar e fazer de novo. (Como qualquer artista que realmente o seja.)

Pedro Seromenho e uma equipa competente e motivada da Câmara Municipal de Braga fazem deste encontro uma festa criativa e emotiva. Só visitando as exposições no Castelo… de Braga e na Casa dos Crivos é que se percebe exactamente o que queremos dizer.

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Isto é só para espreitarem um pouco mais da escada (maravilhosa) que nos conduz às 11 exposições distribuídas pelo edifício.

Agora, deixamos aqui os vídeos que não conseguimos mostrar na sessão Livros sem Texto, na noite de 11 de Novembro. (Foi uma mistura de falha técnica e aselhice nossa e só nossa.)

Afinal o Caracol (Fernando Pessoa, Mafalda Milhões, editora Bichinho de Conto)…

e… Um Dia na Praia (Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina). Aqui é mesmo preciso descarregar o ficheiro. Mas Letra pequena garante que vale a pena :).

Anda por aí um rapaz de carapinha ruiva

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Orlando acaba de receber uma carta. É a primeira vez que isso acontece. E não é uma carta qualquer: vem da Rússia!

Começa assim a história de Orlando, um rapaz de oito anos que herdou a tipo de cabelo do pai (guineense), mas com a cor do cabelo da mãe (portuguesa). O resultado desta mistura é uma original carapinha ruiva.  Além desta característica, há outra que o diferencia dos restantes miúdos, não consegue pronunciar a letra “éle”, sai-lhe sempre um “u”. Por isso, é assim que pede à mãe os ingredientes da pizza: “Cogumeuos e toneuadas de queijo.” Mas faz-se sempre entender.

Orlando tem um grande amigo, Tobias, que muito admira por saber duas coisas: a tabuada do 8 e desenhar. Só não consegue compreender que ele não goste de jogar futebol e tenha medo da bola.

A mãe do protagonista, Miranda, é bailarina e o pai, Tim, contrabaixista. Estão separados, mas moram perto um do outro e entendem-se bem. Temporariamente na Rússia, foi ele o remetente da primeira carta que Orlando alguma vez recebera. Lá dentro, dois postais: um para o rapaz e outro para Miranda.

E é então que um rinoceronte entra na sua vida e nos seus sonhos, com a ajuda do tio Tristão. Um bom contador de histórias e hábil na conquista do miúdo para o conhecimento da história de Portugal e do mundo.

Estreia de Alexandra Lucas Coelho nos livros para a infância, Orlando e o Rinoceronte dá início a uma série que remete para os Descobrimentos e para um passado português com que nem sempre é fácil lidar. “O que vamos fazer com o passado muda as coisas, muda o presente e muda o futuro. É importante saber que Portugal foi a maior potência esclavagista, isso faz parte da nossa história”, disse a autora à agência Lusa antes do lançamento do livro, que ocorreu no dia 14 de Outubro no Teatro D. Maria II, em Lisboa.

A escritora, ex-jornalista do PÚBLICO, disse também que pretende que as suas histórias tenham que ver “com a vida, com a família, com o passado, com questões de género, tanta coisa que pode ainda ser contada para crianças”.

Na vida de Orlando, o maior problema é a miúda de sete anos que vive no prédio da mãe: “Pior do que a tabuada do 8, só a Cláudia. A vizinha de baixo, muito mais nova, acaba de fazer sete anos, enquanto Orlando já fez oito. Devia olhar para as crianças da idade dela, mas não. Passa o tempo a persegui-lo nas semanas que ele cá dorme.”

No próximo título, talvez o rapaz não se consiga ainda livrar dela. Está previsto acompanhar o pai até à Guiné-Bissau, mas a mãe de Cláudia também é música e é provável que viajem todos juntos.

Alexandra Lucas Coelho inspirou-se na história do rinoceronte oferecido em 1514 a Afonso de Albuquerque, vice-rei da Índia, que não pôde ficar em Lisboa e naufragou a caminho de Roma. (Também Gilda Nunes Barata convoca este episódio em Rinoceronte e Uma Gaivota na Torre de Belém / Uma Visita à Torre de Belém, com ilustração de Danuta Wojciechowska e Joana Paz.)

A autora, que optou por apenas mostrar a imagem do rinoceronte no final, estreia-se também a ilustrar, recorrendo sobretudo a recortes e colagens. À semelhança do protagonista, parece ainda ter receio de desenhar. Tal como nas palavras, nada a temer.

Orlando e o Rinoceronte
Texto e ilustração: Alexandra Lucas Coelho
Paginação e arranjo gráfico da capa: Teresa Coelho
Edição: Alfaguara
120 págs., 14,90€

(Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 28 de Outubro.)

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A página completa foi esta, com as habituais sugestões do Guia do Lazer.

O sábio não é sempre o mais forte e poderoso

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Quando não procuras, encontras.” Este é o primeiro de 15 ensinamentos taoistas reunidos neste livro, que na contracapa traz um bom resumo do seu propósito: “Como iniciar as crianças na filosofia do taoismo?”

“Através de fragmentos seleccionados do Livro do Tao que falam sobre rios, casas, copos ou árvores, descobrirão que o sábio não é sempre o mais forte e poderoso, mas antes um barqueiro que sabe aproveitar as correntes do rio, alguém leve e flexível como um bambu, que faz sem fazer e ensina sem querer, que avança sem seguir caminhos nem pegadas e nunca se perde.”

O autor do texto, Manel Ollé, nasceu em Barcelona em 1962 e estudou Literatura Catalã. No site da editora conta que se interessou pelo Livro de Tao por “casualidade”: “À saída de um concerto de música cubana, um amigo disse-me que estava a estudar chinês na Escola de Línguas e que o professor Ding era muito bom. Desde que comecei a aprender chinês, já não consegui parar.”

Agora, é professor de História e Cultura Chinesas na universidade. Lembra ainda que o seu interesse pela cultura chinesa se deveu “a um livro de poemas chineses antigos (onde havia um sobre a emoção de um músico que deixa o alaúde em cima da mesa e ouve como o vento faz soar as cordas, e a música surge sozinha)”.

Esta atitude contemplativa e de respeito pela natureza e também pelos outros atravessa todo o livro, baseado nos ensinamentos do velho e sábio Laozi, também conhecido como Lao-Tsé. “A lenda diz que era bibliotecário. Vivia no anonimato na China há mais de dois mil anos”, pode ler-se no Guia de Leitura no final da obra.

As ilustrações que acompanham os fragmentos são de grande sensibilidade e delicadeza. Diz a ilustradora, Neus Caamaño, também catalã, que cresceu “rodeada de lápis, papéis, tesouras, tintas, pincéis”. Diz ainda que, depois de estudar Belas-Artes, descobriu a ilustração e de que o que mais gosta é “do álbum ilustrado: pensar, procurar, experimentar ideias e imagens, recortar e colar, apagar e começar outra vez”.

Terá sido assim que criou para nós estas ilustrações tão bonitas.

Tao — Fragmentos do antigo caminho chinês do mestre Laozi
Texto: Manel Ollé
Tradução: Inês Castel-Branco
Ilustração: Neus Caamaño
Edição: Fragmenta Editorial
40 págs., 13,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 21 de Outubro, na página Crianças.)

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Página completa com as habituais sugestões do Guia do Lazer para actividades em família.

Invenções antigas que nos ajudam hoje

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Integrada na colecção Saber para Todos, este volume (são quatro no total) trata de nos recordar como foram inventados objectos e criadas utilidades que há muito fazem parte do nosso quotidiano e que resolvem muitas das nossas necessidades.

Na divulgação, a editora escreve: “As maiores invenções de todos os tempos e os génios a quem se devem. Da criação da Web por Tim Berners-Lee aos projectos de Leonardo da Vinci, [venha] conhecer os pioneiros e as grandes invenções na comunicação, nos transportes e na exploração do espaço.”

É possível aqui recuar ao tempo dos primeiros telefones, televisões e automóveis, mas também aos velhinhos fonógrafos.

Sr. Watson, venha cá, quero falar consigo.” Estas foram as primeiras palavras ouvidas claramente num telefone, ditas por Alexander Graham Bell. A legenda que acompanha a imagem de um dos primeiros telefones que usou, em 1877, é a seguinte: “Bell utilizou este telefone para fazer a demonstração do seu invento perante a rainha Vitória em Inglaterra.” Muito longe ainda dos hoje vulgares… smartphones.

As imagens antigas do livro têm um registo muito diferente do que as crianças estão habituadas, pelo que é um bom exercício de “educação visual” – pelas cores, formas e técnicas de reprodução.

Explorar  Uau Eureca

Explorar! As Viagens mais Perigosas de Todos os Tempos; Uau! Os Artistas mais Admiráveis de Todos os Tempos e Eureca! As Descobertas Científicas mais Empolgantes de Todos os Tempos são os títulos dos restantes volumes. Cultura geral para toda a família.

Genial! As Invenções mais Espantosas de Todos os Tempos
Texto: Deborah Kespert
Consultoria: Jane Insley
Tradução: Isabel Araújo
Revisão: Anabela Macedo
Grafismo: Karen Wilks
Ilustração e fotos: Vários
Edição: Círculo de Leitores
98 págs., 19,99€

(Texto divulgado na edição do Público de 14 de Outubro, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Pensar o pensamento

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Uma visita especial a um museu especial é o convite que este livro faz aos leitores. Mais ou menos jovens, todos podem entrar, assistir, participar. Convém no entanto que os que nasceram há menos tempo sejam levados pela mão e pela voz dos que chegaram antes. Só há uma condição indispensável para desfrutar das palavras do guia Miguel: estar disponível para pensar.

Já alguma vez pensaram onde vão parar os pensamentos depois de passarem pela vossa cabeça? O que é que lhes acontece? Nunca pensaram nisso? Nunca mesmo? Nunca tiveram assim um pensamento tão grande, tão pesado, que vos fizesse doer a cabeça? Nunca tiveram assim um pensamento tão bonito ou divertido que vos deixasse feliz sem ter de acontecer mais nada?”

Esta torrente de perguntas segue-se a uma breve apresentação e descrição do senhor Miguel: “O Miguel é este senhor muito bem vestido. Traz um daqueles fatos que usam os adultos em reuniões de negócios, casamentos, funerais, ou sempre que querem ser tomados por pessoas sérias. Tem mesmo muito gel no cabelo penteado para trás. (…)” É este o tom.

Vários desafios são então propostos pelo guia do museu: pensar em/por imagens; não pensar em nada; treinar a memória e a imaginação; pensar numa coisa impossível de ser pensada, entre outros.

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Pelo caminho, tropeça-se em muitos chapéus, de diferentes épocas, e em frases como “a boca é uma máquina de emitir opiniões” ou “pensar é: uma orquestra que toca dentro de nós, mesmo a meio da noite, quando toda a gente foi dormir, e reina o silêncio”. Sempre com o objectivo de “pensar o pensamento”.

Este livro nasceu na chapelaria Azevedo Rua (no Rossio, em Lisboa), que funcionou como palco da edição de 2014 do Festival do Teatro das Compras.

A autora conta tudo, no final, sob o título Quando este livro foi teatro: “Na primeira vez que entrei na chapelaria Azevedo Rua, fiquei muito impressionada. O meu olhar navegou pelas estantes que cobrem as paredes até ao tecto, repletas de cartolas, gorros, chapéus de toureiro… Imaginem, tantas cabeças! Só conseguia pensar em todas as pessoas que por ali passaram ao longo dos cento e vinte e oito anos que a loja completava naquele ano. Imaginava-as a saírem dali, de volta para as suas vidas, com os seus lindos chapéus e, de imediato, a pergunta surgiu-me: em que pensariam?

Uma obra original, escrita num tom coloquial e bem-disposto, a que se juntam ilustrações num registo que combina bem com a clareza da linguagem. Não sendo imagens óbvias (à excepção dos múltiplos formatos de chapéus), estimulam a imaginação e a reflexão. Arriscaríamos chamar-lhes “imagens filosóficas”. É que dão que pensar…

O Museu do Pensamento
Texto: Joana Bértholo
Ilustração: Pedro Semeano e Susana Diniz
Edição: Editorial Caminho
80 págs., 16,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 7 Outubro, página Crianças.)

Para conhecer melhor o trabalho de Pedro Semeano, este é o caminho. Para chegar até Susana Diniz, siga-nos. Já Joana Bértholo dá-se a conhecer aqui.

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Aqui fica a página completa que foi publicada, com sugestões de actividades em família. Mais informações no Guia do Lazer.

Um grande lambuzão

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Um livro bilingue (português e inglês), bem-humorado e com imagens dinâmicas, de diferentes escalas e perspectivas.

Fala de um comilão e de como o exagero nessa prática de tudo engolir pode levar a uma grande má disposição. Tem uma moral, mas sabe dá-la. Sem acusações ou castigos.

Quem vem lá pela estrada fora?”, pergunta-se logo à entrada, enquanto se vê (e escuta) uns pés a chinelar (“schlep, schlep, slap, slap”). Fica depois a saber-se que “só pode ser o… Billy Bolly”.

Mais perguntas se seguirão, sem cerimónia com as palavras: “Porque esfrega ele a pança? (Bolly pançudo).” “Porque lambe ele os beiços? (Bolly guloso).” Logo se percebe que o protagonista gosta bem de comidinha e não tem maneiras à mesa.

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“Ketchup”, “pickles”, maionese e mostarda, “tudo misturado a pingar da mesa”, e mais uma série de iguarias (ervilhas, pizas, camarão, milho, pão…) numa grande “confusão pelo chão”. Assim, a rimar.

Depois deste exagerado repasto, Billy Bolly só podia ficar agoniado. No final, chamam-lhe mesmo “lambuzão”.

De uma forma divertida e com cores felizes, o livro permite aprender vocabulário relacionado com a alimentação, quer em português quer em inglês.

O autor, Paul Hardman, é britânico, designer gráfico, ilustrador e professor de Design e Multimédia na Universidade de Coimbra. Estudou Artes Gráficas na Liverpool Art School e fez mestrado em Design Gráfico na Camberwell College of Arts em Londres. No domínio da literatura para a infância, ilustrou em Portugal Palavras Viageiras, com texto de João Pedro Mésseder, também editado pela Xerefé – uma pequena editora cujo nome significa “à nossa”.

O livro pode ser encomendado directamente à Xerefé (xerefeedicoes@gmail.com), ser adquirido no Porto (livraria Gigões e Anantes) ou em Lisboa (Fundação Saramago, livraria da Sociedade Guilherme Cossoul e Leituria). Sem nódoas.

A Almoçarada de Billy Bolly / Billy Bolly’s Big Lunch
Texto e ilustração | Paul Hardman
Edição | Xerefé
24 págs., 8,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 30 de Setembro, página Crianças.)

Para conhecer melhor o trabalho do autor, siga por aqui.

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A página completa, com sugestões de actividades para os mais novos, com destaque para as oficinas Um Ano Inteiro (Casa da Avenida, Setúbal). Mais informação no Guia do Lazer.

Famílias trocadas

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Duas famílias, ambas com quatro filhos, percebem que um deles é muito diferente dos irmãos. A educação que receberam não impediu no entanto (nem permitiu totalmente) que cada um revelasse a sua própria natureza.

A dada altura fica a saber-se que houve uma troca entre um dos elementos de cada agregado. E agora? Devolve-se a criança? Obriga-se a contrariar a sua experiência, convivência ou aceitam-se as características que se impõem?

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Gaston é um cão. Um budolgue que cresceu (amou e foi amado) entre caniches. Antoinette é uma cadela. Uma caniche que cresceu (amou e foi amada) entre buldogues. Não é difícil adivinhar as diferenças entre quem “rosna”  ou simplesmente faz “béu-béu”. Por mais e por muito que quem deles cuide tente o contrário.

A Sra. Caniche sentia orgulho em ensinar os seus filhotes a serem bonitos cachorrinhos. Aprenderam a arte de comer e beber. Sem se babarem!” Ou ainda “aprenderam a desfilar com elegância. Sem correrem pela casa!”. Já para não falar das roupinhas rosa e lilás…

A descoberta (da troca) foi feita num passeio no parque. As mães, crentes em que estariam a seguir o rumo certo, tentaram repor os elementos “estranhos” nas famílias de origem. Enganaram-se. Saíram-se mal e sentiram-se mal. Os filhos/ irmãos, também. Mesmo com um esforço bonito de aceitação.

As famílias optaram então pelo modelo inicial e feliz, passando a conviver com regularidade e aceitando diferenças e semelhanças. Os buldogues acabaram por ensinar aos caniches “a ser menos queridos” e os caniches “ensinaram os buldogues a ser menos brutos”.

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Um livro sobre escolhas entre parecer, fingir, agradar, amar, ser. Tanto quem escreveu como quem ilustrou Gaston já receberam vários prémios de livros infantis. Sempre merecidos pela boa qualidade e grande sensibilidade.

O desfecho (que não é para contar aos miúdos antes de os pôr a ler o livro): “Muitos anos mais tarde, quando se apaixonaram e tiveram cachorrinhos, o Gaston e a Antoinette ensinaram-nos a ser o que bem quisessem.” Haverá melhor lição?

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Texto | Kelly DiPucchio
Tradução | Maria Afonso
Ilustração | Christian Robinson
Edição | Orfeu Negro
40 págs., 14,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 23 de Setembro, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, sempre com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Outro modo de olhar

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O título deste livro, que é uma colectânea, foi retirado do poema Outro modo de olhar, que pertence à obra Rondel de Rimas para Meninos e Meninas. A ilustração que o acompanha está reproduzida [aqui em baixo] e tem assinatura de Ana Lúcia Pinto.

O poema: “Havia em cima do muro da casa uma vaca deitada ao sol, de pernas para o luar,/ um melro depenado, só com uma asa,/ uma girafa com dificuldade em respirar// e um menino muito pequenino a sonhar que nada devia ser assim tão cruel:// para a vaca inventou um tropel. Para o melro, um céu, ainda que de papel,/para a girafa, uma corrente de ar/ e, para o poeta, outro modo de olhar.”

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Cada dois poemas contam com imagens de ilustradores diferentes. Nesta página, mostramos parte da imagem de Fedra Santos  criada para os poemas Bicicleta Como se te Chamasse e também parte da imagem de João Vaz de Carvalho para Amendoeira Diospiro.

Esta selecção reúne textos que João Manuel Ribeiro foi escrevendo e publicando ao longo de dez anos e é da responsabilidade da professora Sara Reis Silva, que no posfácio explica que a antologia se baseia em dez núcleos – infância; amor; avô; casa; bicicleta; animais; flores, frutos e árvores; letras e números; ciência; humor e ironia.

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Diz ainda que espera que a compilação “ofereça uma visão do valor estético dessa obra singular poética que é a de João Manuel Ribeiro”. E acrescenta: “Acima de tudo, como escreve o próprio autor, que esta antologia faça acontecer ‘a junção de dois mistérios: o do poeta que os escreveu e o teu que os vais ler.
Assim seja.

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E para o Poeta Outro Modo de Olhar
Poemas: João Manuel Ribeiro
Selecção e posfácio: Sara Reis da Silva
Ilustração: vários
Edição: Trinta por Uma Linha
34 págs., 12,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 16 de Setembro, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa da edição em papel com destaque para o Festival Literário de Ovar e mais sugestões do Guia do Lazer.

Se quiserem ouvir a voz de João Manuel Ribeiro a ler um dos seus primeiros livros (Improvérbios), sigam-nos.

A alegria de pintar com os dedos

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Um livro que dá a alegria aos miúdos (e aos crescidos ) de poderem pintar com os dedos.

Depois de breves instruções iniciais e alguns alertas, vários cenários e ambientes convidam a criar bichos coloridos de muitas espécies. Não se preocupem porque as tintas são laváveis e não tóxicas.

Comecemos pelas instruções, que podem ser descritas pelos adultos, caso o miúdo não seja ainda leitor autónomo: “Pressiona o teu dedo numa das almofadas de tinta algumas vezes para teres a certeza de que ele está bem coberto de tinta antes de o usares no livro.” As almofadas de tinta estão ao lado das páginas e têm as sete cores do arco-íris.

Explica-se também que, de cada vez que se quiser mudar de cor, há que limpar os dedos com um toalhete de papel, para não misturar os tons. E adverte-se ainda: “Quando tiveres acabado o teu desenho, lava as mãos com água e sabão para ficares sem manchas de tinta.” Por fim, diz-se ainda “tenta não sujar a roupa com tinta e não metas os dedos na boca – as tintas não sabem bem”.

Há ainda dicas para que a criança recorra a vários dedos e assim obtenha diferentes formas e também para que use a ponta do dedo de modo a conseguir “uma impressão digital redonda”.

Depois, é deixar a criança divertir-se, criar, esborratar e treinar alegremente a sua sensibilidade táctil, assim como a percepção de várias texturas. Neste exercício criativo, vai descobrindo muitas espécies animais. Ouriços-cacheiros, coalas, caracóis, gatos, joaninhas, abelhas, pintainhos, pavões e outras aves fazem parte das sugestões de pintura que vão aparecendo a cada página. Sempre enquadradas nos múltiplos e complexos habitats dos animais retratados.

Pintar com os Dedos – Animais decerto proporcionará momentos divertidos em família. Bom para brincadeiras durante as férias.

Pintar com os Dedos – Animais
Texto e ilustração | Vários autores
Edição | Jacarandá
64 págs., 13,90€

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(Página divulgada na edição do Público de 24 de Junho. Estamos atrasados… mas ficou bonita, não ficou?)

À procura da bolinha amarela…

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O que poderia ter sido uma simples partida de ténis entre o Luís e a Luísa transformou-se numa aventura divertida e complexa. Ainda assim, continuou a ser um jogo. Só que com a participação dos leitores.

Não é fácil descrever sobre este livro da colecção Cantos Redondos: “Livros em papel interactivos e digitais? Nem mais.”

De novo, o Planeta Tangerina desafia o leitor a entrar na história de modo original e inesperado, de tal forma que as próprias páginas falam com as personagens e connosco.

A dada altura, somos obrigados a andar para trás e para a frente, até descobrirmos a bola amarela (que desapareceu na “dobra entre as páginas”).Mais tarde, teremos de partir à procura de outro objecto, que também ficará pelo caminho, entre páginas, dobras e cenários variados.

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O “campo de ténis” torna-se recinto de festas, leva-nos à savana e até a um encontro com Deus e com burros. Uma viagem por diferentes ambientes e atmosferas várias.

Pelo meio, fica-se a conhecer o carácter do rapaz, impaciente, e da rapariga, quase sempre bem-disposta (mas chega a chamar-lhe “rabugento”).

A Bola Amarela (a busca de uma bola desaparecida) é um caso em que uma boa ideia (de Daniel Fehr) corresponde a uma execução feliz. Aqui podem ver-se os vários registos gráficos e plásticos de Bernardo P. Carvalho, sem que perca a sua identidade, nas cores, movimentos e formas.

Diz a editora sobre esta colecção: “Um livro é um lugar. Com dentro e fora, esquerda e direita, perto e longe, princípio e fim. Nesta colecção, fazemos do ‘objecto-livro’ um lugar verdadeiro, onde os leitores participam na construção de cada aventura, jogando, brincando, produzindo sons e movimentos.”

Agora, é pegar no livro e estar disponível para praticar observação e interactividade. Mas sem ecrãs.

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Ideia original: Daniel Fehr
Texto: Bernardo P. Carvalho 
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Ilustração: Bernardo P. Carvalho
Edição: Planeta Tangerina
40 págs., 12,15€

(Texto divulgado na edição do Público de 9 de Setembro, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa. Com destaque para o Rio de Contos, III Encontro de Narração Oral de Almada, e outras sugestões do Guia do Lazer.

Arte, engenharia, arquitectura e mar, muito mar

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Um submarino em forma de baleia que nos é dado a observar, externa e interiormente, convocando toda a nossa atenção e imaginação. Um livro-acordeão que nos vai revelando cantos e recantos de uma espécie de robô altamente complexo mergulhado no fundo do mar.

Para os mais crescidos, é impossível não pensar em Júlio Verne ou em Leonardo da Vinci (com as suas maravilhosas caranguejolas…).

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A divulgação que nos chega deste livro-objecto é bem certeira: “Ao abrirmos o livro, a perspectiva dos leitores, que observam o interior deste artefacto, dividido em numerosos compartimentos, altera-se por completo, pois é aí que entra em jogo a imaginação, não só para recriar o que sucede na cabine do cetáceo mecânico; como também para tentar adivinhar o que preparam na cozinha ou de que falam os trabalhadores do jardim, ou em que trabalham os operários da casa das máquinas… E assim por aí fora, do ginásio aos dormitórios ou à despensa…”

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Por isso, cada leitor-observador estará na presença de um livro diferente, mais revelador de si próprio do que dos autores. Pode dizer-se que é assim em todos os livros, mas em Balea poderá ser um superior exercício de exploração de saberes e emoções com as crianças.

Ambos os autores são espanhóis e tiveram formação em Belas-Artes. Já receberam vários prémios artísticos, mas nesta parceria e produção conjunta temos de lhes agradecer a mistura de arte com engenharia, arquitectura e mar, muito mar. Obrigada.

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Ideia original e desenhos: Federico Fernández
Cor: Germán González
Edição: Kalandraka
2 págs. (em fole), 16€

Texto divulgado na edição do Público de 2 de Setembro, na página Crianças.

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A página completa foi publicada assim, com as habituais sugestões de actividades em família vindas do Guia do Lazer.

Nada de errado com uma criança que brinca

DamiãoToupeira

Está tudo posto em sossego debaixo do bosque até que Damião acorda e se levanta. Enérgico, distraído, hiperactivo, inquieto, chato, nervoso, tonto. Toda a gente tem forma de o classificar. “Chamam-lhe tantas coisas que ele já nem sabe quem é.” Isto porque se distrai com tudo, seja a caminho da escola ou nas aulas. “Não consegue estar quieto e prestar atenção.”

Os pais da toupeira não sabem o que fazer, até que vêem um anúncio no jornal: “A feiticeira do bosque — terapias criativas para crianças difíceis (não fazemos milagres, mas tudo tem solução).”

Damião passou a visitar a “feiticeira” Berta todas as tardes: “Dá-lhe vários materiais e diz-lhe que todas as semanas poderá fazer uma coisa diferente.” Assim ficou combinado. “Nos primeiros dias, o Damião faz um pouco de tudo. Sobe, desce, vira, move, arruma, desarruma… Começa muitas coisas e nunca acaba nenhuma.”

Aos poucos, entre brincadeira, liberdade, atenção e descontracção, a pequena toupeira “começa a passar mais tempo quieto e sentado na cadeira, a fazer coisas mais complexas e elaboradas”.

Imagem retirada do site da autora: http://www.annallenas.com/index.html

Imagem retirada do site da autora

Mais adiante, a “feiticeira” explica-lhe que a sua energia é como a de um comboio, “só precisa de um carril, para não descarrilar”. Diz-lhe ainda que tem procurar o seu carril, ou seja, procurar aquilo que mais gosta de fazer. Para concluir: “Na verdade, não há nada de errado contigo.”

Damião acabará por descobrir o que o faz ficar concentrado e motivado. E surpreende toda a gente com o seu trabalho escolar de fim de ano: um bolo gigante para dividir por todos.

Um livro bonito, bem pensado e “sem Ritalina”, alertando para a necessidade de atenção e envolvimento das crianças. Há que lhes dar espaço e tempo para que se conheçam e apercebam das suas paixões, sem as empurrar para modelos nem criando expectativas à imagem dos adultos que as educam.

Em vez de gastarem energia a discutir, divirtam-se na cozinha e encantem-se com a magia de um bolo a crescer.

Damião, a Toupeira Furacão
Texto e ilustração: Anna Llenas
Edição:  Nuvem de Letras
56 págs., 12,90€

Texto divulgado na edição do Público de 17 de Junho, na página Crianças. (Já foi há uns tempos... mas ainda vale.)

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A página completa foi publicada assim.

Homenagear os clássicos para crianças

Capa menina Livros

Uma homenagem à literatura clássica infantil, num livro muito bonito e cheio de referências bibliográficas felizes.

Logo nas guardas de abertura, encontramos uma mancha de caracteres que invocam dezenas de títulos e escritores que nos remetem para leituras de infância: As Aventuras de Pinóquio (Carlo Collodi), Um Conto de Natal (Charles Dickens), 20.000 Léguas Submarinas (Júlio Verne), Aventuras de Alice no País das Maravilhas (Lewis Carrol), só para citar alguns.

Disseram os autores, Oliver Jeffers e Sam Winston, sobre o livro que criaram juntos: “Desde o início sabíamos que queríamos criar um conto que celebrasse o nosso amor pela literatura clássica infantil com um toque moderno. Para nós, tratou-se de capturar alguma da magia que acontece quando alguém se perde ao ler uma história intemporal, mas de um modo que os leitores ainda não tinham visto.”

E a verdade é que a obra é muito original e poética. Por isso mereceu este ano o Prémio de Melhor Livro de Ficção atribuído pela Feira do Livro Infantil de Bolonha.

A história começa assim: “Eu sou a menina dos livros. Venho de um mundo de histórias. E na minha imaginação eu flutuo.” A menina atravessa um mar de palavras para ir ter com um rapaz e o convidar a entrar no mundo dos livros, e da imaginação.

Esse “mar de palavras” é representado de uma forma muito expressiva, com um conjunto de frases retiradas de outra obras e que formam ondas.

O humor também está presente, como no plano em que se vê um homem a ler o jornal. Há três títulos impressos: “Negócios”, “Coisas importantes” e “Coisas sérias”.

Reproduzimos parte da notícia sobre coisas importantes: “Uma importante companhia vai parar de produzir coisas importantes no final deste ano. Alegam que ninguém quer esta coisa particularmente importante. Alguém num website disse: ‘Não é nada importante que tenham deixado de produzir essa coisa. Talvez não seja assim tão importante. A coisa mais importante agora é descobrir outra coisa que seja importante.’”

O que é verdadeiramente importante neste livro pode resumir-se na frase: “A nossa casa é uma casa de invenção, onde toda a gente pode entrar.”

A Menina dos Livros
Texto e ilustração: Oliver Jeffers e Sam Winston
Tradução e edição: Editorial Presença
36 págs., 12,90€

Texto publicado na edição do Público de 26 de Agosto, página Crianças. 

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Aqui está a página impressa, com sugestões de actividades em família. Há mais no Guia do Lazer.