Saudade é contar os dias desde que se saiu de casa

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Sofia saiu do Porto e foi viver para Londres. Conta os dias desde que lá chegou: são 427. Sente saudades de casa. “Foi em pleno voo sobre o Douro, quando a gaivota em que Sofia viajava fez uma acrobacia de cortar a respiração, que o professor levantou ligeiramente a voz: – Sofia, estás de novo a sonhar?” Estava e não estava.

O seu corpo estava em Richmond, na sala de aula, mas o seu pensamento voava na companhia de uma gaivota. Quando o professor pediu que descrevessem o que habitualmente faziam nas férias, a menina recordou “os banhos de mar e o sabor a sal na pele”, “o gelado delicioso que a avó fazia com os morangos do quintal” e ainda “os balões no céu de São João”.

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Nessa altura, apercebeu-se de que lhe faltava uma palavra equivalente a “saudade”. Acabou por descobrir “homesickness” e expressões como “I miss you” ou “I’m dying to see you again”, traduzindo o desejo pela presença de alguém querido.

Uma reflexão terna sobre as distâncias, as memórias e a vontade de regressar. Mas também um convite a pensar na língua mãe como lugar de raízes. Bonita a ideia de se sentir que, mesmo dominando bem uma segunda língua, sempre nos faltarão palavras na “língua em que não temos chão”.

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O texto de Inês Cardoso, directora adjunta do Jornal de Notícias, está bem acompanhado pelas imagens da ilustradora Rita M. Pereira. Não podendo fugir a ícones das cidades representadas, consegue ainda assim ampliar o sentido da narrativa. Aplauso para a menina suspensa por um balão. De São João, pois claro.

De Londres ao Porto Numa Gaivota/
/From London to Porto Flying on a Seagull
Texto: Inês Cardoso
Ilustração: Rita M. Pereira
Edição: Porto Editora
32 págs., 12,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 10 de Agosto de 2019.)

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“Ninguém nos oferece os caminhos feitos”

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“Se te perguntarem o que vem primeiro, o pé ou o caminho, pensa um segundo, apenas um instante, e depois diz: a pegada dos outros.”

Assim começa um poema filosófico do escritor argentino Mario Satz, que no final do livro conta-nos: “Durante anos escrevi livros para adultos, mas quando cheguei aos 60 dei-me conta de que havia uma infinidade de relatos que queria pôr por escrito para crianças e adolescentes. Em primeiro lugar, para homenagear os meus pais; e, em segundo, porque eu próprio me sentia mais perto da minha infância do que quando era jovem, simplesmente agora no caminho de regresso.”

Um texto que interpela directamente os leitores e os põe a pensar em conceitos como “perto” e “longe”, “caminhar” e “cair”, “choro” e “riso”. Não será destinado a idades muito baixas.

A editora aconselha-o a crianças com mais de sete anos. Mas tudo dependerá do caminho… já percorrido pelos miúdos e de quem os acompanha na leitura (e no resto). “A verdade é que ninguém caminha por nós, ninguém nos oferece os caminhos feitos, muitas vezes tão cheios de indicações contraditórias e confusas que é preciso revermos os nossos passos e começarmos de novo. Partindo de outro ângulo, usando outro calçado, renovando a água do nosso cantil, despedindo-nos com gentileza do que deve ficar para trás”, dirá o autor, que desvenda a sua própria história: “Até aos 5 anos vivi numa casa com vários cães, com cheiro a campo e a chuva, para onde o meu pai levava cada animal que encontrava: uma coruja ferida, uma pequena raposa, uma galinha preta que cacarejava à noite ou uma tartaruga enorme. Sobre cada uma dessas criaturas o meu pai inventava uma história para adormecer os três filhos.”

Uma reflexão profunda, descrita de forma simples, a que Yara Kono correspondeu com imagens coloridas e brincalhonas. Estão no bom caminho…

O Caminho
Texto: Mario Satz
Ilustração: Yara Kono
Tradução: Beatriz Carvalho
Edição: Akiara Books
40 págs., 14,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 3 de Agosto de 2019.)

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A coragem de rumar às estrelas

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Uma viagem atribulada, mas com final feliz, inspirada na história da primeira mulher astronauta e a única que foi ao espaço sozinha, a russa Valentina Vladimirovna Tereskhova.

Em 1963, completou 48 órbitas em 71 horas, aos comandos da nave espacial Vostok 6. O regresso da viagem foi particularmente difícil, já que Valentina, devido ao vento, esteve prestes a cair num lago gelado. O livro reproduz este episódio da sua vida, mas protagonizado por Valentina ainda criança e numa brincadeira doméstica imaginativa.

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Apaixonada pelo céu, num dia de eclipse solar, a menina preparou-se para rumar às estrelas. Equipamento: fato de ir à neve, capacete da bicicleta envolvido em papel de prata e óculos de natação. Nave: armário da lavandaria, com autocolantes fluorescentes a reproduzir os planetas do sistema solar. Painel de comando: brinquedos velhos que ainda tinham pilhas e piscavam. A máquina de lavar roupa em centrifugação máxima faria o resto. “Um pequeno passo para uma miúda, um grande passo para a humanidade!”

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Uma história em que a autora, Andreia Nunes, dá às crianças a força de acreditar que realizarão os seus desejos. Rachel Caiano, com as suas ilustrações serenas, enriquece a narrativa sem se lhe sobrepor. Uma complementaridade feliz.

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Texto: Andreia Nunes
Ilustração: Rachel Caiano
Edição: Caminho
32 págs., 10,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 27 de Julho de 2019.)

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Oliver Jeffers dá as boas-vindas ao filho

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Mais um livro que espelha a delicadeza e talento de Oliver Jeffers, autor de O Incrível Rapaz Que Comia Livros, O Coração e a Garrafa, Perdido e Achado, entre outros.

Nesta obra, a sensibilidade avoluma-se porque foi pensada e criada para o filho do autor, como se explica antes de entrarmos com um olhar renovado no planeta Terra: “Para o meu filho, Harland. Este livro foi escrito nos dois primeiros meses da tua vida, enquanto eu procurava uma maneira de te explicar o sentido de tudo isto. Estas são as coisas que eu acho que precisas de saber.”

E começa pelo desenho do “nosso sistema solar”, indicando com uma seta o globo terrestre: “Aqui estamos nós.” Nas páginas seguintes, dá as boas-vindas ao rapaz, que poderia ser um bebé acabado de nascer em qualquer lugar do mundo: “Ora então, olá. Bem-vindo a este planeta. Nós chamamos-lhe Terra. É o grande globo, a flutuar no espaço, onde nós vivemos.”

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Dará então início a uma visita guiada, em que às características morfológicas e geográficas (terra, mar, plano, seco…) junta a descrição do céu e da atmosfera (constelações, “desenhos de estrelas”; chuva, “água a cair”). Mais adiante, chega aos seres humanos: “Cada um desses seres é uma pessoa. Tu és uma pessoa. E tens um corpo.” Segue-se uma primeira lição: “Toma bem conta dele, pois há poucas partes que voltem a crescer.”

Há-de haver mais lições, sobre a diversidade dos humanos, “há pessoas de todas as formas, tamanhos e cores. Podemos parecer diferentes, fazer coisas e sons diferentes… mas não te deixes enganar, somos todos pessoas”, e dos animais: “Eles não falam, mas isso não quer dizer que não devamos tratá-los bem.”

O autor-pai aproveita a descrição das diferentes “velocidades” do tempo para sugerir que o use bem. “Ele acaba antes que dês por isso.”

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No final, dá-lhe a conhecer valores maiores: “Parece grande, a Terra. Mas somos muitos a viver aqui, portanto sê gentil.” Diz-lhe ainda que pode contar com ele e com os outros. “Nunca estás sozinho na Terra.”

Harland, por esta altura, já terá dois anos. Teremos de esperar para saber como reagirá a tão bela recepção ao nosso mundo. E “aqui estamos nós” a querer acreditar que nos vai ajudar a melhorá-lo.

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Texto e ilustração: Oliver Jeffers
Tradução: Rui Lopes
Revisão: João Berhan
Edição: Orfeu Negro
48 págs., 15€

(Texto divulgado no Público de 29 de Junho de 2019.)

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Aqui fica a página completa, sempre com sugestões de actividades do Guia do Lazer.

Agustina para menores de 18

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Este texto de Agustina Bessa-Luís, com ilustrações da sua filha, Mónica Baldaque, foi escrito em 1983 e já teve várias edições. A que aqui se divulga data de 2010. É uma “quase autobiografia” da escritora, que fala pela voz de Lourença, uma criança que “o que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir. Mas não dormia. Fechava os olhos e acontecia-lhe então uma aventura bonita, e conhecia gente maravilhosa”.

Chamavam-lhe “Dentes de Rato” porque “os dentes dela eram pequenos e finos, e pela mania que ela tinha de morder a fruta que estava na fruteira e deixar lá os dentes marcados”. Não tinha o comportamento esperado para uma menina.

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Logo no arranque se reconhece a rebeldia de Agustina. “Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habilidades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um bocado infeliz para aprender, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborrecidas e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível.”

Neste conto, encontramos muitos dos temas ancorados na infância e que explorou nas suas obras para adultos: as constantes mudanças de casa, por causa do trabalho do pai (“uma pessoa um bocado doutro tempo e que falava de coisas completamente desinteressantes”), a ligação à natureza e o seu amor pelo Norte.  Continuar a ler

A magia das mães (de quase todas)

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Homenagear as mães (as que merecem) é o objectivo deste livro, que tem a particularidade feliz de ter sido criado por duas irmãs, Sabrina Moyle e Eunice Moyle. Uma escreve, outra ilustra. Também já assinaram o livro O Meu Pai É Incrível!, o que nos faz continuar a acreditar na importância da família e no seu papel na educação de todos nós.

Juntas, as irmãs lançaram há uma década a Hello! Lucky, uma empresa de design gráfico. Além de livros, editam e publicam postais de aniversário, que são um grande sucesso comercial. A família continua a dar-se bem. Gostamos disso.

Vamos ao livro. Em curtas frases descreve-se as qualidades desta mãe (e de outras): seja no conhecimento (“mais inteligente do que uma turma de corujas”), no afecto (“mais calorosa do que o próprio Verão!” e “mais adorável do que um iaque da montanha!”) ou na magia (“mais mágica do que uma centena de arco-íris”).

Há ainda a parte humorística (“mais divertida do que uma banda de bananas”) e o lado “fixe”, como o que a compara a “uma estrela disco-rock” e em que a vemos cheia de estilo a tocar guitarra eléctrica. Tudo sempre com muito (excessivo?) cor-de-rosa.

Para que se perceba o garrido, quase berrante, das ilustrações do livro, há que ter em conta que as autoras se inspiram na cultura pop asiática, algo psicadélica à luz de outros padrões culturais. O que também as motiva, e que devia ser universal, é o “optimismo, o humor e a bondade”.

No final, a homenagem maior: “Para a nossa mãe, Emily. Mais sábia do que um feiticeiro. Mais destemida do que um tigre. Mais transparente do que uma bola de cristal.” Para terminar em grande: “E agora que somos mães, percebemos o quão mágica ela é!” Pois.

A Minha Mãe É Mágica!
Texto: Sabrina Moyle
Ilustração: Eunice Moyle
Edição: Booksmile
32 págs., 12,69€

(Texto divulgado na página Crianças do Público, edição de 4 de Maio de 2019.)

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Aqui fica a página completa, com as sugestões do Guia do Lazer e com destaque para a I Edição do Onomatopeia — Festival de Literatura Infanto-Juvenil de Valongo.

O desconserto e a euforia do amor

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Resumo na contracapa: “Metade deste livro fala de amor e a outra metade também. A meia voz, a meia luz, sem meias palavras nem meios termos, um menino faz a sua primeira declaração de amor.” Para se perguntar depois: “Quem nunca esteve apaixonado? Quem nunca acordou meio estremunhado, a meio de uma frase, e teve vontade de correr meio mundo pela sua cara-metade?”

Está dado o tom feliz do que se passa lá (e cá) dentro. Um jogo eficaz de palavras, que são lançadas num ritmo acelerado, como um coração apaixonado que palpita a grande velocidade. Ora escutem: “Passei a manhã a meio gás. Meia carcaça numa bochecha, meio copo de leite na outra, perdido, meio cá, meio lá, pois nada em mim queria saber do mundo, quanto mais de carcaças ou de leite (só de ti).”

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Também as ilustrações funcionam como peças que procuram encaixar-se, algumas até trazem recados inscritos. [Não é o caso da que trazemos aqui… terão de ver o livro em papel.]

Voltemos ao menino apaixonado: “Metade de mim queria acreditar que sim, a outra metade gritava que não, mas lá fui partido ao meio/ despenteado/ uma meia de cada cor (reparei depois)/ ao teu encontro, eu que há meio século não pensava noutra coisa senão (em ti).”

O encontro lá se deu e a coragem não faltou. Resultado: “… era já perto da meia-noite, mas em mim o sol brilhava como se fosse meio-dia”.

Um livro romântico, sim, mas não piegas e que traduz bem o desconserto e euforia de quem se apaixona. Tenha a idade que tiver.

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Texto: Isabel Minhós Martins
Ilustração: Madalena Matoso
Edição: Planeta Tangerina
40 págs., 12,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 2 de Março, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, muito bem composta por Sandra Silva com as ilustrações de Madalena Matoso.

A Bruxa Mimi quer dar prendas ao Pai Natal

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Quem já conhece estas personagens trapalhonas, Bruxa Mimi e gato Rogério, não ficará admirado com as suas peripécias. As que aqui se relatam acontecem por alturas do Natal.

Há que admitir que é uma dupla bem-intencionada, mas que torna sempre difícil, complicado e inesperado qualquer acontecimento ou propósito, por mais simples que aparente ser.

Em contagem decrescente para a noite de Natal, a bruxa e o gato disputam a abertura das janelas do calendário do Advento. “— Ei, abriste a porta de ontem! — queixou-se a Mimi. — Hoje é a minha vez. Dá cá isso!

No meio destes desentendimentos divertidos, lembram-se de que o Pai Natal, certamente, também gostaria de receber presentes. Lançam-se então em toda uma empreitada de pedidos de conselhos a adultos e crianças, na construção de prendas, confecção de doces e na invenção de um comboio voador que há-de transformar-se em trenó.

Depois de tudo embrulhado e empilhado, aí vão eles rumo ao polo… Sul. Só irão aperceber-se de que se enganaram no hemisfério quando se virem rodeados de pinguins.

Ainda assim, tiveram de se socorrer do “tabletezinho” do Rogério, o PataTec. Foi através dele que descobriram estar, afinal, na latitude errada. Já se adivinha que irão conseguir chegar ao destino e alegrar o Pai Natal. Pelo meio, haverá foguetes, patinagem no gelo e altos voos.

Mais um livro com a magia especial que só a amizade, a partilha e o humor conseguem.

Mimi e Rogério — Uma Surpresa para o Pai Natal
Texto: Laura Owen
Ilustração: Korky Paul
Tradução: Elisabete Lucas
Edição: Gradiva
128 págs.; 10,50€

Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 22 de Dezembro. Porque é Natal.

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A página completa foi publicada assim (tão gira!). Com duas sugestões de agenda natalícia do Guia do Lazer.

Para conhecer melhor o trabalho de Korky Paul, ponha-se a caminho.

P de Porquê é um programa-podcast da Rádio Miúdos e do PÚBLICO

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A Rádio Miúdos é agora (ainda mais) parceira do PÚBLICO. P de Porquê lança podcasts com notícias descodificadas para os mais novos (e explicadas por eles mesmos). Informação mais completa aqui.

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Foi assim que tudo começou… em Dezembro de 2016. O ponto de partida foi uma reportagem que fizemos com Vera Moutinho.

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Estamos muito contentes. :)

O Letra pequena já tem dez anos…

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… desde ontem. (Continuamos a actualizar tudo muito devagarinho… Na verdade, gostamos de não ter pressa.)

Tudo começou por sugestão do amigo Sérgio B. Gomes e pelo apoio do amigo Vítor Gaspar, que desenhou o primeiro logótipo e topo do blogue. Obrigada a ambos.

Obrigada também a quem continua aí desse lado. Gostamos que nos visitem.

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Outros separadores que entretanto foram substituídos. (Mas continuamos a gostar deles.)

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Mais materiais gráficos.

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Aqui em baixo, para o Dia da Liberdade (25 de Abril).

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Para o Natal e Ano Novo.

Boas FestasLP

E chega de nostalgia… :)

 ♫♬♫♬ Parabéns a você ♫♬♫♬

Truz-truz, quem é?

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Já toda a gente disse, escutou e brincou com a expressão “truz-truz, quem é?” Neste livro, cria-se uma espécie de lengalenga em rima, que vai repetindo a pergunta e dando a conhecer quem bate à porta de uma casa.

Tanto pode ser “uma menina pequenina que tem uma meia rota no pé”, como “a gata da vizinha que fugiu pela chaminé”, como “o senhor Inácio que se esqueceu de comprar café”  ou ainda “o Zé que vem da escola, com a bola a pontapé”.

Com capa em formato de porta, Truz-Truz é a primeira obra conjunta do casal de ilustradores Natalina Cóias e Paulo Galindro. Outros títulos bastante conhecidos assinados por um e outro são: O Cuquedo (Paulo Galindro) e Feliz Natal, Lobo Mau (Natalina Cóias), ambos escritos por Clara Cunha.

O casal esteve recentemente em Timor (a convite do Centro Cultural Português em Díli/Instituto Camões e com o apoio da Fundação Oriente) a organizar uma série de oficinas de ilustração em várias escolas, algumas delas de muito difícil acesso.

Com esta missão, a que chamaram “A Odisseia de Paulo e Natalina”, terão conseguido explorar o tema dos direitos humanos com mais de 1500 crianças.

Na próxima terça-feira (dia 23 de Outubro), às 18h, a obra é apresentada pela escritora Luísa Ducla Soares, em Lisboa, na Livraria Almedina Rato (Rua da Escola Politécnica, 225).

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(Foto proveniente do mural de Facebook de Paulo Galindro)

Os originais de Truz-Truz vão estar no encontro Braga em Risco, sendo a exposição inaugurada no dia 3 de Novembro, às 10h, Edifício do Castelo.  No dia seguinte, às 16 horas, os autores vão apresentar o livro e fazer, em separado, duas oficinas de ilustração — Oficinas do Risco. A mostra permanecerá até dia 24 de Novembro.

No final da história, ficamos a saber o que se passou com cada um dos visitantes de uma casa que acolhe todos os vizinhos e amigos. E também alguns animais.

Cosi a meia da menina, com uma linha bem fininha. Entreguei a gata perdida à rabugenta da vizinha.” / “Com uma linda cantilena adormeci o bebé… e aos ratinhos ofereci queijo de ovelha… Méééé!!!” / “À mesa, comemos os doces de amêndoa com café. Varri lá para fora as folhas do sopé… e fui lá para fora jogar à bola com o Zé!”

Natalina Cóias é também educadora de Infância. “O seu mundo e o mundo das crianças é exactamente o mesmo, e é no universo delas que se inspira todos os dias, em tudo o que faz. Da intensidade do contacto diário com estes seres mágicos, pequenos no tamanho mas infinitamente grandes em imaginação e coração nasceram outras paixões: a ilustração e a escrita.”

Paulo Galindro é também arquitecto, “tudo começou aos quatro anos, num bailado de menino pintor em cima de um lençol de papel, ao som das máquinas de impressão da gráfica onde o seu pai António trabalhava”.

Juntos criaram este livro bem-humorado, no texto e nas ilustrações. Como se lê na capa “uma história escrita por Natalina Cóias e pintada, cortada e colada por Paulo Galindro”.

Agora, é a nós que cabe abrir-lhes a porta.

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Texto: Natalina Cóias
Ilustração: Paulo Galindro
Edição: Minotauro
36 págs., 12,90€

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Aqui fica a página Crianças completa, divulgada no Público de dia 20 de Outubro, com destaque de agenda para o Festival Read On.

Para conhecer melhor Paulo Galindro, siga-nos. Para ver as os trabalhos de Natalina Cóias, este é o caminho.

Há diferenças na minha rua. E na tua?

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Este livro integra a colecção Na Minha Rua, uma parceria entre a editora Zero a Oito e a RTP (em que se inclui o programa ZigZag).

No lançamento, em Lisboa, foi dito que “é uma colecção pautada por preocupações presentes na sociedade actual e pela luta pela aceitação da diferença e tolerância à diversidade” e que “pretende, com a abordagem de temas difíceis, sensibilizar o público mais novo, fazendo-o conviver com a diferença desde cedo”.

António Mota cumpriu com talento estes pressupostos, ao criar uma história protagonizada por uma menina que vive na ambiguidade de gostar da irmã, mas de também ter momentos em que preferia que ela não existisse. Entre vários motivos, porque têm de partilhar o quarto e porque Sara tem alergia a gatos. Assim, ela, a Catarina, não pode ter um bichano. E até já tinha um nome para lhe dar: Conde.

Eu tinha estes pensamentos quando morávamos na Avenida das Rosas, número 2236, no décimo terceiro esquerdo. Mas não os contava a ninguém. Bem, a Tala era a única que sabia tudo”, confessa a menina. Mas Tala é “apenas” uma boneca. A vida desta família vai mudar e as irmãs serão obrigadas a separar-se temporariamente. Catarina vai ter muitas saudades da mana e até sentirá a falta de a ouvir respirar à noite, “e não me importava de a ouvir tossir”.

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Uma história de emigração, separação e adaptação, contada com sensibilidade.

As ilustrações oferecem um ambiente ternurento e envolvente, misturando com eficácia diferentes registos. Nalgumas páginas, o texto é pouco legível, não só porque surge impresso sobre fundos com padrão, como tem linhas demasiado longas, com muitas palavras, obrigando a uma leitura lenta e pouco confortável.

A colecção já conta com mais dois títulos: Chovem Cães e Gatos (texto de Patrícia Muller e ilustração de Marta Carvalho) e Rua do Silêncio (texto de Margarida Fonseca Santos e ilustração de Carla Nazareth).

Quanto à pequena Catarina, habita agora o n.º 1 da Rua do Castanheiro: “Todas as noites vejo se a orquídea azul da minha mãe está de boa saúde, e depois ponho na sua caminha o gato que a avó me deu. E digo: Durma bem e tenha sonhos bonitos’!” Mas antes, através de um smartphone, “visita” sempre a irmã. E nunca lhe apetece desligar.

O Gato e a Orquídea
Texto: António Mota
Ilustração: Joana Quental
Edição: Zero a Oito
30 págs., 9,99€

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Aqui fica a página divulgada na edição do Público de 2 de Junho de 2018. Para conhecer todos os títulos já publicados entretanto na colecção, venha por aqui.

Ilustrarte: olhar para o boneco em Castelo Branco

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As 150 ilustrações seleccionadas entre os trabalhos de 3 mil artistas de 105 países vão continuar expostas no Centro de Cultura Contemporânea. Até dia 7 de Outubro, é tempo de olhar para o boneco. E fruir.

Logo à entrada da exposição, os trabalhos de Yuxing Li, a vencedora da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2018, convidam à preguiça. As imagens ilustram o livro Hoje Estou Livre. Um elogio ao nada fazer e à importância do tempo livre, como explica a ilustradora sino-alemã: “Quis coleccionar momentos confortáveis e de repouso, para criar sentimentos de calma e relaxamento.” Conseguiu.

Podem ler mais aqui.

 

Imagine-se um mundo sem mapas…

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… é uma das propostas deste Atlas das Viagens e dos Exploradores.

Um atlas de capa vistosa que tem um longo e esclarecedor subtítulo: “As viagens de monges, naturalistas e outros viajantes de todos os tempos e lugares”. E é mesmo isso que vamos encontrar lá dentro.

Na contracapa, explica-se: “Há poucos séculos, não conhecíamos os limites do planeta e muitas áreas do mundo continuavam isoladas, sem ligação umas com as outras. Desconhecíamos não apenas as terras e as espécies que existiam noutras regiões, mas também as outras pessoas e as suas culturas. Para sabermos o que era o mundo, tivemos de nos fazer ao caminho: de burro, de camelo, de barco ou a pé, saímos de casa rumo ao desconhecido e regressámos com as novidades espantosas de outros lugares. As viagens de monges, botânicos, comerciantes, marinheiros ou artistas deram contributos importantes para conhecermos melhor o planeta e sabermos da existência uns dos outros. Estes viajantes — de todos os tempos e lugares — são as personagens principais deste livro, onde não faltam mapas e muitas, muitas aventuras.”

À entrada, propõe-se ao leitor um desafio: “Ainda conseguimos imaginar um mundo sem mapas?” “E um mundo sem os outros?” Seguem-se mais, obrigando-nos a sair do lugar e assim compreendermos melhor a nossa identidade e a crescermos na relação com os outros.

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Depois, pomo-nos a caminho por um livro cheio de histórias e geografias curiosas e inesperadas, tudo num ambiente ora colorido, ora a preto e branco.

Há alertas importantes e interessantes, como “os exploradores mais famosos podem não ter sido os primeiros a chegar” ou a reflexão sobre a palavra certa: “descoberta” ou “exploração”?

Não será um livro de fácil leitura para algumas crianças, mas para isso é que os adultos (também) servem. Juntos irão certamente fazer grandes descobertas. E nunca mais olharão para o GPS da mesma maneira. Nem para o mundo.

Atlas das Viagens e dos Exploradores
Texto: Isabel Minhós Martins
Ilustração: Bernardo P. Carvalho
Edição: Planeta Tangerina
140 págs., 24,90€

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Aqui fica a página Crianças divulgada na edição do Público de 26 de Maio de 2018. (Paginação de Sandra Silva.)