Há diferenças na minha rua. E na tua?

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Este livro integra a colecção Na Minha Rua, uma parceria entre a editora Zero a Oito e a RTP (em que se inclui o programa ZigZag).

No lançamento, em Lisboa, foi dito que “é uma colecção pautada por preocupações presentes na sociedade actual e pela luta pela aceitação da diferença e tolerância à diversidade” e que “pretende, com a abordagem de temas difíceis, sensibilizar o público mais novo, fazendo-o conviver com a diferença desde cedo”.

António Mota cumpriu com talento estes pressupostos, ao criar uma história protagonizada por uma menina que vive na ambiguidade de gostar da irmã, mas de também ter momentos em que preferia que ela não existisse. Entre vários motivos, porque têm de partilhar o quarto e porque Sara tem alergia a gatos. Assim, ela, a Catarina, não pode ter um bichano. E até já tinha um nome para lhe dar: Conde.

Eu tinha estes pensamentos quando morávamos na Avenida das Rosas, número 2236, no décimo terceiro esquerdo. Mas não os contava a ninguém. Bem, a Tala era a única que sabia tudo”, confessa a menina. Mas Tala é “apenas” uma boneca. A vida desta família vai mudar e as irmãs serão obrigadas a separar-se temporariamente. Catarina vai ter muitas saudades da mana e até sentirá a falta de a ouvir respirar à noite, “e não me importava de a ouvir tossir”.

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Uma história de emigração, separação e adaptação, contada com sensibilidade.

As ilustrações oferecem um ambiente ternurento e envolvente, misturando com eficácia diferentes registos. Nalgumas páginas, o texto é pouco legível, não só porque surge impresso sobre fundos com padrão, como tem linhas demasiado longas, com muitas palavras, obrigando a uma leitura lenta e pouco confortável.

A colecção já conta com mais dois títulos: Chovem Cães e Gatos (texto de Patrícia Muller e ilustração de Marta Carvalho) e Rua do Silêncio (texto de Margarida Fonseca Santos e ilustração de Carla Nazareth).

Quanto à pequena Catarina, habita agora o n.º 1 da Rua do Castanheiro: “Todas as noites vejo se a orquídea azul da minha mãe está de boa saúde, e depois ponho na sua caminha o gato que a avó me deu. E digo: Durma bem e tenha sonhos bonitos’!” Mas antes, através de um smartphone, “visita” sempre a irmã. E nunca lhe apetece desligar.

O Gato e a Orquídea
Texto: António Mota
Ilustração: Joana Quental
Edição: Zero a Oito
30 págs., 9,99€

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Aqui fica a página divulgada na edição do Público de 2 de Junho de 2018. Para conhecer todos os títulos já publicados entretanto na colecção, venha por aqui.

Ilustrarte: olhar para o boneco em Castelo Branco

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As 150 ilustrações seleccionadas entre os trabalhos de 3 mil artistas de 105 países vão continuar expostas no Centro de Cultura Contemporânea. Até dia 7 de Outubro, é tempo de olhar para o boneco. E fruir.

Logo à entrada da exposição, os trabalhos de Yuxing Li, a vencedora da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2018, convidam à preguiça. As imagens ilustram o livro Hoje Estou Livre. Um elogio ao nada fazer e à importância do tempo livre, como explica a ilustradora sino-alemã: “Quis coleccionar momentos confortáveis e de repouso, para criar sentimentos de calma e relaxamento.” Conseguiu.

Podem ler mais aqui.

 

Imagine-se um mundo sem mapas…

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… é uma das propostas deste Atlas das Viagens e dos Exploradores.

Um atlas de capa vistosa que tem um longo e esclarecedor subtítulo: “As viagens de monges, naturalistas e outros viajantes de todos os tempos e lugares”. E é mesmo isso que vamos encontrar lá dentro.

Na contracapa, explica-se: “Há poucos séculos, não conhecíamos os limites do planeta e muitas áreas do mundo continuavam isoladas, sem ligação umas com as outras. Desconhecíamos não apenas as terras e as espécies que existiam noutras regiões, mas também as outras pessoas e as suas culturas. Para sabermos o que era o mundo, tivemos de nos fazer ao caminho: de burro, de camelo, de barco ou a pé, saímos de casa rumo ao desconhecido e regressámos com as novidades espantosas de outros lugares. As viagens de monges, botânicos, comerciantes, marinheiros ou artistas deram contributos importantes para conhecermos melhor o planeta e sabermos da existência uns dos outros. Estes viajantes — de todos os tempos e lugares — são as personagens principais deste livro, onde não faltam mapas e muitas, muitas aventuras.”

À entrada, propõe-se ao leitor um desafio: “Ainda conseguimos imaginar um mundo sem mapas?” “E um mundo sem os outros?” Seguem-se mais, obrigando-nos a sair do lugar e assim compreendermos melhor a nossa identidade e a crescermos na relação com os outros.

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Depois, pomo-nos a caminho por um livro cheio de histórias e geografias curiosas e inesperadas, tudo num ambiente ora colorido, ora a preto e branco.

Há alertas importantes e interessantes, como “os exploradores mais famosos podem não ter sido os primeiros a chegar” ou a reflexão sobre a palavra certa: “descoberta” ou “exploração”?

Não será um livro de fácil leitura para algumas crianças, mas para isso é que os adultos (também) servem. Juntos irão certamente fazer grandes descobertas. E nunca mais olharão para o GPS da mesma maneira. Nem para o mundo.

Atlas das Viagens e dos Exploradores
Texto: Isabel Minhós Martins
Ilustração: Bernardo P. Carvalho
Edição: Planeta Tangerina
140 págs., 24,90€

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Aqui fica a página Crianças divulgada na edição do Público de 26 de Maio de 2018. (Paginação de Sandra Silva.)

O Sr. Solitário empacotou tudo (menos o amor)

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“Na casa n.º 89 da pequena vila das 3 colinas vivia um senhor. Os vizinhos chamavam-lhe o ‘Sr. Solitário’.” Assim começa o livro A Incrível História do Sr. Solitário.

Como se depreende facilmente pelo nome, aquele homem morava sozinho. Em rigor, vivia com a sua paixão, “coleccionar coisas”. Das mais insignificantes às mais incríveis. Mas um dia sentiu-se “aprisionado na sua colecção” e resolveu empacotar tudo, por tamanhos. Apercebeu-se depois de que algo pequenino tinha ficado esquecido numa prateleira. Algo de que não se lembrava de quando teria usado pela última vez. Tentou empacotá-lo, mas ele cresceu, cresceu e expulsou-o de casa.

“Na manhã seguinte, o Sr. Solitário acordou a pensar no que tinha acontecido. Se não conseguia viver com um amor tão grande, tinha de fazer uma coisa: partilhar.” O autor, Elias Gato, disse ao PÚBLICO não saber ao certo como lhe surgiu este homem solitário: “Penso que na altura (na faculdade) me surgiu esta ideia de caixa como forma de empacotar coisas/memórias. Acontecia muito comigo, por ser um estudante deslocado e estar sempre a mudar de poiso.”

E acrescentou: “Uma noite, uma pessoa pediu-me que lhe contasse uma história antes de adormecer, e eu comecei a improvisar uma história que se tornaria mais tarde em A Incrível História do Sr. Solitário. Lembro-me de estar a contar a história e ao mesmo tempo sentir um êxtase tremendo por tudo aquilo estar a fazer sentido e poder sair dali algo em que poderia trabalhar. Nessa altura não sabia nada sobre ilustração infantil, paginação, impressão, etc. Na minha ingenuidade, comecei esta odisseia de criar o meu primeiro livro ilustrado.”

Fez bem. O livro tem graça.

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O autor explicou ainda que técnicas e materiais usou para dar vida ao Sr. Solitário: “As ilustrações foram feitas em técnica mista sobre papel, principalmente com recurso à colagem, ao frottage e aos materiais riscadores. Grande parte do material utilizado para a colagem já o tinha comigo: revistas, cadernos quadriculados e pautados, posters, etc; ao que acrescentei: guardanapos, papel de mesa e papel de rolo de máquina.”

O resultado pode ser adquirido por correio postal ou por entrega em mão (para quem estiver em Lisboa ou no Sotavento Algarvio), sendo as encomendas feitas através do email (eliasrngato@gmail.com) e da página de Facebook de Elias Gato.

O livro cabe numa caixa, mas também pode ser partilhado. Por isso o damos a conhecer na voz do autor, numa realização de Sibila Lind para o projecto Livros para Escutar do blogue Letra Pequena/ PÚBLICO, com o título “O Sr. Solitário descobriu o amor (e partilhou-o)”.

A Incrível História do Sr. Solitário
Texto e ilustração: Elias Gato
Revisão: Rui Bastos
Edição: de autor
44 págs., 10€+despesas de envio

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Aqui fica também a página Crianças divulgada no Público de 19 de Maio de 2018.

 

As maldades e as bondades de Malaquias…

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… são como as nossas.

Malaquias personifica uma criança, com todas as suas maldades e bondades. Tem por companhia vários amigos, que o vão ajudar a lidar com emoções – as felizes e as outras.

São eles: o macaco Gastão, a gata Metediça, o cão Óscar, a girafa Manelinha, as cadelinhas gémeas Xica Patinhas e Xica Linguiça e, finalmente, o professor leão, o Sabichão.

A colecção já vai em três volumes e foi apresentada pelo autor, Mário Cordeiro, a 10 de Maio, durante o festival Livros a Oeste, numa sessão animada para turmas de 3.º e 4.º anos do 1.º ciclo da Escola Básica da Lourinhã.

Todos temos uma parte boa, que quer ajudar os outros e tornar o mundo melhor, e uma parte menos boa, em que queremos mandar em toda a gente”, disse o pediatra no Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira. Para depois explicar às crianças que é preciso “tentar equilibrar esses sentimentos”, lembrando que “os outros também têm as suas vontades”.

Em Malaquias não Gosta de Perder, o ursinho é vencido no xadrez pela girafa e fica furioso: “É injusto. Não devia ter perdido! Que raiva!” E começa a tratar mal toda a gente, deixando tristes os amigos. O macaco Gastão perguntou-lhe: “Ela fez batota?” Malaquias teve de admitir que não. “Então jogaste mal”, concluiu o macaco. “Detesto-te, Gastão!”

Será o leão que o irá ajudar a transformar aquela energia negativa em algo de bom. O mesmo lhe sugeriram as gémeas, que o aconselharam a esforçar-se por jogar melhor xadrez. No final, Malaquias venceu o jogo. Não o de tabuleiro, mas o da raiva. Sugeriu o autor aos alunos: “Não temos de gostar de perder, mas devemos aceitar perder. Depois, pensamos em que é que falhámos e esforçamo-nos por melhorar.

No segundo volume, Malaquias rouba um chocolate à girafa. Mas não era um chocolate qualquer, viera de França e tinha-lhe sido oferecido pela madrinha. Pretexto para se falar de valor simbólico: “Há objectos, coisas que valem mais pelo valor afectivo. Aquele chocolate não era um chocolate qualquer. Não podia ser substituído por outro, mesmo que de igual sabor.” Malaquias há-de compensar Manelinha. “Assumir o erro é um acto de coragem”, disse o pediatra. E Malaquias é corajoso, como demonstrará em Malaquias Vence o Medo.

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Os livros têm no final uma breve explicação do sentimento explorado e pistas para pais e educadores se orientarem a ajudar os mais novos a ser felizes.

As ilustrações de Raquel Santos são expressivas na sua simplicidade, não desviando o pequeno leitor do essencial e levando-o a simpatizar com todas as personagens, apesar das suas contradições. O humor também lá mora. Ganhamos todos.

Malaquias não Gosta de Perder / Malaquias não Resiste a Um Chocolate
Texto: Mário Cordeiro
Ilustração: Raquel Santos
Edição: Porto Editora
32 págs., 10,90€

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Página completa, com sugestões de actividades culturais para toda a família, via Guia do Lazer. Destaque para o festival Livros a Oeste.

Porque hoje é Dia da Mãe

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Porque se assinala neste 6 de Maio o Dia da Mãe, aqui fica uma sugestão para fazer as famílias felizes. Neste livro, o autor é a criança, que vai contar a história da sua relação com a mãe. Não só vai contá-la, como ilustrá-la.

Para tal, precisará da ajuda de um adulto. Mas atenção que ajudar não é substituir. Por isso, no início há uma advertência pertinente: “Mãe, pai, avô, avó, tio, tia, como responsável pelo pequeno autor, só tem uma tarefa: deixá-lo criar.” Nem mais.

Diz-se ainda: “Ajude-o em tudo o que ele pedir, inspire-o se for preciso, mas, sobretudo, deixe que seja ele o protagonista. Esta é a sua história.” Também não vale querer que tudo fique direitinho, limpo e perfeito. Se o resultado é importante, aqui o processo ainda é mais, já que o miúdo está a construir um livro feito de memórias: as dele, as da mãe e as de ambos.

Pelo meio, irá ainda ser obrigado a reflectir sobre o seu comportamento. Primeiro desafio: “Era uma vez… a história de como te tornaste minha mãe.” Seguem-se páginas com molduras para ali serem colocadas fotografias dos dois. Depois, pede-se que se complete a frase: “Uma mãe é mãe porque…” Para em seguida se enumerar as coisas que a fazem zangar. A dada altura, há que explicar os superpoderes da Supermãe!

Mais adiante, a criança é convidada a recortar, a desenhar e a decorar as páginas do livro, onde não faltam corações construídos com materiais variados. A representação mais universal do amor. Se os miúdos não conseguirem preencher todo o livro antes de o oferecerem, podem muito bem completá- lo com a própria mãe, num exercício feliz de recordação, descoberta e cumplicidade familiar. Escolherem juntos a melhor fotografia ou a pior pode resultar em momentos muito divertidos.

A primeira instrução para o pequeno autor é esta: “Preenche cada uma das páginas com o que sair do teu coração, conta as coisas divertidas, sérias e importantes que queres que a tua mãe saiba.” Na última instrução, sugere-se que se embrulhe o livro num papel bonito. Depois, acrescenta-se: “Agora já podes oferecê-lo à melhor mãe do mundo: a tua.”

Há também a versão O Meu Pai É o Melhor do Mundo. Mas essa fica para outro dia…

A Minha Mãe É a Melhor do Mundo
Direitos e tradução: Penguin Random House
Capa e paginação: Montse Martin
Edição: Arena
96 págs., 10,95€

(Texto divulgado na edição do Público de 5 de Maio, página Crianças.)

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Eis a página completa, com as habituais sugestões de actividades em família, com a colaboração do Guia do Lazer.

Grandes mundos minúsculos

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Do infinitamente pequeno… é do que trata este livro, que dá a conhecer aos mais novos o que são e onde vivem os micróbios. Na verdade, estão em todo o lado.

Descrição inicial: “Não têm olhos, cabeça nem pernas, tão-pouco têm ramos, raízes ou folhas, porque não são animais nem plantas. Mas têm vida. São micróbios… e são muitos.”

Exemplo. “Uma gota de água do mar pode chegar a conter vinte milhões de micróbios, o que é mais do dobro dos habitantes de Nova Iorque.”

Sobre os diferentes tamanhos destes seres, ensina-se que um dos mais pequenos se chama “poliovírus” e um dos maiores tem o nome “paramécia”. Sobre a forma, são comparados, por exemplo, a “margaridas”, “naves espaciais” ou a “colares” que enfeitam o pescoço.

Um livro que conquista os jovens leitores para o conhecimento científico, numa informação equilibrada e não alarmista. Ao mesmo tempo que se ensina que na nossa pele “há mais micróbios a viver do que pessoas a habitar o planeta Terra” e que na nossa barriga “vivem dez ou cem vezes mais” do que na nossa pele, também se tranquiliza o leitor: “Não fiques preocupado. Embora haja micróbios que, por vezes, te levam a adoecer, os que vivem diariamente à superfície do teu corpo e dentro de ti ajudam-te a manteres-te saudável.”

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A autora do texto, Nicolas Davies, é apaixonada pela natureza, tendo editado vários livros para crianças sobre o tema. Formada em Zoologia, com estudos específicos em baleias e morcegos, colaborou com o canal de História Natural da BBC.

Emily Sutton formou-se na Escola de Arte de Edimburgo (Escócia) e fez uma pós-graduação em ilustração. Mas também realiza trabalhos de pintura e de escultura.

Neste livro, cada uma com a sua linguagem, mostram-nos que os micróbios “são os transformadores invisíveis do nosso mundo”. E lembram-nos: “As vidas mais minúsculas têm os maiores trabalhos.”

Minúsculos — O Mundo Invisível dos Micróbios
Texto: Nicolas Davies
Tradução: Eurídice Gomes
Ilustração: Emily Sutton
Edição: Nuvem de Letras
38 págs., 16€

(Texto divulgado na edição do Público de 14 de Abril, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de actividades para toda a família. via Guia do Lazer.

Dia do Livro (o vício… deve começar na infância)

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Hoje assinala-se o Dia do Livro. Como nos disse há poucos dias Carlos Fiolhais, “quanto mais cedo se começar, melhor” e “quando se lê em criança, o cérebro cresce, desenvolve-se”. Podem ver o artigo divulgado no Público aqui. Um texto escrito a propósito dos 10 de Letra, que assinalou os dez anos de vida literária de João Manuel Ribeiro.

(Imagem aqui reproduzida da autoria de Yara Kono, claro!)

Porque não se pode ignorar o bullying

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“Quase toda a gente disse que não estava bem que o cão tivesse derrubado o rapaz e o tivesse mordido, mesmo que ele o merecesse. Se calhar tinham razão. Mas eu não podia culpar o Adão. Se fosse tão grande e forte como ele, talvez tivesse feito bem pior!”

Quem assim nos fala é Violeta, uma gata. O Adão é um cão. Já leva 12 anos de vida (se fosse um humano, tinha 84, “temos de multiplicar por 7”) e gosta de comer gotas de chuva. “Tem uma natureza poética”, diz o dono. O dono não, o “pai”. É assim que os animais se referem a Sílvio, o adulto que os acolhe em casa. Margarida é a “mãe”.

Há um terceiro “irmão”, o Zé. “É um rapaz e tem 11 anos — em anos humanos, claro. O equivalente para um cão seria menos de 2!” A Pi, irmã mais velha do Zé, completa a família. Tudo corria bem, até o rapaz começar a ter um comportamento diferente, a não se interessar pela flauta nem pelo futebol (antes, queria ser guarda-redes) e chegando a tratar mal os “irmãos” mais novos.

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Adão e Violeta não irão desistir de compreender o que se passa com o Zé nem deixarão de o ajudar a recuperar o seu “sorriso entusiasta”. É de família que se trata.

Uma história comovente sem deixar de ter momentos divertidos e que fala de um modo original dos efeitos do bullying nas crianças, que tanto as fragiliza e as torna infelizes.

O Cão Que Comia a Chuva mereceu o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância 2018, que foi entregue aos autores, Richard Zimler e Júlio Pomar, na quinta-feira passada, em Coimbra. Palavras do júri: “Um livro de artista em que convivem, magistralmente, duas narrativas — o texto e as imagens.” Tal e qual.

O Cão Que Comia a Chuva
Texto: Richard Zimler
Ilustração: Júlio Pomar
Design: Henrique Cayatte
Edição Porto Editora
48 págs., 13,30€

(Texto divulgado na edição do Público de 7 de Abril, página Crianças.)

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Página completa, com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Um elogio às hortas comunitárias

Simão

Porque já é Primavera e é tempo de semear as suas cenouras, o coelho Simão decide tratar da horta.

Começou por construir uma cerca, para delimitar o terreno, “preparou a terra”, “arranjou sementes e espalhou-as”. Depois foi regando e esperando, “e elas, pouco a pouco, foram crescendo”. Chegou então o dia de as apanhar. “Eram tantas!”

O rato Paulo ofereceu-se para ajudar o Simão, apesar de ele “não ser lá muito simpático”, e acabou por sugerir que plantassem alfaces. Veio a galinha Clara e achou que também eram “precisos tomates”, o Isidoro queria beringelas, o Tiago preferia milho, a Maria “queria morangos para a sobremesa”.

No meio da azáfama hortícola, os animais nem deram pelo desaparecimento do Simão. Ficaram então a pensar que ele tinha ficado zangado por já não ter espaço na horta para as suas cenouras. Estavam enganados. E ainda bem.

Afinal, o Simão estava a preparar uma surpresa bem simpática para os amigos agricultores…

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Um livro que elogia o trabalho colectivo e a convivência, mas também o contacto com a natureza.

A autora, argentina, diz ter-se inspirado na horta comunitária do seu bairro. A técnica usada, que a editora explica na divulgação, é a “estampagem com carimbos; um processo criativo muito trabalhoso, porque todas e cada uma das partes de todos e cada uma das personagens e dos utensílios representados foram impressos individualmente com o seu respectivo carimbo”. O resultado é muito expressivo.

Rocío Alejandro estudou Design Gráfico Publicitário, mas considera a ilustração para a infância a sua “verdadeira vocação”. A Horta do Simão  ganhou em 2017 o X Prémio Internacional de Compostela para Álbuns Ilustrados e é aconselhado a crianças com mais de cinco anos.

A autora é também professora de Ilustração Infantil no espaço Mundos Ilustrados, em Buenos Aires. Não sabemos se lança sementes à terra, mas já tem uma bela colheita de livros. E muito apetitosos.

A Horta do Simão
Texto e ilustração: Rocío Alejandro
Tradução: Elisabete Ramos
Edição: Kalandraka
44 págs., 14€

(Texto divulgado na edição do Público de 31 de Março, na página Crianças.)

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A página completa, com as habituais sugestões do Guia do Lazer.

O pequeno torna-se grande num livro*

CartazDiaLivroInfantil2018

* Título da mensagem deste ano (2018) do IBBY para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil. Da autoria da escritora Inese Zander (Letónia).

As pessoas inclinam-se para o ritmo e para o equilíbrio, tal como a energia magnética organiza as aparas de metal numa experiência da física, tal como um floco de neve forma cristais a partir da água. Num conto de fadas ou num poema, as crianças gostam de repetição, de refrãos e de temas universais, porque eles podem ser reconhecidos uma e outra vez – trazem ao texto regularidade. O mundo ganha uma ordem bonita (…)

Podem ler o resto do texto (em português) aqui; se preferirem em inglês, sigam-nos.

O cartaz português (em cima) é da autoria da ilustradora Fátima Afonso, convidada da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas por ter sido a vencedora do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado.

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O cartaz do IBBY internacional é assinado pelo ilustrador Reinis Petersons (Letónia). Conheçam-no melhor.

No dia 2 de Abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Ora aí está algo de que Letra pequena não duvida. Por isso, continua por aqui… (continuem também)

Todas as crianças são inteligentes

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Logo na capa revela-se o que está dentro do livro: “48 desafios para descobrires o Génio que tens em ti.” Mas o convite da contracapa é mais eficaz e esclarecedor: “Olá, eu sou o Génio, um monstro Genial! Adoro divertir-me e pôr-me à prova com todo o tipo de desafios. E tu? Se alguma vez pensaste que não és inteligente… Esquece!

Ali também se dá conta de que o leitor será convidado a desenhar, escrever, recortar, colar, dançar, usar o livro como uma bateria e a resolver problemas invulgares. Tudo verdade.

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Exemplo do desafio Viagem Espacial: “Imagina que vais a Marte numa nave espacial. Depois de uma longuíssima viagem, ao chegar, dás de caras com um marciano. O que fazes?” A seguir pede-se à criança para se desenhar nesse planeta. Depois, mais desenhos são sugeridos, sob o mote: “Não sabes a língua dele, mas ajeitas-te a desenhar, pelo que pegas no teu caderno e desenhas algo que signifique: ‘Venho em paz’; ‘Quero ser teu (tua) amigo(a); ‘Venho da Terra’”, entre outras tentativas de comunicação.

No exercício Um Mimo Muito Falador, explica-se inicialmente que “um mimo é um actor que se exprime por gestos”, para então se dizer à criança para observar as diferentes expressões nas imagens reproduzidas. O desafio é então descodificar o que é que o mimo sente em cada um daqueles momentos. Para isso, há que fazer corresponder a cada emoção uma frase.

As emoções registadas são: alegria, medo, surpresa, tristeza, irritação. As frases são: ganhou a lotaria, a pessoa de que ele gosta não lhe liga, acaba de ver um bicho enorme e horripilante, está há muito tempo à espera de um amigo que chega tarde, surpreendeu-se muito ao saber de uma notícia.

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Também há exercícios físicos, como o de equilibrar um livro na cabeça enquanto se passeia pelo quarto, depois pôr-lhe um lápis por cima e depois um berlinde. E ir anotando quantos segundos se aguentou sem que nada caia ao chão.

Um livro divertido e formativo baseado na teoria das inteligências múltiplas, que defende que “em todos nós há oito tipos diferentes de inteligências”, querendo a autora concluir que “não há crianças mais inteligentes que outras, mas sim crianças que têm uma ou outra inteligência em maior ou menor grau”.

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Begoña Ibarrola é psicóloga e especialista em inteligência emocional, inteligências múltiplas e musicoterapia. Foi terapeuta infantil durante 15 anos. Aqui, fornece um guia para ajudar a identificar a inteligência dominante de cada leitor.

Os miúdos vão divertir-se com uma surpresa no final e com a feliz descoberta de que também eles podem ser geniais.

Texto: Begoña Ibarrola
Ilustração: Víctor Montes
Design: Kim Amate
Adaptação: Guidesign
Edição: Planeta Júnior
112 págs., 14,41€

Texto divulgado na edição do Público de 24 de Março, na página Crianças.

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Aqui fica a página completa, com a colaboração do Guia do Lazer e as suas actividades para toda a família.