“Quebrar a cabeça” no Dia Mundial do Livro

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(Hoje, 23 de Abril, é Dia Mundial do Livro.)

Como o nome anuncia, este livro é um quebra-cabeças. Também será o que nós quisermos, basta aceitarmos o desafio do autor e desatarmos a pintar pequenas caixas de cartão ou de papel (caixas de fósforos, de pastas dentífricas, de lâmpadas, de medicamentos, de tisanas, etc, etc).

Depois de as juntarmos por tamanhos semelhantes e de lhes darmos cor, há que agrupá-las de forma a criar uma figura. “Assim que estiverem agrupadas, faz um desenho em cima delas com um pincel”, orienta o autor. “Roda as caixas e faz outros desenhos nos outros lados que ainda estiverem por preencher. E agora já podes brincar com o teu quebra-cabeças”, explica-nos Diego Bianki mais para o final do livro, depois de já nos ter conquistado com a sua arte.

O lema vem definido logo no início: recuperar, reciclar, reutilizar. Seguem-se as primeiras frases, também elas escritas em caixas pintadas. “Tu olhas para mim”, lê-se no rodapé de uma página encimada por várias caixas que compõem um homenzinho de chapéu e gravata. “Eu olho para ti”, vê-se na página seguinte, onde 16 caixas reproduzem a imagem de uma mosca de olhos muito grandes, que multiplicam a figura do homenzinho da página anterior.

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Este boneco de chapéu e gravata há-de aparecer em várias páginas mais adiante, levando-nos a ver as diferenças entre vários seres e a reflectir sobre as múltiplas identidades que o mundo nos oferece.

Na contracapa, descreve-se esta verdade: “De facto, embora sejamos tantos e pareçamos tão distintos, há algo em que somos iguais: ‘Somos todos diferentes’.” E mais esta: “Ainda que não haja um número onde caibamos todos, há porém uma palavra onde nos podemos encontrar: ‘Nós’.”

Quebra-Cabeças teve direito a uma Menção Especial na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha em 2016 na categoria de Disability. Mas o autor, argentino, já recebeu vários prémios pelos seus trabalhos, sempre muito originais e quase sempre interactivos, como o Prémio Novos Horizontes da Feira Internacional do Livro de Bolonha (2013), o Prémio Konex de Ilustração 2012.

Este professor de Desenho e também designer, na Universidade Nacional de La Plata, foi ainda seleccionado para a lista da White Ravens. Profissionalmente, é, além de ilustrador e autor de livros para crianças e jovens, director de arte da chancela Pequeño Editor.  Com tantas actividades, não admira que goste de “quebra-cabeças”.

Quebra-Cabeças
Texto e ilustração: Diego Bianki
Tradução: Ana M. Noronha
Edição: Kalandraka
56 págs., 15€

(Texto divulgado na página Crianças do Público de 22 de Abril.)

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A página completa ficou assim bonita… Com várias sugestões de actividades culturais em família. Mais informação no Guia do Lazer

Para conhecer melhor o autor e ilustrador de Quebra-Cabeças, siga por este caminho.

Boa Páscoa e… maçãs sem dentes

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Se as Maçãs Tivessem Dentes lança-nos num exercício de imaginação e diversão. Literária e estética. Também pode ser visto como uma prática gramatical da utilização do conjuntivo.

Independentemente do propósito de quem o criou, o resultado é o leitor ficar a imaginar “ses” em tudo o que tropeça. E nada tem que ver com a famosa canção “se eu fosse rico” (embora nos lembrássemos dela). Aqui, a riqueza maior é o acto de imaginar e subverter os sentidos que o mundo (real) nos oferece.

Se as maçãs tivessem dentes, as coisas seriam bem diferentes” é a frase de entrada neste imaginário, acompanhada pelo desenho do fruto a morder o nariz de um militar de olhos arregalados e bigode farto. Seguem-se ideias à volta de animais e alimentos, como “se os cogumelos tivessem cabelos, ninguém ia querer comê-los” ou “se as zebras andassem de pijama de dia, nunca ninguém notaria” (imagem aqui reproduzida).

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Há rimas mais eficazes que outras, mas no conjunto percebe-se grande cuidado na tradução. Trabalho que não vem identificado na ficha técnica, pelo que se presume ser da responsabilidade do editor, Miguel Gouveia.

O livro foi criado por um casal, Shirley Glaser escreveu e Milton Glaser ilustrou, em 1960, mas podia ter sido por estes dias. Milton Glaser “encontra-se entre os mais celebrados designers gráficos norte-americanos, co-fundou o revolucionário estúdio Pushpin em 1954, fundou a New York Magazine com Clay Felker em 1968 e funda a Milton Glaser, Inc. em 1974”.

Frase eleita deste livro: “Se pudesse ler como toda a gente, o canguru dava saltos de contente.” Se a escolha fosse diferente, não seríamos nós certamente.

Se as Maçãs Tivessem Dentes
Texto: Shirley Glaser
Ilustração: Milton Glaser
Edição Bruaá Editora
36 págs., 14€

(Texto divulgado na edição do Público de 15 de Abril, na página Crianças.)

Se quiserem folhear parte do livro, sigam-nos.

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Aqui fica a página completa, com as habituais sugestões de actividades em família. Há mais ideias no Guia do Lazer.

A gravura que invoca a Páscoa é de Vítor Gaspar, do Atelier Contraprova. Foi ele que desenhou o primeiro logótipo do Letra pequena (de que continuamos a gostar muito).

Na boca do lobo (que cheira mal)

Na Boca do Lobo

Um livro que contém poemas poemas criados a partir de expressões idiomáticas comuns, como “andar com a cabeça na lua”, “fazer uma tempestade num copo de água” ou “ir por maus caminhos”.

A que dá título à obra, “na boca do lobo”, mereceu este texto divertido de Sara Monteiro: “Na boca do lobo cheira sempre muito mal./ O lobo só come carne/ e não gosta de vegetal. // O lobo não lava os dentes/ está sempre a devorar,/ assim que abre a boca/ não se pode respirar. // Não vai ao dentista, /não come vegetal,/ não lava os dentes e por isso cheira mal.”

A cada expressão um poema que ignora o habitual sentido do seu uso e antes explora o sentido literal da frase, alargando o imaginário do leitor de modo claro e bem-disposto.

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As ilustrações de Susana Carvalhinhos emprestam cor e movimento aos poemas, sendo igualmente divertidas e alargando os universos descritos. Gostamos especialmente das que acompanham as frases “andar com a casa às costas”, “a menina dos olhos”, “cair das nuvens” e “fazer um negócio da China”.

Na Boca do Lobo integra o conjunto de novos livros infantis editados pela Associação para a Promoção Cultural da Criança, na colecção Ler com Valores, que indicam para leitores até aos 12 anos.

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Os outros títulos são Vincos (texto de Inês Fonseca Santos e ilustração de Nicolau), Cidade em Forma de Assim (João Paulo Cotrim e Rui Rasquinho) e Há Vozes no Charco (Raul Malaquias Marques e Pierre Pratt).

Vincos e Cidade em Forma de Assim assinalam os 500 anos da publicação de Utopia de Thomas Moore. Escreve a editora sobre ele: “Texto fundamental para percebermos o modo como organizamos a nossa vida comum. Mais: com ele se descobriu que haverá sempre possibilidade de sonharmos um mundo diferente.” É verdade.

Na Boca do Lobo
Texto: Sara Monteiro
Ilustração: Susana Carvalhinhos
Edição: Associação para a Promoção Cultural da Criança
40 págs., 7,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 8 de Abril, na página Crianças.) 

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Em papel, a página completa saiu assim. Com sugestões de férias ocupadas e de música recolhidas em conjunto com o Guia do Lazer.

Leve os miúdos a uma livraria

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Na véspera do Dia Internacional do Livro Infantil, divulgámos este texto. Também podem lê-lo aqui no Letra Pequena (foto da Hipopómatos na Lua, “surripiada” da página de Facebook da livraria).

A data de nascimento de Hans Christian Andersen é pretexto para lembrar a importância dos livros para crianças.

Há cada vez mais livrarias vocacionadas para o livro infantil e para a ilustração. Têm programação própria para os mais novos e para as famílias. Em ambientes coloridos, confortáveis e descontraídos, organizam-se oficinas, horas do conto, clubes de leitura. Tudo para criar nas crianças um belo vício: o dos livros e da leitura.

Se não costuma frequentar livrarias, neste fim-de-semana tem um motivo acrescido: no domingo assinala-se o Dia Internacional do Livro Infantil, data em que nasceu o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (2 de Abril de 1805). Um dia que pretende chamar a atenção para a importância da leitura e do papel fundamental dos livros para a infância. A primeira vez que se comemorou foi em 1967.

Mas todos os dias são bons para levar os miúdos às livrarias e bibliotecas e deixá-los escolher os livros que os cativam. Porque ler é bom e há que descobrir o livro certo para cada um. A partir daí, a criança dificilmente perderá o vício…  Continuar a ler

Uma floresta quer-se arrumada?

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Um texugo chamado Pedro é obcecado por limpezas e arrumações. Por isso não consegue deixar que a floresta seja o que se espera dela: um espaço natural e vivo, com a “desorganização ecológica” que lhe é característica. “Arrumava e organizava, era um fã das limpezas. Arrumava as flores, e as que eram diferentes, cortava-as logo, com a sua tesoura de dentes.

Mas não se ficava por aqui. Escovava raposas, limpava pássaros, apanhava galhos do chão, polia as rochas, limpava e lustrava. Enfim, com tanto empenho (empreendedorismo?) em arrumar e organizar, acabou por dar cabo de tudo.  Entre lama, escavadoras, betoneiras e cimento, conseguiu finalmente “uma floresta organizada”. Mas… onde estava agora o alimento?

Durante a noite, o Pedro deu voltas sem fim. Tinha a barriga vazia e pensava: ‘Pobre de mim!’ Deitado na betoneira, completamente acordado, começou a pensar: ‘Acho que estou absolutamente enganado.’” E estava. Por isso, “logo à primeira luz do dia, deitou mãos ao trabalho para salvar o que podia”.

Claro que os amigos vieram dar uma preciosa ajuda para repor a (des)ordem que uma floresta merece. “Depois vieram os animais — fracos, fortes — de todos os tipos e ajudaram-no com as patas, as garras e os bicos.”

Arrumado é uma curta narrativa que, com graça, nos convida a gostar do mundo tal como ele é. Os pequenos leitores ficam a saber que nada é perfeito, mas que há sempre possibilidade de melhorar o que nos é dado. Sem exagerar nem destruir.

A autora, Emily Gravett, venceu três vezes o prémio Kate Greenaway de ilustração. Em Portugal, já tem editados os títulos Feitiços, O Gato da Matilde, Grande Livro dos Medos do Pequeno Rato, Outra Vez! e O Lobo Não Morde! Diz a editora que Emily Gravett “está habituada aos prémios e nomeações desde a sua primeira obra em 2005 e tem-se afirmado com um estilo muito próprio”.

Nesta história “arrumada”, a autora e ilustradora valoriza a amizade e a aceitação das diferenças, num cenário de cores quentes, com personagens de rosto simpático. Um livro bonito.

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Texto e ilustração: Emily Gravett
Tradução: Francisco Ferreira 
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Edição: Livros Horizonte
36 págs., 13,90€

(Texto divulagado na edição do Público de 1 de Abril, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa. Sempre com sugestões de actividades em família. Mais ideias no Guia do Lazer.

António Mota está nos Livros para Escutar

Ninguém deixa a Inês vestir-se de azul, mas ela quer ir bonita à festa do Ricardo. É mais um Livro para Escutar do Letra Pequena, contado pelo autor, António Mota. (Também pode ser escutado e visto no site do Público.)

O conto que deu título ao livro Histórias às Cores foi lido no estúdio do PÚBLICO. Nesta história fala-se de uma menina que foi convidada para ir à festa de anos do Ricardo. “Ela gostava muito do Ricardo, queria ir muito bonita.” Mas as amigas não concordaram com a cor da roupa que Maria Inês queria usar: azul. Afinal, as cores também se discutem.

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História às cores é um dos oito textos que compõem o livro, editado pela Gailivro. Todos foram ilustrados por Paulo Galindro, que nas guardas contou com a colaboração e talento do seu filho, ainda criança, João Galindro. Imagens coloridas e com várias técnicas prendem a atenção dos pequenos leitores, convidando-os também a desenhar.

Este é o trigésimo título da colecção Obras de António Mota, que contou muitas destas histórias aos seus alunos, durante os anos em que foi professor do ensino básico.

No dia em que leu para nós, tinha vindo de Baião (onde mora) para participar na iniciativa Escritores em Belém, promovida pela Presidência da República. Para ele, também “uma história feliz e colorida”.

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Os outros contos do livro: A caixa misteriosa, Bernardo e Tomás, O melhor doce do mundo, Pescarias, Vermelhinha, madurinha, redondinha, A prenda, A bruxa, o fantasma e o monstro.  Para ler em papel.

As contradições das cidades

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Avó e neto passam o domingo juntos. Vão à igreja e depois apanham um autocarro que percorre a cidade. Saem na última paragem, que fica na Rua do Mercado. Vão à “sopa dos pobres”.

Pelo caminho, a criança vai questionando a avó: “Porque é que temos de esperar pelo autocarro debaixo de tanta chuva?”; “porque é que não temos um carro?”; “porque é que esta zona está sempre tão suja?”.

A avó vai-lhe respondendo com sentido positivo e convidando-o a ver o mundo com um olhar contemplativo e o mais feliz possível.

Sobre a chuva: “As árvores também têm sede.” Sobre o carro: “Para que precisamos de um carro, Alex. Temos um autocarro que anda a alta velocidade e o velho Sr. Dinis tem sempre um truque de magia para ti.” Sobre a sujidade da rua: “Por vezes, quando estás rodeado de lixo, consegues ver melhor as coisas belas.” Esta última frase foi dita enquanto apontava para o céu.

Um livro terno, comovente e solidário. Aqui se promove a partilha, valoriza-se o convívio com as pessoas que se cruzam nos nossos caminhos e procura-se suavizar as diferenças e injustiças de que uma criança se vai apercebendo à medida que cresce e descobre o mundo. Sem cinismo.

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A Última Paragem foi editado originalmente em 2015 e ganhou vários prémios internacionais: New York Times Book Review Notable Children’s Book de 2015, Melhor livro Infantil de 2015 pelo Wall Street Journal, Medalha Newbery 2016, Livro de Honra Coretta Scott King Illustrator 2016.

A Portugal, o livro chega pela chancela Minotauro, do Grupo Almedina, que decidiu apostar recentemente no segmento infanto-juvenil.

O ilustrador Christian Robinson, com experiência nos estúdios de animação da Pixar, colaborou na realização da Rua Sésamo e sabe representar o movimento.

Neste livro, recorre a colagens e mistura várias técnicas, conseguindo ampliar uma narrativa já de si imaginativa e sensível, convocando-nos também visualmente para o imaterial. No entanto, não deixa de nos dar um retrato das cidades de hoje. Com todas as sua cores, contradições e injustiças.

A Última Paragem
Texto: Matt de la Peña 
Tradução: Isabel Neves 
Ilustração: Christian Robinson
Edição: Minotauro/Grupo Almedina
32 págs., 10,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 25 de Março, página Crianças.)

Aqui fica um vídeo engraçado e esclarecedor (em inglês) dos autores do livro.

A página completa ficou assim. (Gira, não?) Mais sugestões de férias da Páscoa ocupadas e actividades para as crianças no Guia do Lazer.

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Os pais estão diferentes

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No domingo, 19 de Março, assinala-se o Dia do Pai. A verdade é que os pais estão diferentes de outros tempos: cuidam dos bebés, lêem-lhes histórias, não se envergonham de os beijar e abraçar em público, levam-nos ao parque e a todo o lado sem a presença das mães. Não foi sempre assim.

Porque também eles, os pais, merecem ser mimados, hoje se traz aqui um livro que pretende agradecer-lhes e lembrar-lhes que nada pode igualar a relação que mantiverem com os seus filhos. Biológicos ou não. E ninguém está à espera de perfeição.

O Meu Pai É o Melhor do Mundo é um livro-álbum pensado para ser preenchido em conjunto por crianças e adultos. Nele se pode contar a história de pai e filho e ilustrá-la com fotos, desenhos e colagens.

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O livro vai sendo completado com a informação que a criança for solicitando, até concluir a sua primeira obra. “Neste livro, vou escrever, desenhar, cortar e colar para contar a história mais bonita do mundo: a história de como te tornaste meu pai. É para te oferecer a ti, o melhor pai do mundo.” Associar livros e afectos será sempre uma prática natural.

Nada impede que parte do livro em construção seja criada com a ajuda de outro familiar e uma outra parte com a do próprio pai, criando momentos felizes de partilha, cumplicidade e criatividade.

Juntos vão reconstituir o passado do mais velho (que também foi pequenino), conversar sobre o momento em que o mais novo entrou na sua vida (e no mundo) e ainda contar o que faz dele um pai especial e único. O mesmo para o pequeno, um filho especial e único.

Em conjunto, vão visitar memórias e fazer nascer outras. Porque a história de um será sempre a história do outro.

Sugestão nas páginas iniciais: “Mãe, pai, avô, avó, tio, tia, como responsável pelo pequeno autor, só tem uma tarefa: deixá-lo criar.” É um bom princípio, a que se segue uma ressalva ainda melhor, que pede ao adulto que não tenha a tentação de substituir o miúdo e de fazer o trabalho por ele: “Ajude-o em tudo o que ele pedir, inspire-o, se for preciso, mas, sobretudo, deixe que seja ele o protagonista. Esta é a sua história.”

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Aqui, como em muitas outras coisas importantes, o processo é mais valioso que o resultado.

Lembrando que a perfeição não é deste mundo e que nas relações humanas nada está garantido, desejamos a todos um Feliz Dia do Pai.

O Meu Pai É o Melhor do Mundo
Autoria e direitos: Penguin Random House Grupo Editorial
Edição: Arena
92 págs., 10,95€

(Texto divulgado na edição do Público de 18 de Março, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de férias ocupadas para o período da Páscoa. (Atenção às datas de inscrição.) Mais informações no Guia do Lazer

Dia do Pai: mimar os pais com livros

Foto: Getty Images

Os pais que mimam também merecem ser mimados. Um pai a amparar ao colo um filho e um livro é um belo quadro. Se o livro falar sobre a relação entre ambos, fica perfeito. Seis títulos para o Dia do Pai: três recentes, três não.

01OMeuPaiÉOMelhorDoMundo 02OMeuPaiAdora-me 03AgênciaDePais

04Roald Dahl 05Adoro-tePai 06OPaiMaisHorrívelDoMundo

Ler mais no espaço Família e Relações do Público.

A leitura não é só para “betinhos” e “cromos”

As bibliotecas escolares querem tornar a leitura “uma moda persistente e boa”
Foto: Direitos Reservados

Texto divulgado na edição online do Público (dia 16 de Março)

As bibliotecas escolares querem tornar a leitura “uma moda persistente e boa”, qualquer que seja o suporte. Isto para que os alunos se tornem “bons cidadãos e não apenas pessoas cheias de conteúdos”.

A competição entre a leitura e outras actividades é muitas vezes ganha pelas outras actividades, mas as bibliotecas podem dar uma ajuda para contrariar essa prática da nova geração de alunos, habituados a “leituras fragmentadas”, diz Isabel Mendinhos, da Rede de Bibliotecas Escolares. “É importante tornar a leitura algo que não é só para ‘betinhos’ e ‘cromos’”, defende.

Ir ao encontro de problemas e interesses dos jovens e a partir daí conquistá-los para a literatura e para a poesia, mesmo que conhecida e lida através de “um qualquer aparelho electrónico”, é um dos procedimentos sugeridos por Fernando Pinto do Amaral, do Plano Nacional de Leitura. “Eles ouvem muita música. A partir das letras, podemos trazê-los para a poesia”, exemplifica.

Os alunos têm de ser “bons cidadãos e não apenas pessoas cheias de conteúdos”, defende o escritor brasileiro Clovis Levi.

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Lusofonia para menores

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Foto: Marco Duarte/NFactos

Texto divulgado na edição online do Público (dia 15 de Março)

Escritores vão levar a lusofonia aos mais novos

Durante cinco dias, escritores lusófonos de livros para a infância e juventude andam pela Grande Lisboa a motivar crianças para a leitura. Ilustradores e contadores de histórias também dão uma ajuda. Preciosa.

Está a decorrer até dia 18 de Março o 3.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia na Fundação O Século, em S. Pedro do Estoril. Depois de três dias de visitas de autores a escolas de Lisboa, Cascais, Oeiras, Sintra e Amadora, é tempo de os convidados se reunirem nesta quinta-feira na fundação e falarem do que melhor sabem: literatura para a infância e juventude. Em português.

“Estamos convencidos de que a língua portuguesa, falada por 300 milhões de pessoas no mundo, neste momento, calculando-se que serão 600 milhões no final do século, é um valor indispensável ao desenvolvimento cultural, científico e sócio-económico dos países que integram a lusofonia”, diz ao PÚBLICO o escritor José Fanha, que organiza o encontro. Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique e, claro, Portugal são os países representados.

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O responsável pela vinda de autores africanos e brasileiros a Portugal não tem dúvidas: “A literatura infanto-juvenil é uma pedra fundamental na consolidação dessa maravilhosa construção que é a lusofonia.”

Fanha espera que os encontros “consolidem o papel destes escritores, que lhes permitam conhecer, que lancem bases para discutir caminhos e estratégias no desenvolvimento da promoção da leitura e do livro”. E deseja ainda “o reconhecimento pelas autoridades políticas da importância desta literatura”, sem deixar de lamentar a falta de apoio, “que tanto tem escasseado”.

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Ritmo, brincadeira, imaginação, jogos de palavras, vocabulário rico e imagens bem-dispostas fazem de Versos Que Riem um livro de que é muito fácil gostar. Se for lido em conjunto e em voz alta, ainda se tornará mais apetitoso…

Até porque lá dentro se encontra o Restaurante da Poesia, que tem uma ementa para os dias de semana e outra para os domingos. Informa que organiza “Festas de baptizado, casamento e divórcio”.

Ali se pode beber “vinho grosso” e degustar “tainhas da Ribeira à Lagareiro com batatas a pontapé”, “sopa de letras minúsculas”, “caldo azul”, “espetada de berlindes” ou “mousse de açucenas”, entre muitas outras “iguarias poéticas” que o autor criou em conjunto com alunos de 5.º ano da Escola Básica da Madalena (em Abril de 2004).

João Pedro Mésseder é o pseudónimo de José António Gomes, professor na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, com vários livros publicados e premiados de literatura para a infância e juventude. A poesia é o seu forte.

Neste conjunto de 14 textos, quase todos poemas a rimar, tanto fala de sonhos, como de situações concretas, mas sempre com algum humor e ironia.

Vamos conhecer O João: “O João de repente dá um pontapé na gente./ O Francisco sem contar apanha e põe-se a chorar./ A Rita queria brincar mas o João não quer deixar./ A Ana já se zangou porque o João a magoou./ O Luís desenha o mar que o João vai estragar./ João, pára com isso, anda correr e brincar.”

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Reproduzimos nesta página o desenho que o João estragará. A figura que Ana Biscaia escolheu para o retratar é a de um miúdo com ar (e pala) de pirata, a fazer caretas, com a língua de fora. Apropriado.

A ilustradora e também designer já fez parceria com o escritor nos títulos Que Luz Estarias a Ler? (2014) e Poemas do Conta-Gotas (2015). Na próxima terça-feira (dia 14, às 16h30), ambos vão estar em Sintra na Casa dos Hipopómatos a falar sobre Versos Que Riem.

Depois das sessões com as escolas, Ana Biscaia dinamiza uma oficina de desenho e ilustração aberta ao público. É de aproveitar.

Versos Que Riem
Texto João Pedro Mésseder
Ilustração Ana Biscaia
Edição Calendário de Letras
32 págs., 13,78€

(Texto divulgado na edição do Público de 11 de Março, pág. Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com destaque para o atelier Rubikando, em Coimbra. Mais informações no Guia do Lazer.

Para ver outros trabalhos de Ana Biscaia, este é o caminho.

Uma amizade aquática…

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Acreditar que este é um livro de estreia de uma ilustradora não é fácil. Pelo desenho, pela síntese, pelo talento. Aquário não tem palavras, mas tem sentido e emoção. A prova de como uma ideia simples consegue chegar ao leitor mais ou menos jovem sem precisar de grandes artifícios.

Da observação das imagens, cada um pode criar a história que quiser. Esta é a nossa: uma menina vive perto de um rio, gosta de contemplar a água e de nadar. Sente-se feliz no meio dos peixes e mergulha com eles.
Um dia, um peixinho vermelho salta para a ponte onde a pequena acede ao rio. Recolhe-o, põe-no numa garrafa e corre para casa, onde procurará um recipiente o mais apropriado e confortável possível para o novo amigo.

Apesar de uma logística complexa de alimentação de água com mangueira, de tentar reproduzir o ambiente de onde ele veio e até de um banho conjunto e divertido dentro de uma banheira, aquele não era o lugar do peixinho vermelho. A menina, apercebendo-se disso mesmo, volta a pô-lo numa garrafa, corre para o rio e devolve-o a casa. À dele.

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Continuarão a ser amigos, a gostar da companhia um do outro e a nadar juntos. Tudo isto no respeito pela liberdade e meio natural de cada um. É o que se espera da amizade verdadeira.

Cynthia Alonso é Argentina, estudou Design na Universidade de Buenos Aires e frequentou várias formações de Ilustração e Narrativa Visual. Participou também numa residência de Verão na School of Visual Arts, em Nova Iorque. Em 2016, foi seleccionada para a Exposição Internacional de Ilustradores da Feira do Livro de Bolonha.

De forma colorida, entre azuis, vermelhos, amarelos e rosas, a ilustradora começa por nos dar a conhecer a paisagem, com colinas, meandros do rio, vegetação e habitações. Depois, revela-nos o interior da casa, mas o exterior continua visível através da janela. Mais adiante, o foco aproxima-se dos protagonistas.

Muito expressiva e inteligente a escolha das guardas. Nas de abertura, vêem-se peixes aprisionados em diferentes formatos de aquário; nas de fecho, já nadam livremente em redor da menina.

O que nós gostávamos mesmo era de ter um vestido igual ao dela. Cheio de peixinhos vermelhos felizes.

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Ilustração: Cynthia Alonso
Edição: Orfeu Negro
40 págs., 12,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 4 de Março, na página Crianças.)

Para conhecer melhor o trabalho de Cynthia Alonso (dentro e fora de água…), siga-nos.

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Aqui fica a página completa. Mais sugestões de actividades culturais em família no Guia do Lazer.

Mais uma história às escuras

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Mais uma história sem luz eléctrica, como a publicada em 2012, Uma Escuridão Bonita, dos mesmos autores: Ondjaki e António Jorge Gonçalves. Na apresentação do livro na quarta-feira no Correntes d’Escritas, Póvoa de Varzim, o escritor quis dar “uma explicação oficial” sobre estas histórias às escuras: “Não haver luz eléctrica em Luanda ajudou não só à reprodução nacional, entre pessoas, como à produção de literatura.”

Se para os adultos era uma coisa terrível não haver luz, para as crianças, não. “Permitiu novas aprendizagens. Era uma coisa boa.” E sublinha, sobre o ilustrador: “Não é um trabalho de apoio. A história é tanto contada por ele quanto por mim.” No entendimento do escritor, um escreveu por palavras e o outro por desenhos. E que belos são.

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O Convidador de Pirilampos fala de um menino que conhece bem a Floresta Grande, onde “brilham os pirilampos cintilantes”. O rapaz gosta de “cientistar coisas” e ensina-nos que existem pirilampos “apagados”, os mais sábios. Chamam-se “pirivelhos”. Na companhia do avô, aventura-se pelo escuro, explora inventos e fala em código morse com os insectos.

Ondjaki quis também dar uma “explicação sentimental”, dizendo que o livro tinha nascido de uma ideia original de Renata (ex-companheira) e Lino, filho dela: “Mas eu entendo que também é meu filho. Quando lhe contava histórias, podiam ser ‘de escrita’ ou ‘de inventar’.” Esta foi inventada por eles.

“Contaram-me quando regressei de uma viagem”, recordou. O pai de Ondjaki esteve na apresentação e o autor disse que nunca lhe tinha acontecido estar a lançar um livro com esta ligação: “O meu pai e o meu filho.” Foi bonito (e havia luz).

O Convidador de Pirilampos
Texto: Ondjaki
Ilustração: António Jorge Gonçalves
Edição Editorial Caminho
72 págs., 13,90€

(Texto divulgado na página Crianças da edição do Público de 26 de Fevereiro de 2017.)

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Aqui fica a página completa com sugestões de desfiles e brincadeiras de Carnaval. Mais ideias no Guia do Lazer.

Se quiserem conhecer melhor o trabalho de António Jorge Gonçalves, este é o caminho. Para descobrirem o universo de Ondjaki, sigam os pirilampos.