As maldades e as bondades de Malaquias…

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… são como as nossas.

Malaquias personifica uma criança, com todas as suas maldades e bondades. Tem por companhia vários amigos, que o vão ajudar a lidar com emoções – as felizes e as outras.

São eles: o macaco Gastão, a gata Metediça, o cão Óscar, a girafa Manelinha, as cadelinhas gémeas Xica Patinhas e Xica Linguiça e, finalmente, o professor leão, o Sabichão.

A colecção já vai em três volumes e foi apresentada pelo autor, Mário Cordeiro, a 10 de Maio, durante o festival Livros a Oeste, numa sessão animada para turmas de 3.º e 4.º anos do 1.º ciclo da Escola Básica da Lourinhã.

Todos temos uma parte boa, que quer ajudar os outros e tornar o mundo melhor, e uma parte menos boa, em que queremos mandar em toda a gente”, disse o pediatra no Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira. Para depois explicar às crianças que é preciso “tentar equilibrar esses sentimentos”, lembrando que “os outros também têm as suas vontades”.

Em Malaquias não Gosta de Perder, o ursinho é vencido no xadrez pela girafa e fica furioso: “É injusto. Não devia ter perdido! Que raiva!” E começa a tratar mal toda a gente, deixando tristes os amigos. O macaco Gastão perguntou-lhe: “Ela fez batota?” Malaquias teve de admitir que não. “Então jogaste mal”, concluiu o macaco. “Detesto-te, Gastão!”

Será o leão que o irá ajudar a transformar aquela energia negativa em algo de bom. O mesmo lhe sugeriram as gémeas, que o aconselharam a esforçar-se por jogar melhor xadrez. No final, Malaquias venceu o jogo. Não o de tabuleiro, mas o da raiva. Sugeriu o autor aos alunos: “Não temos de gostar de perder, mas devemos aceitar perder. Depois, pensamos em que é que falhámos e esforçamo-nos por melhorar.

No segundo volume, Malaquias rouba um chocolate à girafa. Mas não era um chocolate qualquer, viera de França e tinha-lhe sido oferecido pela madrinha. Pretexto para se falar de valor simbólico: “Há objectos, coisas que valem mais pelo valor afectivo. Aquele chocolate não era um chocolate qualquer. Não podia ser substituído por outro, mesmo que de igual sabor.” Malaquias há-de compensar Manelinha. “Assumir o erro é um acto de coragem”, disse o pediatra. E Malaquias é corajoso, como demonstrará em Malaquias Vence o Medo.

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Os livros têm no final uma breve explicação do sentimento explorado e pistas para pais e educadores se orientarem a ajudar os mais novos a ser felizes.

As ilustrações de Raquel Santos são expressivas na sua simplicidade, não desviando o pequeno leitor do essencial e levando-o a simpatizar com todas as personagens, apesar das suas contradições. O humor também lá mora. Ganhamos todos.

Malaquias não Gosta de Perder / Malaquias não Resiste a Um Chocolate
Texto: Mário Cordeiro
Ilustração: Raquel Santos
Edição: Porto Editora
32 págs., 10,90€

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Página completa, com sugestões de actividades culturais para toda a família, via Guia do Lazer. Destaque para o festival Livros a Oeste.

Porque hoje é Dia da Mãe

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Porque se assinala neste 6 de Maio o Dia da Mãe, aqui fica uma sugestão para fazer as famílias felizes. Neste livro, o autor é a criança, que vai contar a história da sua relação com a mãe. Não só vai contá-la, como ilustrá-la.

Para tal, precisará da ajuda de um adulto. Mas atenção que ajudar não é substituir. Por isso, no início há uma advertência pertinente: “Mãe, pai, avô, avó, tio, tia, como responsável pelo pequeno autor, só tem uma tarefa: deixá-lo criar.” Nem mais.

Diz-se ainda: “Ajude-o em tudo o que ele pedir, inspire-o se for preciso, mas, sobretudo, deixe que seja ele o protagonista. Esta é a sua história.” Também não vale querer que tudo fique direitinho, limpo e perfeito. Se o resultado é importante, aqui o processo ainda é mais, já que o miúdo está a construir um livro feito de memórias: as dele, as da mãe e as de ambos.

Pelo meio, irá ainda ser obrigado a reflectir sobre o seu comportamento. Primeiro desafio: “Era uma vez… a história de como te tornaste minha mãe.” Seguem-se páginas com molduras para ali serem colocadas fotografias dos dois. Depois, pede-se que se complete a frase: “Uma mãe é mãe porque…” Para em seguida se enumerar as coisas que a fazem zangar. A dada altura, há que explicar os superpoderes da Supermãe!

Mais adiante, a criança é convidada a recortar, a desenhar e a decorar as páginas do livro, onde não faltam corações construídos com materiais variados. A representação mais universal do amor. Se os miúdos não conseguirem preencher todo o livro antes de o oferecerem, podem muito bem completá- lo com a própria mãe, num exercício feliz de recordação, descoberta e cumplicidade familiar. Escolherem juntos a melhor fotografia ou a pior pode resultar em momentos muito divertidos.

A primeira instrução para o pequeno autor é esta: “Preenche cada uma das páginas com o que sair do teu coração, conta as coisas divertidas, sérias e importantes que queres que a tua mãe saiba.” Na última instrução, sugere-se que se embrulhe o livro num papel bonito. Depois, acrescenta-se: “Agora já podes oferecê-lo à melhor mãe do mundo: a tua.”

Há também a versão O Meu Pai É o Melhor do Mundo. Mas essa fica para outro dia…

A Minha Mãe É a Melhor do Mundo
Direitos e tradução: Penguin Random House
Capa e paginação: Montse Martin
Edição: Arena
96 págs., 10,95€

(Texto divulgado na edição do Público de 5 de Maio, página Crianças.)

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Eis a página completa, com as habituais sugestões de actividades em família, com a colaboração do Guia do Lazer.

Grandes mundos minúsculos

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Do infinitamente pequeno… é do que trata este livro, que dá a conhecer aos mais novos o que são e onde vivem os micróbios. Na verdade, estão em todo o lado.

Descrição inicial: “Não têm olhos, cabeça nem pernas, tão-pouco têm ramos, raízes ou folhas, porque não são animais nem plantas. Mas têm vida. São micróbios… e são muitos.”

Exemplo. “Uma gota de água do mar pode chegar a conter vinte milhões de micróbios, o que é mais do dobro dos habitantes de Nova Iorque.”

Sobre os diferentes tamanhos destes seres, ensina-se que um dos mais pequenos se chama “poliovírus” e um dos maiores tem o nome “paramécia”. Sobre a forma, são comparados, por exemplo, a “margaridas”, “naves espaciais” ou a “colares” que enfeitam o pescoço.

Um livro que conquista os jovens leitores para o conhecimento científico, numa informação equilibrada e não alarmista. Ao mesmo tempo que se ensina que na nossa pele “há mais micróbios a viver do que pessoas a habitar o planeta Terra” e que na nossa barriga “vivem dez ou cem vezes mais” do que na nossa pele, também se tranquiliza o leitor: “Não fiques preocupado. Embora haja micróbios que, por vezes, te levam a adoecer, os que vivem diariamente à superfície do teu corpo e dentro de ti ajudam-te a manteres-te saudável.”

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A autora do texto, Nicolas Davies, é apaixonada pela natureza, tendo editado vários livros para crianças sobre o tema. Formada em Zoologia, com estudos específicos em baleias e morcegos, colaborou com o canal de História Natural da BBC.

Emily Sutton formou-se na Escola de Arte de Edimburgo (Escócia) e fez uma pós-graduação em ilustração. Mas também realiza trabalhos de pintura e de escultura.

Neste livro, cada uma com a sua linguagem, mostram-nos que os micróbios “são os transformadores invisíveis do nosso mundo”. E lembram-nos: “As vidas mais minúsculas têm os maiores trabalhos.”

Minúsculos — O Mundo Invisível dos Micróbios
Texto: Nicolas Davies
Tradução: Eurídice Gomes
Ilustração: Emily Sutton
Edição: Nuvem de Letras
38 págs., 16€

(Texto divulgado na edição do Público de 14 de Abril, página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de actividades para toda a família. via Guia do Lazer.

Dia do Livro (o vício… deve começar na infância)

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Hoje assinala-se o Dia do Livro. Como nos disse há poucos dias Carlos Fiolhais, “quanto mais cedo se começar, melhor” e “quando se lê em criança, o cérebro cresce, desenvolve-se”. Podem ver o artigo divulgado no Público aqui. Um texto escrito a propósito dos 10 de Letra, que assinalou os dez anos de vida literária de João Manuel Ribeiro.

(Imagem aqui reproduzida da autoria de Yara Kono, claro!)

Porque não se pode ignorar o bullying

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“Quase toda a gente disse que não estava bem que o cão tivesse derrubado o rapaz e o tivesse mordido, mesmo que ele o merecesse. Se calhar tinham razão. Mas eu não podia culpar o Adão. Se fosse tão grande e forte como ele, talvez tivesse feito bem pior!”

Quem assim nos fala é Violeta, uma gata. O Adão é um cão. Já leva 12 anos de vida (se fosse um humano, tinha 84, “temos de multiplicar por 7”) e gosta de comer gotas de chuva. “Tem uma natureza poética”, diz o dono. O dono não, o “pai”. É assim que os animais se referem a Sílvio, o adulto que os acolhe em casa. Margarida é a “mãe”.

Há um terceiro “irmão”, o Zé. “É um rapaz e tem 11 anos — em anos humanos, claro. O equivalente para um cão seria menos de 2!” A Pi, irmã mais velha do Zé, completa a família. Tudo corria bem, até o rapaz começar a ter um comportamento diferente, a não se interessar pela flauta nem pelo futebol (antes, queria ser guarda-redes) e chegando a tratar mal os “irmãos” mais novos.

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Adão e Violeta não irão desistir de compreender o que se passa com o Zé nem deixarão de o ajudar a recuperar o seu “sorriso entusiasta”. É de família que se trata.

Uma história comovente sem deixar de ter momentos divertidos e que fala de um modo original dos efeitos do bullying nas crianças, que tanto as fragiliza e as torna infelizes.

O Cão Que Comia a Chuva mereceu o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância 2018, que foi entregue aos autores, Richard Zimler e Júlio Pomar, na quinta-feira passada, em Coimbra. Palavras do júri: “Um livro de artista em que convivem, magistralmente, duas narrativas — o texto e as imagens.” Tal e qual.

O Cão Que Comia a Chuva
Texto: Richard Zimler
Ilustração: Júlio Pomar
Design: Henrique Cayatte
Edição Porto Editora
48 págs., 13,30€

(Texto divulgado na edição do Público de 7 de Abril, página Crianças.)

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Página completa, com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Um elogio às hortas comunitárias

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Porque já é Primavera e é tempo de semear as suas cenouras, o coelho Simão decide tratar da horta.

Começou por construir uma cerca, para delimitar o terreno, “preparou a terra”, “arranjou sementes e espalhou-as”. Depois foi regando e esperando, “e elas, pouco a pouco, foram crescendo”. Chegou então o dia de as apanhar. “Eram tantas!”

O rato Paulo ofereceu-se para ajudar o Simão, apesar de ele “não ser lá muito simpático”, e acabou por sugerir que plantassem alfaces. Veio a galinha Clara e achou que também eram “precisos tomates”, o Isidoro queria beringelas, o Tiago preferia milho, a Maria “queria morangos para a sobremesa”.

No meio da azáfama hortícola, os animais nem deram pelo desaparecimento do Simão. Ficaram então a pensar que ele tinha ficado zangado por já não ter espaço na horta para as suas cenouras. Estavam enganados. E ainda bem.

Afinal, o Simão estava a preparar uma surpresa bem simpática para os amigos agricultores…

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Um livro que elogia o trabalho colectivo e a convivência, mas também o contacto com a natureza.

A autora, argentina, diz ter-se inspirado na horta comunitária do seu bairro. A técnica usada, que a editora explica na divulgação, é a “estampagem com carimbos; um processo criativo muito trabalhoso, porque todas e cada uma das partes de todos e cada uma das personagens e dos utensílios representados foram impressos individualmente com o seu respectivo carimbo”. O resultado é muito expressivo.

Rocío Alejandro estudou Design Gráfico Publicitário, mas considera a ilustração para a infância a sua “verdadeira vocação”. A Horta do Simão  ganhou em 2017 o X Prémio Internacional de Compostela para Álbuns Ilustrados e é aconselhado a crianças com mais de cinco anos.

A autora é também professora de Ilustração Infantil no espaço Mundos Ilustrados, em Buenos Aires. Não sabemos se lança sementes à terra, mas já tem uma bela colheita de livros. E muito apetitosos.

A Horta do Simão
Texto e ilustração: Rocío Alejandro
Tradução: Elisabete Ramos
Edição: Kalandraka
44 págs., 14€

(Texto divulgado na edição do Público de 31 de Março, na página Crianças.)

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A página completa, com as habituais sugestões do Guia do Lazer.

O pequeno torna-se grande num livro*

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* Título da mensagem deste ano (2018) do IBBY para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil. Da autoria da escritora Inese Zander (Letónia).

As pessoas inclinam-se para o ritmo e para o equilíbrio, tal como a energia magnética organiza as aparas de metal numa experiência da física, tal como um floco de neve forma cristais a partir da água. Num conto de fadas ou num poema, as crianças gostam de repetição, de refrãos e de temas universais, porque eles podem ser reconhecidos uma e outra vez – trazem ao texto regularidade. O mundo ganha uma ordem bonita (…)

Podem ler o resto do texto (em português) aqui; se preferirem em inglês, sigam-nos.

O cartaz português (em cima) é da autoria da ilustradora Fátima Afonso, convidada da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas por ter sido a vencedora do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado.

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O cartaz do IBBY internacional é assinado pelo ilustrador Reinis Petersons (Letónia). Conheçam-no melhor.

No dia 2 de Abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Ora aí está algo de que Letra pequena não duvida. Por isso, continua por aqui… (continuem também)

Todas as crianças são inteligentes

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Logo na capa revela-se o que está dentro do livro: “48 desafios para descobrires o Génio que tens em ti.” Mas o convite da contracapa é mais eficaz e esclarecedor: “Olá, eu sou o Génio, um monstro Genial! Adoro divertir-me e pôr-me à prova com todo o tipo de desafios. E tu? Se alguma vez pensaste que não és inteligente… Esquece!

Ali também se dá conta de que o leitor será convidado a desenhar, escrever, recortar, colar, dançar, usar o livro como uma bateria e a resolver problemas invulgares. Tudo verdade.

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Exemplo do desafio Viagem Espacial: “Imagina que vais a Marte numa nave espacial. Depois de uma longuíssima viagem, ao chegar, dás de caras com um marciano. O que fazes?” A seguir pede-se à criança para se desenhar nesse planeta. Depois, mais desenhos são sugeridos, sob o mote: “Não sabes a língua dele, mas ajeitas-te a desenhar, pelo que pegas no teu caderno e desenhas algo que signifique: ‘Venho em paz’; ‘Quero ser teu (tua) amigo(a); ‘Venho da Terra’”, entre outras tentativas de comunicação.

No exercício Um Mimo Muito Falador, explica-se inicialmente que “um mimo é um actor que se exprime por gestos”, para então se dizer à criança para observar as diferentes expressões nas imagens reproduzidas. O desafio é então descodificar o que é que o mimo sente em cada um daqueles momentos. Para isso, há que fazer corresponder a cada emoção uma frase.

As emoções registadas são: alegria, medo, surpresa, tristeza, irritação. As frases são: ganhou a lotaria, a pessoa de que ele gosta não lhe liga, acaba de ver um bicho enorme e horripilante, está há muito tempo à espera de um amigo que chega tarde, surpreendeu-se muito ao saber de uma notícia.

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Também há exercícios físicos, como o de equilibrar um livro na cabeça enquanto se passeia pelo quarto, depois pôr-lhe um lápis por cima e depois um berlinde. E ir anotando quantos segundos se aguentou sem que nada caia ao chão.

Um livro divertido e formativo baseado na teoria das inteligências múltiplas, que defende que “em todos nós há oito tipos diferentes de inteligências”, querendo a autora concluir que “não há crianças mais inteligentes que outras, mas sim crianças que têm uma ou outra inteligência em maior ou menor grau”.

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Begoña Ibarrola é psicóloga e especialista em inteligência emocional, inteligências múltiplas e musicoterapia. Foi terapeuta infantil durante 15 anos. Aqui, fornece um guia para ajudar a identificar a inteligência dominante de cada leitor.

Os miúdos vão divertir-se com uma surpresa no final e com a feliz descoberta de que também eles podem ser geniais.

Texto: Begoña Ibarrola
Ilustração: Víctor Montes
Design: Kim Amate
Adaptação: Guidesign
Edição: Planeta Júnior
112 págs., 14,41€

Texto divulgado na edição do Público de 24 de Março, na página Crianças.

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Aqui fica a página completa, com a colaboração do Guia do Lazer e as suas actividades para toda a família.

As bicicletas são os automóveis dos poetas

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Um texto poético, bem-humorado e que foi publicado pela primeira vez em 1971, pelo autor surrealista António José Forte (1931-1988).

A primeira edição que se nos deparou datava de 2001, com capa e desenhos da sua mulher, Aldina Costa, numa edição bonita e cuidada da Parceria A. M. Pereira. Logo ali nos rendemos ao ritmo, ironia e talento do autor. Da ilustradora também.

Para mais, já admirávamos António José Forte no trabalho de encarregado das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Como se recorda na contracapa desta nova edição, “percorreu Portugal numa carrinha Citroën, levando o prazer da leitura a vários recantos do país”. Também ali se lembra que “gostava de cidades, elefantes e bicicletas”.

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Mostremos então as suas palavras: “Em Amesterdão/ cidade da Holanda/ há uma bicicleta branca/ que pertence a mil poetas// Quero eu dizer que nenhum poeta/ tem nenhuma/ e todos têm uma bicicleta// É por isso que eu acho/ que as bicicletas/ são os automóveis dos poetas.” Lindo.

Nesta nova edição, as imagens são mais coloridas, às vezes quase berrantes, mas é dito e assumido pela editora que Mariana Malhão, que aqui se estreia num álbum ilustrado, “gosta de arte folclórica russa e de cores e formas vibrantes”.

Há ilustrações felizes, outras nem tanto, por demasiado infantis. Primárias, digamos assim, porque próprias de quem está no começo. É avançar.

Vamos então ao poema que dá título ao livro: “Um dia nasceu uma rosa na tromba de um elefante/ mesmo no nariz de um gigante, uma rosa é sempre elegante// Porém o que é que acontecia?/ como a rosa era branca e o elefante branco era/ ninguém sabia que havia/ uma rosa elegante na tromba do elefante (…)”

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Quem quiser conhecer melhor este livro pode ir hoje, às 16h, à Livraria Ler Devagar, em Lisboa (Lx Factory), escutar a filha do escritor, Gisela Forte, a quem este livro é dedicado, conversar com a ilustradora e com a editora, Carla Oliveira.

Terá ainda oportunidade de assistir à actuação do actor Zé Bernardino e do músico Artur Pispalhas, num concerto-poema, “com cordas, máquinas e bicicletas”.

As ilustrações do livro estão expostas e disponíveis para venda ao público. No final, há lanche para todos. Mesmo que não apareçam de bicicleta. (Nem de elefante.)

(Texto divulgado na edição do Público de 10 de Março, na página Crianças.)

Uma Rosa na Tromba de Um Elefante
Texto: António José Forte
lustração: Mariana Malhão
Edição: Orfeu Negro
44 págs., 14,50€

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Página completa publicada na edição em papel, com sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

Desafiar os deuses e vencer

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… ou a possibilidade de sermos o que quisermos. Sonhando primeiro, mudando depois.

Não é fácil para uma criança crescer somente rodeada de adultos. Por mais atenção que lhe seja dada, falta-lhe a experiência de ter amigos da sua idade com quem brincar, zangar-se e viver a alegria de se reconciliar.

Nada disto tem Tattoo, uma menina comilona cujo nome resulta de uma pequena tatuagem no rosto. As suas melhores amigas são as árvores, que abraça e escuta. “Elas honram a terra e a água que lhes dão vida.”

Mas a menina tem um plano para atrair crianças para junto de si. E envolve um pinheirinho de Natal.

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Antes de darmos a conhecer o plano, vejam como Tattoo se entretém: como é muito pequenina, “dá pela altura dos joelhos dos adultos lá de casa, passa quase sempre despercebida, logo, goza de muita liberdade de movimentos. Quando se sente aborrecida, distrai-se com o vaivém das pernas da família: estuda-lhes o trajecto da cozinha para a sala, da sala para o alpendre e do alpendre para os quartos. Como já tem muitas horas de estudo, Tattoo calcula o número de rugas da cara pelo número de pregas nos joelhos. — Nunca falha! — gaba-se ela. Ah e também consegue identificar todas as pessoas da família só pelo andar.”

A pequena está sempre desejosa de se ir deitar porque há umas noites que sonha com um cavalo branco, muito vaidoso e até rabugento, mas que a vai acompanhar na aventura de desafiar os deuses.

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Tattoo quer que eles a ajudem a encontrar uma história, “que não poderá ser uma história qualquer”, para enfeitiçar as crianças. A história será enterrada aos pés do pinheirinho, e este “ganhará um brilho próprio, muito para além das luzes e dos ricos enfeites artificiais”.

A menina acredita que as crianças, “sem perceberem muito bem porquê, farão fila para estar perto da árvore de Natal mais extraordinária que alguma vez existiu ao cimo da Terra e debaixo do Céu. E depois… ‘Haverá melhor forma de fazer amigos?’, cogita ela. ‘Não.”’

Este é o livro de estreia da actriz Margarida Marinho no sector infanto-juvenil, que aqui revela sensibilidade, imaginação e domínio da escrita.

Como é muitas vezes comum em primeiros livros no universo infantil, a autora inspirou-se nos filhos. Informa a editora que, “quando nasceu Manuel, hoje já adulto, nasceu a ideia desta história”. À filha Carlota “foi buscar vida para dar vida a Tattoo”. Fez bem.

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As pequenas ilustrações da lituana Lina Düdaité são discretas, mas ajudam a entrar no universo mágico da narrativa. E da Lua.

A ilustradora diz que, “quando está a desenhar, não tem propriamente um plano ou objectivo. Simplesmente, faz o que tem prazer em fazer e é assim que vive”.

Não vamos desvendar o final, mas fiquem sabendo que os deuses, que não gostam de ser importunados, não irão facilitar a vida a Tattoo. Mas a menina está determinada e já aprendeu a desejar com o coração. Isso nenhum deus pode contrariar.

Tattoo — De Noite, Um Cavalo Branco
Texto: Margarida Marinho
Ilustração: Lina Düdaité
Edição ASA Editora
120 págs. 9,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 3 de Março, página Crianças.)

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A página completa, com as habituais sugestões de actividades em família, via Guia do Lazer.

No princípio, era… a semente

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A transformação de uma semente numa árvore é aqui contada e ilustrada de forma inspirada e poética. “Começa numa semente. Mas o que será, mais à frente? Uma raiz, um rebento, algumas, poucas folhinhas. Com o correr das semanas, cresce o rebento, altaneiro: para as joaninhas, um trono; para as libelinhas, poleiro! Mas sonha ser bem maior, chegar mais alto do que agora. Furar pelo solo adentro, esticar-se pelo céu afora.

Com o decorrer das estações, a semente há-de concretizar o sonho e tornar-se uma árvore imponente, rodeada de animais de muitas espécies.

“Crescem fortes os seus ramos, que dão sombra e abrigo: uma casa onde os animais se sentem fora de perigo.”

Explica-se no final que a árvore de que aqui se conta a história é uma Acer pseudoplatanus, de nome comum “bordo” (no livro, a designação latina aparece escrita de forma errada). Também se informa que uma única árvore destas “pode produzir até 10 mil sementes por ano”, a que chamam “helicópteros”, já que as sementes, ao caírem, fazem uma espécie de rodopio no ar.

Mal as sementes estão prontas, partem no sopro da brisa… e talvez algumas delas venham a ser um dia… árvores cheias de vida.”

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O livro venceu o prémio de não ficção infantil Margaret Mallett. A cada página, vamos acompanhando o desenvolvimento da árvore, tanto das raízes como do tronco e da folhagem. A fazer lembrar ilustração científica.

Com o avançar das estações, vão-se juntando à árvore borboletas, aves, coelhos, esquilos e outros animais desenhados com saber.

Jennie Webber é especializada em gravura e os seus trabalhos são inspirados na natureza e na sua conservação. O próximo livro será sobre a Grande Barreira de Corais. É professora e desenvolveu oficinas criativas para o Museu de História Natural, o British Science Festival e a Dulwich Picture Gallery.

Os bordos podem durar 400 anos e chegar até aos 35 metros de altura. “Uma árvore gigante, por demais impressionante.”

Começa Numa Semente
Texto: Laura Knowles
Ilustração: Jennie Webber
Tradução: Susana Cardoso Ferreira
Edição: 2020 Editora/Fábula
40 págs., 13,99€

(Texto divulgado na edição do Público de 24 de Fevereiro de 2018, na página Crianças.)

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Na edição em papel, saiu assim (tão bonita), com a colaboração de Sandra Silva. O Guia do Lazer está sempre presente nas escolhas de actividades culturais em família.

Para conhecer outros trabalhos de Jennie Webber, entre por aqui.

Pierre Pratt emprestou-nos a voz (e o sotaque)…

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… em mais um Livro para Escutar do Letra pequena. O autor esteve no estúdio do Público a ler Boa Noite!

O Sr. Silva chega sempre a casa ao final do dia. Vem cansado. Mora mesmo no cimo de um prédio com 96 andares”, lê-se no início do livro, ao mesmo tempo que se mostra o protagonista a subir uma escada bastante íngreme. Percebe-se imediatamente que estamos a entrar no domínio do absurdo. E gostamos.

Nas páginas seguintes já o Sr. Silva está dentro de casa e começa a despedir-se do que traz vestido. Diz “boa noite” ao chapéu, “até amanhã” ao casaco, à gravata, ao cinto e a tudo o mais que usara nesse dia. Outras despedidas se seguem a vários objectos: “Também está na hora de o livro e os óculos irem dormir.” Até os dentes postiços merecem um simpático “boa noite” do Sr. Silva.

E mais não contamos. Só diremos que vale a pena ler e ver até ao fim. A história começa logo na capa, onde o protagonista, com a sua roupa colorida, se dirige a um prédio com uma chave na mão. Vai para casa.

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Um livro com um certo humor surreal, que faz rir crianças e adultos. Foi publicado pela primeira vez em 2014, em francês, Bonne nuit!, pelas edições Thierry Magnier (Paris). Mas esta história foi inicialmente pensada para adultos, chegando a ser divulgada em formato de banda desenhada.

Era uma história mais pesada”, conta o autor. Mas, como tinha potencial para ser adaptada ao público infantil, “pelo ritual antes de ir dormir”, decidiu fazer esta versão. Ainda bem.

Pierre Pratt nasceu em Montreal, Canadá, onde se formou em Design Gráfico. Nos anos 1980 publicou algumas bandas desenhadas, mas a ilustração acabou por se impor como trabalho. Já publicou cerca de 50 livros para crianças.

O ilustrador vive em Portugal há dez anos, altura em que leccionou Ilustração e BD no ArCo (Centro de Arte e Comunicação Visual), em Lisboa. Recebeu vários prémios internacionais e foi finalista do Prémio Hans Christian Andersen em 2008.

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Por cá, ilustrou títulos como A Fábrica do Tempo, texto de Sílvia Alves (Livros Horizonte); Lusco-Fusco, de Cristina Carvalho (Sextante Editora), O Sapateiro, de Alice Vieira (Caminho), A Galinha Que Cantava Ópera, de Luísa Costa Gomes (Dom Quixote), O Homem Que Engoliu a Lua, de Mário de Carvalho (Ambar Editora).

Até amanhã, Sr. Silva!

Boa Noite!
Texto e ilustração: Pierre Pratt
Tradução: Maria Afonso
Edição: Orfeu Negro
24 págs., 9,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 3 de Fevereiro, página Crianças.)

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Eis a página publicada na edição em papel, com as habituais sugestões de agenda para toda a família, via Guia do Lazer.

Se quiserem conhecer melhor os trabalhos de Pierre Pratt, façam favor de entrar.