Um livro é para ser lido

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O puré de batata é para chegar para todos”, escreve-se assim de repente, só para início de conversa. Na imagem vê-se uma montanha gigante sobre uma mesa rodeada de crianças de vários tamanhos,  umas sentadas e outras de pé. Também lá está um gato.

E as páginas que se seguem repetem a fórmula com outros temas e explicações que ninguém ousará contrariar. “Um búzio é para ouvir o mar” (claro). “Os braços são para abraçar” (com certeza). “A lama é para dares saltos, escorregares e gritares iupiiiiiiiiiiii!” (ora bem). “Um irmão é para te ajudar” (obviamente). “Uma cova é para plantar uma flor” (isso mesmo). “Um livro é para ser lido” (nem mais).

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Todas as frases, explicações e todo o universo que é aqui explorado remetem para a naturalidade, espanto e alegria com que as crianças olham para o mundo. As ilustrações dinâmicas, simples e felizes de Maurice Sendak, aqui num dos seus primeiros livros ilustrados, oferecem ao texto ainda mais candura.

Nas palavras da editora, “as suas ilustrações seguem aqui as premissas da autora e resultam isentas de estereótipos, deixando espaço para que as crianças ajam livremente e sem condicionamentos. Como sucede com a arte revolucionária, os seus livros mantêm ainda hoje toda a sua frescura”.

Aqui encontra-me humor, empatia, ternura, festa, genuinidade e filosofia. Muita brincadeira também. E isso é tão bom.

O livro foi publicado em 1952 e deu início a uma colaboração entre os dois criadores que durou até 1960 e se mostrou inovadora no domínio do álbum ilustrado. A autora publicou mais de 30 livros para crianças, muitos deles ilustrados pelo seu marido, Crockett Johnson.

De Sendak, a obra mais conhecida dos portugueses será certamente Onde Vivem os Monstros, mas títulos como Na Cozinha da NoiteO Que Está lá ForaO Recado de Rosie e a colecção Urso Pequeno estão também disponíveis em língua portuguesa. Todos a merecer atenção e tempo. Porque “um livro é para ser lido”. Não?

Uma Cova É para Escavar – O Livro das Primeiras Explicações
Texto: Ruth Krauss
Tradução: Carla Maia de Almeida
Ilustração: Maurice Sendak
Edição: Kalandraka
48 págs., 9€

(Texto divulgado na edição do Público de 11 de Fevereiro, página Crianças.)

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Aqui está a página completa, com destaque para um espectáculo de teatro visual sobre o pintor Jackson Pollock. Mais sugestões no Guia do Lazer.

Aqui, podem pintar como ele (Pollock). Para conhecerem a sua história, este é o caminho.

Sair da toca e descobrir o mundo

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Sair da toca e descobrir o mundo (que é grande) e os outros (que são múltiplos). É o que António Mota quer dizer aos jovens leitores com esta história de dois irmãos coelhos que partem à procura da mãe, que se atrasou.

Na verdade, o autor também quis dizê-lo ao neto, já que Onde Está a Minha Mãe? foi escrito quando soube que ia ser avô. E o livro nasceu mais ou menos ao mesmo tempo que o rapaz — outro António.

Bitó e a Fabi são os nomes dos protagonistas, escolhidos pela sonoridade e facilidade de pronunciação em várias línguas, o que não é um pormenor para quem tem vários livros traduzidos.

As personagens, nesta busca pela mãe, descobrem-se a si próprios, um ao outro — dentro da toca nunca se tinham apercebido de como eram bonitos — e muitos outros seres. Alguns perigosos. A mãe já lhes tinha dito que “o perigo é uma coisa muito má!”. E eles quiseram saber o que era “uma coisa muito má”. Eis a resposta: “É tudo o que nos pode magoar. Ou até mesmo matar! Os tiros das armas dos caçadores, os dentes afiados dos cães dos caçadores, os dentes ainda mais afiados das raposas e as garras das águias são perigosos.”

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Por isso a mãe lhes dissera: “Os meninos ficam aqui quietinhos à minha espera, ouviram?” Mas desobedecer também faz parte de crescer. E os manos descobriram assim muitas brincadeiras felizes, a amizade, a diferença, a beleza.

Ao registo telúrico de António Mota junta-se a expressão sensível de Sebastião Peixoto, com as suas figuras de traço algo clássico, rostos amáveis e cores quentes. O resultado é um livro doce. Como se espera das relações entre mães e filhos. (E, já agora, entre avós e netos…)

Onde Está a Minha Mãe?
Texto: António Mota
Ilustração: Sebastião Peixoto
Edição: Edições ASA
65 págs., 11,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 4 de Fevereiro, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com destaque para o Indie Júnior Allianz — 1.º Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil do Porto. A programação está aqui. Mais sugestões no Guia do Lazer.

Mais um livro para escutar (sem raiva…)

O livro Era Uma Vez Uma Raiva veio de São Paulo. Por isso pedimos a duas crianças brasileiras que nos emprestassem a voz e o sotaque para mais um dos nossos Livros para Escutar. Os irmãos Maria Clara Amaral, de nove anos, e Enzo Amaral, de 13, leram para nós o livro de Blandina Franco e José Carlos Lollo.

Já tínhamos escrito sobre ele aqui no Letra pequena e na página Crianças da edição do Público de 14 de Janeiro.

Nunca desistir de procurar

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Quem não teve já a sensação de ter perdido algo? Sem saber exactamente o quê, de repente apercebe-se de que lhe falta qualquer coisa essencial. E o mais acertado é partir à sua procura. Enfrentando desconforto, obstáculos, tempestades, mistérios, desconhecidos, medos e tudo o mais.

Foi exactamente isso que fez o pequeno Mi nesta sua grande viagem à procura do que suspeitava ter perdido.

Mi deu-se conta de que perdera algo. Não estava no quarto. Nem no bolso das calças. Espreitou dentro da torradeira e abriu uma janela e três portas. O que procurava não estava.” Depois deste arranque, o leitor fica não só curioso por saber o que foi que a criança perdeu, como se enche de vontade de a ajudar a encontrar o que, mesmo sem o saber, decerto lhe faz falta. Agora, depois e sempre.

Até porque o narrador nos faz saber que o miúdo está sozinho nesta busca: “O pai estava a pescar no Alasca. A mãe a colar selos em cartas.” E as imagens mostram-nos como esta é uma demanda solitária. Com um final que nos deixa felizes.

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O autor Sandro William Junqueira tem uma escrita clara, doce e poética, que no universo infantil já nos encantou com A Cantora Deitada (ilustrações de Maria João Lima). Trabalha regularmente como actor e encenador de teatro.

A ilustradora e artista plástica Rachel Caiano mergulha sem medo na linguagem sensível e mágica do escritor, traduzindo-a numa expressão plástica própria que a identifica, alargando no entanto o sentido do que é dito.

A Grande Viagem do Pequeno Mi será apresentado na Casa dos Hipopómatos, na Biblioteca Municipal de Sintra, no dia 11 de Fevereiro, às 15h30. As ilustrações do livro estarão ali expostas para que todos possamos viajar com o pequeno Mi. À procura do que também nós  julgamos ter perdido.

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Texto: Sandro William Junqueira
Ilustração: Rachel Caiano
Edição: Editorial Caminho
40 págs., 10,90€

(Texto divulgado na edição do Público de 28 de Janeiro, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com destaque para Poesia-me, Ciclo de Leituras para a Infância, que decorre em Lisboa, no Teatro de São Luiz, até Julho. Mais sugestões no Guia do Lazer.

Rudyard Kipling e a filha “Mais-que-tudo”

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Doze contos do mesmo autor de O Livro da Selva e que recebeu o Nobel da Literatura em 1907. Histórias Assim foi imaginado para a filha de Rudyard Kipling, a pequena Josephine. Nele se fala sobretudo de animais, numa mistura de verdade, imaginação e humor. Para serem lidas em voz alta, as histórias interpelam directamente quem escuta.

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O escritor dirige-se à filha como “Mais-que-tudo” e intervala as descrições com breves alertas, entre parêntesis. Exemplo no conto Como a baleia arranjou a sua garganta, numa fala do Peixe Astuto. “Se nadardes até à latitude Cinquenta Norte e à latitude Quarenta Oeste (…) encontrareis, sentado numa jangada, no meio do mar, vestindo umas calças de lona azul, com um par de suspensórios (não te esqueças deste pormenor, é importante, Mais-que-tudo) e uma navalha no bolso, um Marinheiro solitário cujo barco se afundou mas que, devo dizer-vos, é um homem de uma sagacidade e recursos infinitos.”

A referência aos suspensórios há-de repetir-se várias vezes, pois são cruciais ao desfecho da narrativa.

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Sébastien Pelon, o ilustrador, gosta de trabalhar textos clássicos e já ilustrados por outros: “Permite-me dar a minha visão. É como mudar para uma casa nova e redecorá-la, mantemos a estrutura e refazemos tudo.” Um livro com palavras antigas. Gostamos disso.

(Títulos dos restantes contos: Como o camelo arranjou a sua bossa; Como o rinoceronte arranjou a sua pele; Como o leopardo arranjou as suas pintas; O filho do elefante; A cantilena do velho canguru; Como apareceram os tatus; Como se escreveu a primeira carta; Como se inventou o alfabeto; O caranguejo que brincou com o mar; O gato que andava sozinho e A borboleta que bateu com o pé.)

Histórias Assim
Texto: Rudyard Kipling
Tradução: Ana Mafalda Tello 
e João Quina
Ilustração: Sébastien Pelon
Edição: Bertrand Editora
Círculo de Leitores
110 págs., 15,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 21 de Janeiro, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com sugestões de actividades culturais para a família. Destaque para o projecto E Se Tudo Fosse Amarelo?, com livro+DVD Isto É Uma Cocriação! Antimanual de Educação Artística na Infância. Editados pela Boca – Palavras que alimentam e pela Real Pelágio. Espreitem aqui. Vão também até ao Guia do Lazer.

Quando a raiva cresce

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Começa pequenina, vai crescendo, primeiro alimentando-se de si própria, depois, de muitas outras coisas, ficando surda e cega até se tornar enorme, enorme e explodir, destruindo tudo à volta.

No início, era só uma raivinha à toa. Uma coisa tonta, que nem tinha razão de ser, mas que, mesmo assim, era”, descreve a autora brasileira Blandina Franco. Na imagem, vê-se uma pequena mancha vermelha no chão “a ruminar” entre os sapatos de quem caminha.

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Mas chega uma altura em que começa a crescer e a alimentar-se de “um olhar de alguém meio de lado, um sorriso diferente, uma palavra torta, uma imagem distorcida”. E a raiva vai passar a alimentar-se de tudo: “Se as pessoas estavam a dançar”, “ou se estavam sentadas a conversar”, “se estavam apaixonadas” (como as representadas na ilustração que se reproduz aqui em baixo), “ou se estavam a divertir-se”.

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O ilustrador José Carlos Lollo, também brasileiro, escolheu representar a raiva por uma espécie de glutão (para os mais antigos) ou de pacman (para os um bocadinho menos antigos) de cor vermelha e expressão furiosa. Há movimento nas imagens e um contraste eficaz entre o vermelho e o preto, ou o cinza, sobre o fundo branco.

No final, uma figurinha azul será preciosa. Mas antes teremos de ver as páginas dominadas pela vermelha e destruidora “fúria”, “cólera”, “ira”.

Um livro bem imaginado, que leva a pensar nos sentimentos menos felizes e que pode ajudar as crianças a reflectir sobre as suas frustrações e birras. Os adultos também.

Esta dupla de autores naturais de São Paulo já tem mais de 30 livros. Ainda bem.

Era Uma Vez Uma Raiva
Texto: Blandina Franco
Ilustração: José Carlos Lollo
Edição: Nuvem das Letras
40 págs., 12,70€

(Texto divulgado na edição do Público de 14 de Janeiro, página Crianças.)

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Aqui está a página completa, com destaque para o musical O Gato das Botas, que vai estar em cena até 28 de Maio. Mais sugestões no Guia do Lazer.

Escrever ao carteiro

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Aquele era o último dia de trabalho do senhor Costas. O último dia como único carteiro de toda a ilha.” É o início de uma narrativa textual e visual que conquista de imediato os adultos. Pelo menos alguns deles. E por isso a trazemos aqui, na expectativa de que a partilhem com as crianças das vossas vidas.

Uma Última Carta é um livro (lindo) que homenageia uma profissão que pouco dirá às crianças de hoje. Qual delas terá visto ou conversado com um carteiro? Poucas, muito poucas. Mesmo os adultos deixaram de se cruzar ou interessar por quem deixa a correspondência na caixa do correio.

Falamos daquela que corresponde à nossa morada real e material, não de correio electrónico, virtual, cibernético, cibernético ou o que se lhe quiser chamar. Aquelas (as reais) transformaram-se em depósitos de publicidade e de contas para pagar. Porque o mundo mudou. Nem sempre para melhor em tudo.

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Entre boas notícias, “muito leves, que o senhor Costa podia levar um cento delas ao mesmo tempo” e más notícias, que “pesavam tanto que, mesmo sendo apenas uma, eram sempre difíceis de transportar”, o carteiro da ilha (a fazer lembrar o de Pablo Neruda) nunca deixou de entregar as cartas e as imagens aos habitantes da ilha. E até as lia aos que não conheciam as palavras.

Cinquenta anos depois de se ter tornado carteiro, apercebeu-se de que no fundo do saco havia uma carta por entregar. “Era um envelope sem destinatário, apenas tinha uma direcção: o nome de uma praia do outro lado da ilha.” Foi até lá e percebeu que não era bem uma carta, mas um convite. Na verdade, era um enorme agradecimento.

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Ainda bem que o livro mereceu o IX Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados.

Também nós agradecemos. Pelo talento dos autores, pela ternura da narrativa e pelo recordar da aproximação entre as pessoas que as cartas sempre facultaram e alimentaram. Obrigada!

Uma Última Carta
Texto: Antonis Papatheodoulou
Tradução: Elisabete Ramos
Ilustração: Iris Samartzi
Edição Kalandraka
48 págs., 13€

(Versão alargada do texto divulgado na edição do Público de 7 de Janeiro, na página Crianças.)

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Aqui fica a página completa, com várias sugestões de actividades em família. Mais informação no Guia do Lazer. E porque não enviarem juntos uma carta (de verdade) a alguém?

(Obrigada a Sandra Silva, que desenhou esta bela página.) 

Para conhecerem mais trabalhos da ilustradora Iris Samartzi, podem vir por aqui.

Na cabeça de Fernando Pessoa

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Acabámos o ano com um livro em grande.

Logo na capa se diz que é um livro para “imaginar, desenhar e colorir”. Um conselho que apetece logo acatar, conheça-se ou não a obra de Fernando Pessoa. Este é um livro de actividades muito especial, inspirado em quatro dos heterónimos do poeta: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares. A cada um, o seu chapéu.

Miguel Neto, que concebeu o livro em parceria com André Carrilho, explica: “O poeta Fernando Pessoa usava sempre um chapéu na cabeça. Dentro da cabeça vivia a sua imaginação. E essa era tal que acabava por transformar o chapéu. Transformava-o em coisas várias, todas importantes, todas especiais. Às vezes, em chapéus de outros poetas (…) Poetas inventados por si, na sua cabeça de poeta, com vidas e escritas diferentes das suas. Era uma espécie de magia. No fundo, era poesia.

Partindo de cada um dos heterónimos, que é apresentado com um chapéu recheado de elementos que o caracterizam, a criança é convidada a preencher os chapéus das páginas seguintes. A ideia é que se inspire na filosofia de cada um, que também lhe é transmitida com excertos de poemas, mas apelando à própria criatividade, experiência e visão da criança.

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Exemplificando: “Quando o Fernando Pessoa usava o Chapéu do poeta Alberto Caeiro, amava a natureza e as coisas simples.” Na imagem, vê-se um chapéu com flores, pássaros e insectos. Segue-se um excerto de “Sou um guardador de rebanhos”: “Sou um guardador de rebanhos./ O rebanho é os meus pensamentos/ E os meus pensamentos são todos sensações./ Penso com os olhos/ E com as mãos e os pés/ E com o nariz e a boca. / Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la/ E comer um fruto é saber-lhe o sentido (…).”

Depois, há o desafio para que as páginas imediatas sejam preenchidas com “chapéus, todos diferentes, uns em cima dos outros”, com “um belo animal” ou com “um monstro, terrivelmente assustador!”

Quando se apresenta Álvaro de Campos, lembra-se que “adorava máquinas e maquinismos e coisas modernas e barulhentas e tudo muito intensamente”. Para Ricardo Reis, diz-se: “Tinha a filosofia de aproveitar o dia, o momento, o que o destino trazia. Mas tudo com calma, sem prejudicar a alma.”

A encerrar, Bernardo Soares é descrito assim: “Com o chapéu de Bernardo Soares, Fernando Pessoa não sabia muito bem quem era, o que pensava, o que sentia, e assim, num grande desassossego, sempre por Lisboa, a sua cidade, ele ia… e ia…

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Tudo isto em português e em inglês (as edições da Lisbon Poets & Co. são sempre bilingues).

Uma ideia de se lhe tirar o chapéu. Melhor, de o pôr em várias cabeças.

O Chapéu de Poeta de Fernando Pessoa / The Poet Hat of Fernando Pessoa
Texto: Miguel Neto
Tradução (para inglês): Austen Hyde e Martin D’ Evelin
Ilustração: André Carrilho
Edição: Lisbon Poets & Co.
74 págs., 12,90€

(Versão alargada do texto divulgado na edição do Público de 31 de Dezembro, na página Crianças.)

Para conhecer melhor o trabalho de André Carrilho, siga-nos.

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Aqui está a página completa, com sugestões de actividades culturais para as famílias. Mais informação no Guia do Lazer.

E todos salvaram o Natal

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04HorasAntes do Natal  05As Visitas do Pai Natal  06NatalTorrado

Nas vésperas de Natal, divulgámos estes títulos no espaço Família e Relações (no site Life&Style do Público). Um texto a que chamámos “Livros de Natal (porque é Natal)”.

“Histórias sobre o Pai Natal, com renas e duendes, sobre a família, com presépios e espírito natalício, preenchem as páginas de livros que todos os anos por esta altura são editados ou reeditados. Nesta “montra”, cabem seis. Três de autores portugueses e três não. Todos querem salvar o Natal. E conseguem.”

A página Crianças (de Natal) foi assim

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Aqui está a reprodução da página Crianças da edição do Público de 24 de Dezembro de 2016.

Esperamos que a noite de Natal dos visitantes do Letra pequena tenha corrido bem. Entre a família e os amigos, com boa comidinha, as prendas desejadas e, mais importante que tudo, com muitos mimos e abraços. “Noite feliz, noite de amor…” como diz a canção.

Está a começar a parceria com a Rádio Miúdos

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Letra Pequena está na Rádio Miúdos para (também ali) divulgar livros para crianças e jovens. Uns são de escritores e ilustradores portugueses, outros não. Gostamos de ler e dar a ler e acreditamos que há um livro certo para ti. Juntos vamos encontrá-lo. A parceria começa nesta quinta-feira, dia 22 de Dezembro.

Letra Pequena está na Rádio Miúdos

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A partir de 22 de Dezembro vamos partilhar as nossas leituras com os ouvintes da Rádio Miúdos. Começamos com alguns títulos do painel Livros para Escutar, mas não ficaremos por aí.

Letra Pequena está muito contente por assim poder chegar a ainda mais crianças e jovens falantes de português espalhados por várias geografias deste nosso mundo. Sintonizem-se…

Um miúdo que explica (quase) tudo aos pais

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É sabido que as crianças fazem muitas e muitas perguntas. Nem sempre os pais sabem ou querem responder. Chegam a desesperar com o momento em que as questões lhes são postas. Seja porque lhes parece que a criança se está a antecipar às fases de desenvolvimento que os manuais ditam ou porque aparecem em contextos embaraçosos. Enfim, quem tem crianças por perto sabe do que falamos (e nem precisam de ser pais).

Neste livro, o protagonista é um desses miúdos, sempre com um ponto de interrogação à espreita. Não entende o céu (afinal, como é que as estrelas se seguram lá em cima?) nem o coração (com os seus disparos frente à Maria).

A ajuda que pede aos pais para esclarecer estas e outras dúvidas não o satisfazem. Decide então investigar por si só. “Não foi fácil, mas, ao fim de algum tempo, consegui perceber muitas coisas que não percebia.”

Uma das investigações decorreu da comparação entre o pequeno e o avô: “A cara com rugas, as costas curvadas, as mãos com pintas, a careca aonde me apetece fazer desenhos com marcadores e lápis de cera. A minha cara não tem rugas, não tenho as costas curvadas e até gostava de ter pintas nas mãos e desenhos na careca, mas não tenho.”

Depois de perguntar aos pais a razão destas diferenças, estes “apenas” explicaram que o avô era mais velho do que ele. Mas o rapaz chegaria a uma conclusão muito mais satisfatória, que lhe ocorreu enquanto o desenhava: “– O avô tem um relógio no pulso, e eu não. O tempo passa por ele, e por mim não.

Um livro poético na escrita e na ilustração, em que as duas linguagens denunciam, a seu tempo, quer a confusão das dúvidas quer a clareza possível das conclusões. Com talento.

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A ilustradora usa várias técnicas e escalas para representar o rapaz e os contextos, impelindo-nos a virar a página com vontade de descobrir a solução gráfica que escolheu para as questões que vão sendo formuladas pelo protagonista. Como no pensamento do rapaz, dos pais dele e do leitor, nada é óbvio, mas também nem tudo é totalmente enigmático.

Gostamos particularmente de uma das perguntas finais, que também formulámos em tempos e a que já nos submeteram mais recentemente. “Onde é que eu estava antes de ter nascido?

Os Pais não Sabem, mas Eu Explico será apresentado amanhã [dia 18] em Lisboa, por Carla Maia de Almeida, na Landeau Chocolate do Chiado, às 16h. As autoras Maria João Lopes (jornalista do PÚBLICO) e Teresa Cortez vão lá estar. Levem crianças e perguntas difíceis. Elas explicam tudo o que os pais não sabem.

Os Pais não Sabem, mas Eu Explico
Texto: Maria João Lopes
Ilustração: Teresa Cortez
Editora: Máquina de Voar
28 págs., 10,60€

(Texto divulgado na edição do Público de 17 de Dezembro, pág. Crianças.)

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Para conhecer melhor (no Facebook) o trabalho da ilustradora Teresa Cortez, é este o caminho.

Uma bancada de cozinha ou um livro?

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Um livro de receitas, em que se aprende a fazer salada, caldo de feijão, pão de frigideira (“um pão-quase-pizza”), limonada, molho de iogurte, guacamole, vinagrete, sopa de tomate com ovos, bolo de maçã e, claro, batata chaca chaca. Do abastecimento da despensa ao momento em que chegam os convidados para a refeição, o leitor vai sendo desafiado a identificar ingredientes e utensílios de cozinha.

Para adivinhar as primeiras quatro iguarias são dadas estas pistas: “1. É feito de leite e pode ser fatiado, cortado aos cubos… 2. É um vegetal e faz chorar. 3. Os coelhos adoram-na… crunch crunch. 4. É verde e há quem o confunda com a curgete.” Seguem-se depois orientações para o procedimento na confecção dos vários pratos que se pretende oferecer aos amigos que hão-de chegar, “lá para o final do livro (mas não vale espreitar)”.

Batata Chaca Chaca é o novo título  da Colecção de Cantos Redondos, que a editora define assim: “Livros em papel interactivos e digitais? Nem mais.” E é o que Yara Kono faz com este manual de culinária, em que põe os miúdos a mexer no livro como se estivessem mesmo a cozinhar. “Levanta ligeiramente esta página e abana-a com cuidado, para passares tudo para a tigela da página ao lado” ou “… dá duas pancadinhas no topo do livro, para a limonada passar melhor no coador”.

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Todas as descrições e informações são acompanhadas por imagens muito coloridas, com uma grande profusão de elementos, como a capa do livro deixa antever. Como se diz na contracapa este é um livro “transformado em bancada de cozinha”. Toca a lavar as mãos e a pôr um avental.

Batata Chaca Chaca
Texto e ilustração: Yara Kono
Edição: Planeta Tangerina
40 págs., 13,50€

(Texto divulgado na edição do Público de 10 de Dezembro, na página Crianças.)

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Em papel, foi assim.