Tiago Bartolomeu Costa

Tiago Bartolomeu Costa

Teatro Público Um blog de Tiago Bartolomeu Costa Quando comecei no PÚBLICO, em 2005, pediram-me que as críticas de dança fossem um equilíbrio entre análise, descrição e contextualização. E foi a partir deste princípio que comecei a assinar outros textos na secção de Cultura, enquanto fui fazendo uma revista, conferências, debates e um livro e com isso ganhei três prémios internacionais – dois de jornalismo cultural e outro de liderança cultural. Gosto de dizer que trabalho sobre o que gostava de ler e que isso, muitas vezes, passa pelo palco. Escrever sobre espectáculos é escrever sobre política, economia, literatura, filosofia e outras mundanidades. E vice-versa. Gosto de dizer que escrevo sobre o que fica entre a realidade e a ficção. A realidade que é ficcionada e a ficção que é realista. Esse meio é o que tento definir, e questionar, em cada texto.

Chegada do comboio à estação

Um dos primeiros filmes da história do cinema foi, precisamente, a chegada do comboio à estação, dos irmãos Lumiére. Essa sequência é homenageada no filme de Martin Scorcese (que eu acho belíssimo, aliás). Gosto de estações de comboios e de pessoas à espera de comboios. Aqui, a estação de comboios de Montparnasse, em Paris.






Para lá das nuvens

Nas últimas duas semanas fui duas vezes a França. Mas, ao contrário do Luisinho, que só queria ir passear, desde manhã até ao deitar, os dias foram feitos de transbordos entre comboios e aviões, dias inteiros sem almoço, espectáculos para mais tarde escrever para os suplementos do jornal e corridas atrás de corridas. O Luisinho […]






Lisboa em dez imagens (e mais dez)

Pede-me um amigo que lhe mostre 10 sítios em Lisboa. Resisto. Disfarço. Não sei. Ele insiste. No fim, queria mais dez. Como estes: – Odeio as colinas de lisboa, odeio-as mesmo; – Gosto do aeroporto de Lisboa. É a metáfora perfeita para o português. Nem muito grande nem muito pequeno, a meio caminho de coisa […]






Diário de Paris (VIII)

Há vários alfarrabistas, livrarias com livros em segunda mão e outras onde se encontram preciosidades. A Gilbert & Jeune, não sendo a mais extraordinária, é a mais acessível, com as suas divisões em secções e um verdadeiro espírito de equilíbrio entre livraria e alfarrabista. Aqui, junto à Fonte de Saint-Michel, os empregados descarregam caixas e […]






Diário de Paris (VII)

Seria muito fácil pensar que os dias inteiros aqui, nestas ruas, nestas livrarias, nestes restaurantes, neste encontros fortuitos e nesta luz, poderiam ser dias inteiros nas árvores, como o título da peça de Marguerite Duras. Depois percebemos que todas estas ruas, árvores, restaurantes, encontros e luz só produzem o efeito que precisamos porque, precisamente, não […]






Diário de Paris (V)

Ficamos rendidos, claro, a esta poesia quotidiana (tanto que surge em nós, inesperada e vergonhosamente, a veia de um poeta de vielas e copos sujos, preparado para fazer odes a qualquer pássaro que cante, a qualquer corpo que surja, a qualquer cor que nos encandeie). Paris, quando o inverno se aproxima, fica assim, com o […]