Em Koh Kood, a levitar

Koh Kood,Deixámos Samed para trás e escondemo-nos na selva de Koh Kood, a quarta maior ilha da Tailândia, muito próxima já do Camboja, durante três dias. A viagem ainda foi longa: 20 minutos de barco até Rayong, duas horas e meia por estrada até Laemsok, na província de Trat, e daqui mais uma hora a sulcar as águas azul-turquesa do golfo da Tailândia. Entretanto, bem-vindos ao Soneva  Kiri. Ou, se preferirem, welcome to the jungle.

Koh KoodChegamos numa hora de sol forte, o que ajuda a dourar o cenário: a areia fina resplandece, para o azul do mar não há adjectivos e o verde da vegetação parece ter sido retocado de propósito. Não vemos a hora de cair na água, de boiar de olhos bem abertos para este céu que não acaba. Antes, porém, vamos conhecer a Amp – “De amplifier”, ri-se ela –, que nos recebe descalça no deck sobre o mar. Só mais tarde percebemos a ausência de sapatos. A filosofia do resort, que abriu em 2009, é esta: no news, no shoes. Isto quer dizer que os hóspedes também são convidados a andar de pé descalço (não, obrigada) e que a televisão do quarto, escondida numa enorme mala de viagem, só funciona com vídeos pedidos na recepção. Internet há, mas não em todo o lado, e a rede de telemóvel também não é universal.

Ficamos alojados na villa 61, que é composta por quatro quartos e uma piscina comum. A vista para o mar é incrível e depois ainda há uma infinidade de salas: duas ou três no segundo andar, uma de bilhar, uma pequena copa e um ginásio, e na volta ainda não vimos tudo. Algumas casas de banho são praticamente ao ar livre, resguardadas por uma paliçada de bambu, material que, aliás, está em grande destaque neste eco-resort. E isto quer dizer, naturalmente, que há aqui bichos com fartura, mas preferimos não pensar nisso, pelo menos por enquanto. Entremos, portanto, neste espírito Robinson Crusoe completamente assumido: até os mordomos à disposição de cada uma das villas se chamam Mr./Ms. Friday. Amp é a nossa Ms. Friday, já perceberam.

Algumas das 36 villas do Soneva Kiri têm acesso directo ao mar, mas “a” praia está a uma curta travessia de barco. Bastam menos de cinco minutos para chegarmos ao idílio. Escolhemos uma espreguiçadeira protegida do sol por uma fiada de coqueiros e corremos para a água, quente que quase nem refresca. Tínhamos prometido boiar e é o que fazemos, olhos fixos num céu azul pontilhado por algumas nuvens (ainda há-de chover forte enquanto aqui estivermos de molho, mas não é agora e na verdade a chuva não vai incomodar, antes pelo contrário). Ficamos dentro de água a pensar que esta imensa piscina cristalina, onde de vez em quando vemos cardumes de peixes listados, nos pertence por inteiro: há pouco, os quatro outros hóspedes do Soneva Kiri apanharam o barco, deixando-nos sozinhos nesta praia do Norte.

Perdemos a noção do tempo, mas estamos no mar até que os dedos das mãos quase desapareçam de tão engelhados. Os três funcionários que connosco permanecem na praia servem-nos água fresca e espetadas de fruta. Precisaremos de mais?

A não ser que nos ofereçam uma massagem no spa e, a seguir, uma aula de meditação que nos mostra que, afinal, talvez seja possível levitar.

Quando subimos as escadas de madeira que nos levam à sala camuflada pelo arvoredo já Vinay Kaushik está sentado no colchão. Imitamos-lhe a postura e ouvimo-lo explicar que o que hoje vamos praticar é ioga nidra – um estado de consciência entre o sono e o despertar que permite um relaxamento total do corpo. Deitamo-nos no colchão e a partir de agora simplesmente obedecemos à voz do indiano Vinay. “Fechem os olhos e concentrem-se na respiração.”

O canto dos pássaros e o restolhar das folhas das árvores torna-se cada vez mais longínquo e a voz suave mas firme de Vinay encaminha-nos para o lugar certo. “Concentrem-se no lado direito do vosso corpo”, pede o professor – e não é que o corpo obedece e quase se levanta sozinho? “Pensem no vosso joelho direito”, e o joelho parece ter vida própria e erguer-se ao comando de Vinay. O mesmo com o braço, o cotovelo, o ombro. O que é que se passa aqui?

Passamos ao lado esquerdo e a experiência é praticamente a mesma. Quando Vinay pede para olharmos para o nosso corpo como um todo, é realmente quase como se o estivéssemos a ver de fora. Repetimos: alguém sabe explicar-nos o que é que se passa aqui?

Koh Kood

A Fugas viaja a convite da Autoridade de Turismo da Tailândia e da Destination Asia

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