– Can’t sleep, ma’am?

– Can’t sleep, ma’am?
Ele continuou a subir as escadas, eu continuei sentada nelas, no corredor do hotel, a fumar e a contar as peripécias do dia no chat. Que fomos de metro para Old Delhi, carruagens para homens e outras para mulheres, que seguimos em fila quase indiana até ao restaurante, rapazes nas pontas, nós no meio, que se come tão bem na Índia, que quase morremos nos tuk-tuk, os nossos táxis aqui, que nem eu consigo conduzir assim, que já gravei os sons todos, as orações nos templos, as músicas, os barulhos na rua, que cheira muitas vezes a incenso, a especiarias nos mercados, que as folhas para mascar, paan, são tão bonitas, que tenho pena de não conseguir descrever o que vejo, porque fico atordoada. Gosto destes desencontros tardios no chat
– Que horas são aí?
e de acordar às três da manhã com uma mensagem a perguntar como se escreve uma palavra. De acordar não, porque às três da manhã ainda não estou a dormir. A diferença horária não ajuda. Ponho-me a ouvir a rua no tecto e aquela confusão distrai-me, mas não durmo na mesma. Às três da manhã levantei-me e fui mesmo de pijama para o corredor, fumar mais um cigarro. Agora estamos de saída para Varanasi, vamos passar a noite no comboio. Trabalham 60 milhões de pessoas nos caminhos-de-ferro na Índia. Com aquele embalo vou dormir de certeza. De certeza, de certeza, não. Vamos chegar a Varanasi às sete e meia da manhã, com sorte ainda vejo o sol nascer da janela do comboio.
mjl3

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