Buda, a princesa e o rei

fotografia 2Ele saúda-nos no aeroporto, pelas ruas – ainda que por estes dias divida o protagonismo com a segunda filha, a princesa que completou 60 anos e tem retratos seus nas principais ruas do centro de Banguecoque sempre envoltos em roxo, a cor do seu dia de nascimento, um sábado. Rama IX, o pai, o rei, tem 84 anos (sete ciclos de vida na religião budista, cada qual correspondendo a 12 anos) e está no hospital. “Porque é muito velho é melhor estar junto dos médicos”, diz-nos Somt, o nosso guia, licenciado em história e admirador incondicional da família real. Os seus olhos brilham enquanto no museu Rattanakosin Exhibition Hall seguimos a evolução da dinastia Chakri, que começou em 1782, quando a Tailândia ainda era Sião, e a actual capital foi fundada.

“Há duas coisas que os tailandeses respeitam, acima de tudo: a monarquia – adoramos o rei – , e a religião”, dizem-nos vários tailandeses e reforça-o o espanhol Oscar Dominguez, fotógrafo freelancer, frequentador assíduo destas paragens e por estes dias no final de um périplo do sudeste asiático que dura desde o início de Maio. “Vais para a prisão se ousas desenhar um bigode que seja num retrato do rei.” Não admira, portanto, que a nossa primeira manhã tailandesa seja um roteiro de glorificação de sua majestade – seja pela geografia, com passagem pelo palácio real, palácio da filha aniversariante e palácio “de mármore”, como é conhecido o Ananta Samkhon; como pela descrição dos seus feitos – “a distribuição gratuita de leite pelas famílias mais pobres ou os campos experimentais de arroz, para ajudar a família”, aponta Somt, tudo completado pela exposição, então, que nos descreve todo este percurso de Rattanakosin/Banguecoque paralelo ao da família Chakri.

fotografia 1Chove novamente em Banguecoque quando chegamos para uma visita quase relâmpago ao Templo de Mármore. Os noviços têm guarda-chuva, mas caminham descalços, tímidos ao verem estrangeiros. Não encontramos a tranquilidade esperada: um altifalante debita ininterruptamente palavras que, viremos a saber, são nomes de doadores para o templo.

No dia seguinte, já sem guia, veremos uma súmula de tudo isto no Grande Palácio, uma súmula de toda a grandeza dinástica feita arquitectura, num complexo de vários edifícios, excesso de dourados e decorações faustosas de cerâmica tailandesa.

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Não vemos visitantes quando entramos no recinto. Vemos multidões, como se de um formigueiro se tratasse – mas estas formigas não carregam comida, antes uma ânsia imparável de fotos e, sobretudo, selfies. A maior concentração encontra-se logo na primeira parte do recinto, especialmente em torno de Wat Phra Kaew, o Templo do Buda Esmeralda.

Os sapatos ficam à porta e fotografias só do exterior – no interior fazem-se orações e observa-se todo o interior trabalhado até ao assombro e a salvo de fotografias (um turista que ostensivamente ergue a máquina para o Buda vê as fotos serem apagadas por seguranças). E sabendo que os tailandeses crêem que o rei é divino pela crença hindu e um futuro Buda que vai atingir a iluminação na próxima vida segundo o budismo tudo se torna mais simbólico e quase se misturam monarquia e religião. O certo é que os templos budistas abundam pela cidade, pela província, surgindo nos locais mais inesperados – os altares ao rei também são comuns e a sua imagem, essa, é omnipresente.

Andreia Mar­ques Pereira viaja a con­vite do Turismo da Tailândia

 

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