Machu Picchu, “que las hay, las hay”

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Talvez tenha sido a excitação própria dos grandes acontecimentos: eram quatro e meia da manhã quando acordámos em Urubamba, frescos como alfaces, muito antes da hora marcada para o despertar.

Saímos do hotel às 6h45, debaixo de um céu limpo e com sol – um bom presságio para a nossa visita a Machu Picchu, embora nestas paragens o tempo seja sempre uma incógnita. Mais ainda agora, que estamos na época das chuvas.

Em Ollantamtaybo apanhamos o primeiro comboio para Aguas Calientes, a base de exploração da cidade perdida (e mágica e mística e o que mais quiserem) dos incas. Vai cheio como um ovo, este Expedition, que levará uma hora e meia a cumprir o trajecto. Parte às 7h45 e vai rodando devagar pelos carris, dando-nos tempo para apreciarmos a paisagem em redor: o rio Urubamba, que corre revolto; os campos de milho; as povoações minúsculas. Com janelas no tecto, o comboio oferece sempre uma panorâmica das montanhas em volta, encaixilhadas em pedaços de nuvens que dão um ar poético ao cenário.

DSC08558Ao lado esquerdo, surge agora a ponte de madeira que marca o início do caminho inca – 39 quilómetros pelas montanhas, que se percorrem em quatro dias de caminhada e aportam em Machu Picchu. Apontam-se todas as máquinas, mas o que mais marca, no entanto, é a imponência destas escarpas gigantescas que desenham recortes incríveis.

A partir deste ponto, a paisagem muda radicalmente: estamos agora em plena floresta amazónica. Uma cascata aqui e ali, construções incas que despontam – e entretanto o comboio pára. Faltam só mais 20 minutos de autocarro numa estrada que serpenteia (às vezes até de mais) montanha acima. Já estamos quase, quase a chegar. E a excitação aumenta.

O sol está forte agora. Mercedes, a nossa guia, desafia-nos a uma caminhada de 15 minutos, sempre a subir, prometendo que o esforço valerá a pena. É verdade: com a língua de fora, chegamos ao topo e temos uma visão completa da cidadela de Machu Picchu, tal e qual como a vemos nas fotos que povoam o nosso imaginário desde sempre. Não falta sequer o nevoeiro por trás da montanha, aquele que torna o quadro ainda mais misterioso. Por mais que queiramos fugir aos clichés, é impossível perante o que temos à frente. Machu Picchu é magnética, imponente, esmagadora, “you name it”.

Edificada no século XV pelo imperador inca Pachacutec, a cidadela situa-se a 2430m, entre montanhas e descidas íngremes até ao rio Urubamba. Acredita-se que a construção com enormes pedras de granito tenha demorado 50 anos e que lá terão vivido 500 pessoas. Os conquistadores espanhóis, que chegaram ao Peru em 1532, nunca a encontraram. Só em 1911 o americano Hiram Bingham a descobriu, resgatando Machu Picchu da selva e devolvendo ao mundo o que muitos acreditam ser um dos “lugares mais energéticos” do planeta – e as palavras são de Mercedes.

Não sabemos se é realmente assim. Mas, pelo sim, pelo não, entramos na onda e tocamos nas “pedras sagradas”. “¿Que las hay, las hay, no?”

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Sandra Silva Costa viaja a convite da Agência Abreu e da LAN

 

2 comentários a Machu Picchu, “que las hay, las hay”

  1. É exactamente como diz: Machu Pic­chu é mag­né­tica, impo­nente, esma­ga­dora. É impossível descrever o que se sente. Eu apenas consegui dizer: “já posso morrer já vi o Machu Picchu”. Agora digo: não quero morrer sem voltar a este mágico lugar! Obrigada por esta viagem acabada de fazer.

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