Bendita coca

Há males que vêm por bem, de facto. Tínhamos pedido, como fazemos sempre, lugar de corredor mas uma troca de última hora sentou-nos numa janela na viagem entre Lima e Cusco. Não nos preocupámos muito: a jornada era apenas de uma 1h10 e isso, para quem já tinha 13 horas de voo no lombo e outras tantas de aeroporto, era “peanuts”.

À janela, portanto, e a ver passar o Peru. Ali está Lima e a nossa primeira visão do Pacífico – verde-esmeralda aqui de cima; uns minutos depois e são sucessões de picos nevados, a nossa primeira visão dos Andes; e finalmente montanhas umas a seguir às outras e uma cidade cor de terra, a nossa primeira visão de Cusco.

24h depois, três voos pelo meio, eis-nos na cidade-emblema dos incas, praticamente a 3400 metros de altitude. São 11h30 locais, 16h30 em Portugal.

Deixamos para trás o aeroporto e o sol da manhã está mais forte do que esperáramos. A cabeça lateja mas é difícil perceber se é sono, cansaço apenas ou mal de altitude. Pelo sim pelo não, venha a coca.

Um nuevo sol (qualquer coisa como 0,26€), um pacote com uma mão-cheia de “caramellos”. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Há no grupo quem diga que sabe a amêndoas torradas – conseguimos entender porquê –, outros identificam chá verde. Certo, certo é que tem sabor herbal e, pode apenas ser sugestão, mas a pressão na cabeça parece aliviar um pouco ao fim de uns minutos. Também há a versão folhas para mascar, mas não podemos ter todas as experiências de uma vez.

Chegados ao hotel, na Avenida El Sol, que em 12 minutos a pé nos há-de levar ao coração histórico de Cusco, a Plaza de Armas, vemos já um turista mais velho ligado a uma garrafa de oxigénio. Não precisamos de tanto, pelo menos para já: servem-nos um chá que alivia de novo as tonturas e a pressão que ressuscitara entretanto . Bendita coca.

______
Sandra Silva Costa viaja a convite da Agência Abreu e da LAN

Um comentário a Bendita coca

  1. Eu também agradeci ao chá de coca o facto de me ter aliviado a pressão sentida na cabeça, os miolos pareciam estoirar. Os hoteis tinham, logo à entrada, termos com chá à discrição dos clientes. Sem este líquido milagroso não seria possível apreciarmos a Plaza de Armas e a sua fantática Catedral. Bendita cidade! Obrigada Sandra Costa por mais esta reportagem.

    Responder

Responder a Maria Clara Costa Cancelar resposta

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>