O deserto no meio do mar

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Cercados de praias por todos os lados, vivemos na Boavista (ou Boa Vista, que há uma dualidade contínua) como num contínuo postal ilustrado. As linhas de praia são tão impactantes que corremos o risco de esquecer tudo o resto. Mas, nos seus 620km2, a Boavista é muito mais que mar. Dentro de si, guarda o deserto, uma ostra com pérola de cambiantes que se estranham e entranham sucessiva ou mesmo simultaneamente.

Com tanto mar, tanto mar nas vistas, o Deserto de Viana, que se espraia pelo Noroeste até ao centro da ilha, traz-nos o Sara ao Atlântico.  Trazidas pelos ventos, as areia do Sara não só polvilham as praias como criam este deserto marinho.

Em rali pick-up, penetramos no Deserto de Viana quando ainda há momentos piscávamos o olho ao mar. Elevam-se dunas clarinhas que descem em suaves ou abruptos vales – e já há por aqui quem pense em ‘sku’.

Por entre o sobe e desce, a terra pedrosa e seca vai assumindo cores avermelhadas, formações lunares. Aqui e ali, palmeiras que se agarram à vida. Os turistas chegam ao deserto e logo, tal como as areias, parecem também trazidos pelos ventos do continente africano os senegaleses que por aqui dominam as vendas de artesanatos – dos quais, diga-se, a essência cabo-verdiana parece ausente. Mas o certo é que arrumam, profissional e teatralmente, os propostos souvenirs pelas areias, aproveitando o cenário na perfeição.

A brisa do deserto leva-nos até às dunas majestosas do Morro de Areia. E, do deserto ao mar, parecemos ficar à distância de um mergulho.

 

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Luís J. Santos viaja a convite da TAP

Fotografias: cortesia de Fernando Borges

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