E os céus abriram-se sobre Marraquexe

Quem já tinha vindo às regiões de Marrocos que se situam a sul do Atlas passou a viagem a reconfortar os restantes ao longo de dias em que fomos apanhando uma chuvinha aqui e ali: “Depois de passar o Atlas tudo muda.” Um colega ia mais longe: “Se estiver a chover em Marraquexe, é porque o mundo está para acabar.”

Não sei se o mundo está para acabar. Sei que a verdade é que tudo mudou. Passou-se de uma chuvinha indecisa e envergonhada para uma descarada tromba de água, com direito a relâmpagos e trovões.

Porém, não há lugar a queixumes. Ao longo de segunda-feira, o calor sufocante não se fez sentir, o sol a espreitar entre as nuvens não queimou ninguém, mas a chuva fez a interrupção de que precisávamos para aproveitar o dia naquela que é designada de a “porta do sul”. E os odores, tão intensificados pelo calor, parecem-me nesta visita menos repelentes do que na última. Já os habitantes de Marraquexe talvez estejam entre os marroquinos que mais esforço fazem para serem simpáticos. Não parece ser-lhes natural ou então são efeitos da overdose turística. E se há cidade em que se devem seguir os “mandamentos” do turista em Marrocos (vide post anterior)  é esta.

Andar entre os vários restaurantes, que, diariamente, são montados na praça a partir do meio da tarde, é uma aventura. E se quando me interpelaram foram simpáticos (demasiado até), assim que virava costas fui insultada da cabeça aos pés. Não ouvi a maioria das palavras lançadas, mas pelo que percebi só não fui chamada de “mãe”.

Mas, felizmente, há sempre as excepções que confirmam as regras. E, por sorte, apanhei três excepções: a caminhar na direcção errada, alguém prontamente me redireccionou para a Praça Jemaa El Fna; numa loja, a comprar um par de meias sem regateios, fui acarinhada pelo facto de ser portuguesa (“Rónaldo! Futbôl!”, claro); e num dos restaurantes da praça (a saber: esplanada 55) não só fomos recebidos com simpatia como a conta chegou certinha à mesa: jantar para seis por 260 dirham (23,26 euros). A honestidade foi devidamente recompensada com o arredondamento para 300 dirham (26,83€ – cada um pagou 4,47€ por um festim sensorial). Já a gorjeta foi agradecida com quase uma escolta até à saída.

______
Carla B Ribeiro (texto) e Sérgio Azenha (fotos) viajaram a convite do Turismo de Marrocos

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>