3ª etapa: Sofrer com paisagens montanhosas deslumbrantes

Raul Matias a preparar os bidons para o dia quente que se avizinhava. Agora massagista, Raul correu como profissional em 15 Voltas a Portugal

Raul Matias a preparar os bidons para o dia quente que se avizinhava. Com 51 anos e agora massagista, Raul correu como profissional em 15 Voltas a Portugal 

Às vezes fico incrédulo com a capacidade dos nossos corpos em adaptar-se a diferentes actividades e ambientes, e na 3ª etapa do Portugal Randonée não foi diferente.

Depois de termos dito adeus ao hotel em Alvados, o Cooking and Nature Emotional Hotel, inserido na Serra dos Candeeiros, partimos para uma viagem de 220 quilómetros, mas desta vez não de bicicleta. Tivemos a oportunidade de descansar as pernas, enquanto viajávamos, no autocarro confortável e espaçoso (com duche, televisão e sofás) da equipa profissional portuguesa, a LA-Antarte, que chegou no terceiro dia e ficou com o grupo até  ao final da viagem.

Mal chegámos ao ponto de partida da jornada, em Tortosendo, no sopé da Serra da Estrela, as caras dos ciclistas não conseguiam esconder uma mistura de ansiedade e nervosismo. A partir daquele ponto e até ao fim seria tudo a subir até aos 1500 metros de altitude e, com o calor que se fazia sentir, só os bidons gelados e a promessa de paisagens deslumbrantes nos tranquilizaram.

“Estão todos prontos? Força!”

A voz de João Correia, ex-ciclista e organizador da viagem, misturou-se com o burburinho dos locais que se agruparam para ver a novidade na vila. E, o sinal de partida significou logo a formação de um grupo mais rápido na frente, onde me incluí. Surpreendentemente, depois de duas etapas de 100 quilómetros cada, o meu corpo sentiu-se com força durante os 92 quilómetros até às Penhas Douradas, também porque graças aos conselhos do dia anterior do massagista, fui comendo e bebendo durante a primeira parte do percurso, factor essencial para não ter tido nenhuma quebra de energia na parte final, a longa (20 quilómetros) e inclinada (14% de inclinação máxima) subida até ao hotel das Penhas Douradas.

Entrada dos ciclistas para o autocarro da equipa profissional portuguesa LA-Antarte

Entrada dos ciclistas para o autocarro da equipa profissional portuguesa LA-Antarte

 

Mas tal como disse Colly, um ciclista irlandês, foi a subida toda a “sofrer, sofrer, bela vista, sofrer, sofrer”.

Vista das Casas das Penhas Douradas

Vista das Casas das Penhas Douradas

No final da etapa todos os ciclistas mostraram uma satisfação imensa, por não só terem terminado um percurso de bicicleta tão exigente, mas também por terem chegado às Casas das Penhas Douradas, com uma arquitectura moderna, envolvidos em paisagens de cortar a respiração. Para terminar o dia, não pode faltar um jantar no restaurante do hotel com produtos da região, como um caldo verde cremoso, um carré de borrego suculento e um leite-creme com o topo estaladiço.

Depois de um jantar, que deliciou ciclistas e staff, bastou um click para todos adormecerem nos seus quartos. Mas o sono não foi tranquilo, as borboletas instalaram-se no estômago mal se soube que o percurso de bicicleta da 4ª etapa tinha 165 quilómetros.

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