Bailado nas Formigas


Escrevemos no final de um dia longo, ainda com os dedos meios enrugados e a pele da cara curtida pelo sol, depois de nove horas passadas no mar. Mas não há cansaço que apague o sorriso que trazemos no rosto. Dizem que à terceira é de vez, e é mesmo: finalmente, as jamantas responderam “presente” à chamada que andávamos a fazer desde que pisámos a ilha.

No segundo dia de mergulhos em Santa Maria rumámos a Nordeste, em direcção ao ilhéu das Formigas, composto por oito pequenos rochedos situados a 24 milhas náuticas do Farol da Maia. Pelo caminho, fomos escoltados por cinco grupos de golfinhos que pareciam pular de contentes. Resta saber se era por nos verem, se era pelo banquete que teriam à espera debaixo de água. Achamos que ambas as hipóteses estão correctas.

Nas Formigas, depois de um primeiro mergulho num azul-turquesa recheado de vida e com visibilidade de, talvez, 30 metros, a magia aconteceu na segunda imersão. De repente, como que vindas do nada, surgem perante os nossos olhos duas jamantas, dando boleia, como é habitual, às rémoras preguiçosas – pequenos peixes que se colam (literalmente) a peixes grandes para pouparem energia a nadar. Imponentes, aproximam-se devagar, nadam à nossa volta, chegam mais perto, passam por baixo de nós, rasgam caminho no azul, a 20 metros da superfície. Graciosas, como bailarinas em palco, batem as “asas” enormes (têm pelo menos três metros de envergadura) e só isso basta para deixar o grupo de mergulhadores em êxtase. Ou em hiperventilação.

O bilhete para o espectáculo de bailado incluía outras actuações. Como os meros simpáticos que vinham pedir atenção, com os seus enormes olhos (de observadores, passamos a observados) e “lábios” grossos. Ou os cardumes de lírios, de bicudas ou de enxaréus. Também peixes-porco, vejas e outras espécies mais tropicais, ou não estivéssemos nós na placa africana do arquipélago. Tentar identificar todas as espécies é uma tarefa impossível para leigos. Resta-nos contemplar, trocar impressões fora de água e guardar na memória as imagens. Essas já cá cantam.

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Marisa Soa­res (texto) e Nel­son Gar­rido (fotos) visi­tam Santa Maria a con­vite do Clube Naval de Santa Maria

 

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