Bateu-me a beleza nos olhos. Depois mergulhei

Há alturas em que a beleza em redor é tão naturalmente avassaladora que as palavras não encontram forma de emergir. Um passeio pela praia do Porto Santo pode garantir esse silêncio interior que, só a muito custo, agora (profissão oblige), é esculpido em palavras.

A praia prolonga-se por uns 9km de sul. Uma língua longa que nos fala da erosão do tempo e nos vai falando de banhistas isolados (grupos maiores só perto da Vila Baleira ou à frente dos resorts), de hotéis que se erguem melhor ou pior (há uns que se assomam elevados, mas também outros, rasteiros, que as grandes dunas chegam para ocultar), de areias douradas e quentes, águas mornas de ondulação suave, plantas que fincam raízes no areal, pequenas áreas de rochas e pedras limosas em geometrias divinas e em poças e pocinhas, montes rochosos nos extremos das vistas. Um quadro de amplidão total.

Caminho rumo a porto fácil e, dizem-me, santo. É sempre em frente até à ponta da Calheta, com um majestoso ilhéu (o da Cal) mesmo em frente e a dois palmos e meio (à vista). Depois de tanta recta arenosa, a praia vai ficando mais rochosa e, para atingir a piscina desejada, há que curvar e subir, com as devidas cautelas (lá está o sinal de perigo a tocar sinetas), por entre rochas. Nada muito complicado e que é compensado até ao infinito.

Arregalo os olhos para a abertura entre rochas, uma larga e profunda piscina natural de fundo rochoso (mas a que os pés não chegam). A água é mais fresca que na praia perfeitinha mas nada que desmotive. É destas belezas que precisamos para fazer intervalos nas crises e dar-nos mundos. A cada um, a sua poesia. E eu vivo para estes poemas.

O resto foram mergulhos, flutação (que água mais salgada, abençoada seja), o sono da rocha, os olhos a nadar até ao ilhéu, o vagar do barco (“Vá com Deus”, se chamava) que veio trazer um pescador que se tinha esquecido das chaves do carro por ali… Dois camaradas ainda se aventuraram para lá da grande poça, contornaram a rocha e descobriram uma “maravilhoso” túnel que conduzia a mais maravilhas. Um deles também descobriu o que dói pisar um ouriço-do-mar e ficar com uma mão-cheia de picos bem cravados na sola do pé, mas isso, enfim, é a vida. O resto é mar.

 

 

 

ptst

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A Fugas visitou Porto Santo a con­vite do grupo Pes­tana e da TAP

 

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