Na Cochinchina

O nome oficial é Ho Chi Minh mas há muito boa gente que ainda lhe chama Saigão – isto apesar de Saigão, hoje, ser apenas um bairro da gigantesca metrópole (mais de nove milhões – e a contar). Ou seja, no que ao nome diz respeito toma-se a parte pelo todo e está a andar. De mota, claro, como sempre.

Estamos em Saigão, portanto, e se quisermos impressionar (queremos) só temos de acrescentar que estamos na Cochinchina. Funciona ou não?

Nos anos de dominação francesa, de 1862 até 1954, Saigão foi a capital da Cochinchina, uma região que abrangia todo o Sul do Vietname. O colonialismo já lá vai, mas ainda hoje são visíveis na cidade as influências francesas, sobretudo ao nível da arquitectura: desde o edifício dos correios, o maior do país, até à vizinha catedral de Notre Dame, passando ainda por alguns hotéis cujas fachadas nos fazem vagamente lembrar Paris ou por outros pontos mais anónimos na paisagem da cidade.

Também há “boulangeries” e “baguettes”, Dior e Chanel, mas, hoje, Ho Chi Minh é uma metrópole cosmopolita que não fica a dever muito (nada?) a grandes cidades europeias. Está aqui tudo o que interessa a quem vem do Ocidente sem ter coragem de romper em definitivo com o Ocidente: “fast food”, lojas de topo (pense em todas as grandes marcas de luxo de que se consegue lembrar: estão em Saigão), restaurantes finos, Hard Rock Cafe, hotéis com etiqueta europeia, “roof top bars” de onde se tem a noção de que o céu é mesmo o limite.

Há monumentos que vale a pena visitar, sim (desde o Palácio da Reunificação até ao Museu da Guerra, da catedral à mesquita e aos pagodes), mas, pareceu-nos, Saigão vale sobretudo pelo ambiente vibrante que se vive nas ruas. Percorram-se sem pressas e sem mapa que as boas surpresas hão-de aparecer.

Só uma achega: é preciso ser temerário para atravessar a rua. As motas estão sempre, sempre a aparecer e as passadeiras, as poucas que há, são basicamente elementos decorativos. O truque é entrar no espírito e ir avançando.

Mete medo ao princípio, mas é a única maneira. Ao fim de duas ou três vezes, já é tudo nosso. Afinal de contas, sobrevivemos para contar a história.

Um comentário a Na Cochinchina

  1. Vietnam é um país onde a memória da guerra nos acompanha em toda a viagem mas embrulhada em amáveis sorrisos, em silenciosos gestos e abraços. Adorei este país apesar de termos de aprender, como diz, a atravessar uma rua. Tudo representou uma experiência extraordinária.
    Obrigada pela sua partilha.

    Responder

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>