Drácula não viveu aqui


O castelo de Bran, a cerca de 180 quilómetros a norte de Bucareste, é o sítio onde os norte-americanos e as crianças vêem morrer a crença nos vampiros. O castelo de Bran, ou antes o Castelo do Drácula, recebe entre 500 a mil visitantes por dia. Todos sedentos de algum… sangue. “Já vi americanos, adultos, desatarem a chorar quando percebem que os vampiros não existem”, admira-se, o nosso guia, Andrei Brebulet, que não é definitivamente o maior fã da saga Twilight.

Cabe-lhe a ele a tarefa de desfazer os mitos. E, em nome da verdade histórica, lá vai contando que na verdade o conde Drácula nunca existiu e a personagem que o inspirou, o príncipe Vlad Tepes, o Empalador, viveu apenas três dias naquele castelo. Porém, o escritor irlandês que escreveu um livro baseado naquele governador não gostou do que viu na região de Valáquia, onde Vlad de facto viveu e governou durante três períodos (1448-1456-1462 e 1476), e decidiu “colocá-lo” na Transilvânia.

Vlad ficou conhecido como O Empalador porque inventou um novo método para empalar as suas vítimas, que garantia que estas ficavam a sofrer durante quatro dias, antes de morrer. A alcunha, Drácula, ganhou-a do pai, que fora nomeado cavaleiro da Ordem do Dragão. “Dragão em romeno diz-se draco e diabo diz-se dracu e, com o tempo, as pessoas foram fazendo essa associação”, explica Andrei.

O mito que o punha a beber o sangue das suas vítimas também tem algum fundo de verdade histórica quando Vlad foi detido numa masmorra, depois de ter perdido frente ao exército turco, a única coisa que lhe davam para comer eram animais vivos. Assim, para sobreviver, era obrigado a ingerir o sangue desses animais. Do mesmo modo, o recurso ao alho para afugentar os vampiros bebeu inspiração numa das lendas romenas segundo as quais os morcegos rondavam as raparigas virgens para lhes sugar a alma. Estas protegiam-se com pedaços de alho…

Escrito em 1897, o livro Drácula haveria de dar origem a vários filmes, mas o único que foi realmente rodado neste castelo foi o “Entrevista com o Vampiro”. De resto, não lhe falta uma referência numa das salas do monumento. No sopé da pequena montanha que o alberga, dezenas de lojistas tentam os turistas com a parafernália do costume. T-shirts de Drácula, máscaras, mas também artesanato. “É artesanato romeno home made in China”, desdenha Andrei.

No meio deste cenário, ter um figurante fantasiado de Drácula a ameaçar o pescoço dos turistas soa a postiço. Mas isso nós já sabíamos.

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Natá­lia Faria (texto) e Paulo Pimenta (fotos) via­jam na Romé­nia a con­vite da TAP,  Hotel Marshall Gar­den e Kar­pa­ten Tourism

 

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