Parabéns a você e muitas ilhas de vida

Perdoem-me o acto narcisista, mas este relato começa e acaba no dia dos meus anos. Não é habitual passar o aniversário longe da família, pelo que têm que me dar um desconto.

Também não é habitual passar um dia de aniversário de 30 horas. Começou às 00h00 vietnamitas, numa gruta na baía de Halong – e não esperava ter um grupo de 91 pessoas, a milhares de quilómetros de casa, a cantar-me os parabéns. Eram 18h em Portugal. Houve a cantiga da praxe e depois entraram os Coldplay a ordenar-me: Viva la vida.

À meia-noite em Portugal, seis da manhã no Vietname, o telemóvel trouxe notícias de casa. Despertei assim, abri a cortina do camarote do barco e pousei os olhos no mar da baía de Halong, abençoada pela natureza com enormes formações calcárias, um número indeterminado de ilhas (o Lonely Planet diz que são mais de 3000, mas algumas publicações turísticas descem a fasquia para 2000 – seja como for, são ilhotas que nunca mais acabam) e grutas e caves para todos os gostos. Situada no Golfo de Tonkin, a baía de Halong foi declarada, em 1994, Património Mundial da UNESCO e chegou a estar na corrida das Novas Sete Maravilhas do Mundo.

Rótulos à parte, o que interessa mesmo é o cenário soberbo que lá se encontra. De barco é realmente a melhor forma de apreciar todo o esplendor da baía e as ofertas são bem variadas. Para além dos mais óbvios mergulhos nas águas quentes e calmas, de toda uma miríade de actividades aquáticas (o caiaque é bem popular), é também de reservar tempo para uma visita a algumas das aldeias flutuantes da baía de Halong.

Vung Vieng é uma delas. Conta com 72 habitantes permanentes e, passado o deslumbramento do “pitoresco”, é fácil imaginar que a vida destas pessoas não é um mar de rosas. O guia Thang informa que os homens da comunidade são pescadores, naturalmente, e que, por regra, as mulheres conduzem os barcos que trazem os turistas a Vung Vieng. Entrar na escola da aldeia chega a ser comovente. Tem meia dúzia de carteiras, um quadro verde rabiscado, um armário minúsculo e uma foto de Ho Chi Minh na parede. Ponto final.

De Halong voo para Da Nang, já no centro do país, e daqui parto para Quang Nam, a 12 quilómetros de Hoi An. Caiu-me no colo um hotel de sonho (The Nam Hai). Abro a porta da villa e tenho um bolo de chocolate (do céu) à espera – Happy birthday . Mas a atracção do mar, aqui a uns 50 metros, é maior. São praticamente 18h, meio-dia em Portugal, e ainda o meu dia de anos vai a meio. O céu está nublado, quase ameaça chover, mas entra-se na água como quem entra na banheira.

O resto não deve interessar-vos muito: um jantar delicioso no Brothers Café, mais um bolo de chocolate com direito a nome completo e um gin para fechar a noite no Zero Sea, o bar de Tony, um dinamarquês de 37 anos que aqui se fixou depois de uma bem-sucedida história de amor.

Ainda houve quem tivesse ido à piscina depois do derby Benfica-Sporting, eram quatro e tal da manhã no Vietname. Não foi o meu caso: Viva la vida, sim, mas a idade começa a pesar.

 

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