Cai a neve sobre a «estrela dos Pirenéus»

Saint-Lary – Foto de Nelson Garrido

Chegamos a Toulouse e está frio. Chegamos à montanha e está menos frio. Ainda que a neve esteja por todo o lado e em quantidade generosa, a fazer-se repousar em vários centímetros que constroem muros na beira da estrada. Custou 1h30 até termos a neve que esperávamos nesta visita aos Pirenéus franceses, depois de recearmos ficar pelos retalhos brancos, entre verde desmaiado, que a paisagem foi desvendando no caminho. Estamos no Midi, o Parque Nacional dos Pirenéus está à porta e Saint-Lary (o seu slogan, nada modesto, anuncia-a como “a estrela dos Pirenéus) é uma vila nevada, rodeada de altos picos, alguns dos quais quase se despenham sobre nós e nesta tarde brilham com o sol que atravessa as nuvens.

Saint-Lary – Foto de Nelson Garrido

Meia-hora, 40 minutos (com tempo para as irresistíveis fotos), completam a volta à vila de mil habitantes, que na temporada de esqui se multiplicam até aos 20 mil. O núcleo tem o charme destas paragens: arquitectura tradicional de pedra e madeira a albergar pâtisseries, boulangeries, fromageries a vender directamente para rua, lojas de equipamento desportivo e produtos gourmet, cafés e bares. Do centro, parte o teleférico para a estação de esqui, invisível daqui.

No céu um vaivém de helicópteros: andam sobre os picos a prevenir avalanches – que até fecharam as estradas para a estação durante grande parte do dia (e cortaram as ligações com Espanha, mesmo aqui ao lado). Ainda conseguimos subir uma parte, passando pela aldeia de Soulan, presépio alcandorado na encosta com uma igreja que “chora” (o Natal ainda perdura nas iluminações públicas). A maneira como previnem as avalanches é provocando-as: lançam explosivos sobre os pontos sensíveis e são mesmo seguidos pela televisão pública francesa, que acompanha as operações.

Saint-Lary – Foto de Nelson Garrido

Cá em baixo, toma-se chocolate quente que afinal é chocolate com leite; visita-se uma unidade de produção artesanal (e loja) de presuntos, patés, foie gras; e ouve-se Amy Winehouse por “todo” o lado.
Inclusive ao jantar, nouvelle cuisine revisitada, que é como quem diz, em porções XL (teoria do grupo: é assim porque as pessoas passam o dia a esquiar e à noite têm muito apetite), cortesia do La Grange: depois da truta do almoço, veado ao jantar – na montanha, sê montanhês.

Na madrugada, a insónia vem acompanhada de queda de neve: vemo-la da janela, caindo sobre o rio Neste, que corre nervoso aos nossos pés.

__
Andreia Marques Pereira (texto) e Nelson Garrido (fotos)  viajam a convite da ATOUT France 

Esta entrada foi publicada em França com os tópicos . Guarde o href="http://blogues.publico.pt/emviagem/2013/01/19/cai-a-neve-sobre-a-estrela-dos-pireneus/" title="Endereço para Cai a neve sobre a «estrela dos Pirenéus»" rel="bookmark">endereço permamente.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>