Em Paris

De tantas foram já as vezes – e tantas serão ainda – em que estive em Paris que me esqueço que se trata de uma viagem. É tão “lá de casa”, como soi dizer-se, que ir ver um filme no Mk2 Beaubourg no domingo à tarde, almoçar no Café Mistral, na Place du Châtelet, ir à Mona Lisait para descobrir quais os livros que estão em saldo ou entrar no Ódeon-Thêatre de l’Europe e saber exactamente as curvas a fazer para chegar, sem problemas, à mais secreta das casas-de-banho. Depois, claro, como tudo em Paris, há o excesso. A exposição de Edward Hopper, prometida como “a verdadeira” retrospectiva, para fazer corar de inveja os ingleses com a de 2005, está cheia desde que abriu. Horas de espera para ver corpos em espera. Se isto não é Paris a dizer que vale a pena saber combinar a casa com o estrangeiro, na belíssima definição da Prémio Nobel da Literatura Toni Morrison, étranger chez soi, que nunca me canso de dizer, não sei o que é.

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