Moda à moda de Xangai

As duas raparigas à nossa frente na fila para o check-in fazem a diferença. Estamos em Xangai prestes a embarcar num paquete Royal Caribbean para um cruzeiro com destino a Hong Kong e escala em Okinawa, no Japão. Elas fazem a diferença porque estão cheias de estilo, combinando com extraordinário bom gosto peças de desenho original, ao mesmo tempo que ostentam uma pose casual. São um epítome do cool e por isso não poderiam ser de Xangai – o que venho a confirmar espreitando discretamente o passaporte da mais próxima, que diz Hong Kong.

Porque Xangai é uma cidade que não pára de crescer e ambiciona vir a ser capital financeira e cultural da China continental, mas ter estilo é uma conversa muito diferente. Já há Zara, G Star Raw e outras marcas da moda ocidental à venda na baixa da cidade, mas quando toca a vestir no dia-a-dia até o pessoal mais novo ostenta uma confrangedora falta de jeito.

A moda nas ruas mais chiques de Xangai, como neste cruzeiro – que está cheio de chineses e não é para todas as bolsas – é tal e qual as montras das “lojas do chinês” mais fashion, espalhadas por essa Europa fora. Algumas peças são estranhamente fora de moda, outras até são giras mas têm cores berrantes, outras ainda vêm com detalhes e adereços que não lembram a ninguém. Sobretudo a sua combinação numa imagem de conjunto é insólita, mais próxima do foleiro que do exótico. Essa é por enquanto a linha que separa Xangai e Hong Kong, o fosso cavado na cultura urbana entre duas Chinas ainda a velocidades completamente diferentes.


{Luís Maio e Nel­son Gar­rido viajam a convite da Royal Caribean, da Air France e do Turismo de Macau}


Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>