Os barquinhos de choque de Damnoensaduk

Pedi­mos des­culpa, mas não sabe­mos o nome da “doca”, se é que lhe pode­mos cha­mar isto, onde embar­cá­mos rumo ao mer­cado flu­tu­ante de Dam­no­en­sa­duk, no canal homó­nimo.  Sabe­mos que esta­mos na pro­vín­cia de Rat­cha­buri, a uns 110 qui­ló­me­tros de Ban­gue­co­que, e que esta­mos pres­tes a entrar num dos mais colo­ri­dos pos­tais da Tailândia.

Todos a bordo, por favor. “É um barco à James Bond”, gra­ceja a guia Wanida, Anne para os mais che­ga­dos – na Tai­lân­dia todos têm “petits noms” e os oci­den­tais agra­de­cem.  Reco­men­da­ção impor­tante: acomodem-se o melhor que pude­rem mas nunca por nunca dei­xem as mãos fora do barco. Daqui a pouco per­ce­be­re­mos melhor o que isto quer dizer.

Por enquanto des­li­za­mos sua­ve­mente pelo canal, bor­de­jado de casas de madeira de teca apoi­a­das sobre esta­cas e de  vege­ta­ção nativa. O canal foi man­dado cons­truir pelo rei Rama IV em 1866 de forma a  pos­si­bi­li­tar a liga­ção entre os rios Mae Klong e Tacheen. Ao longo das suas mar­gens, as carac­te­rís­ti­cas do solo favo­re­cem a cul­tura de legu­mes e fru­tas, como toran­jas chi­ne­sas, man­gas ou cocos.  Desta paleta cas­ta­nha e verde do cená­rio sobres­saem as cores gar­ri­das dos alta­res plan­ta­dos à entrada das casas, para dar sorte aos que lá vivem e aos que os visitam.

Em pou­cos minu­tos che­ga­mos ao pór­tico que marca ofi­ci­al­mente a entrada do mer­cado de Dam­no­en­sa­duk. Já vimos isto em qual­quer lado: as ima­gens são famo­sas por todo o mundo mas con­fes­sa­mos que não con­tá­va­mos com tanto. Os pri­mei­ros metros são tran­qui­los e vamos dei­tando o olho às canoas de madeira, na maior parte con­du­zi­das por mulhe­res, que se enchem dos mais vari­a­dos pro­du­tos. Desde os incon­tor­ná­veis vege­tais e fru­tos à comida con­fec­ci­o­nada a bordo, que inclui, evi­den­te­mente, o omni­pre­sente arroz, os “noo­dles” e até sobre­me­sas. Tam­bém cá se ven­dem os tra­di­ci­o­nais cha­péus de palha que nos habi­tu­a­mos a asso­ciar à Tai­lân­dia e que fazem grande sucesso junto dos forasteiros.

Quem chega acha a coisa ape­la­tiva, é evi­dente, mas logo se per­cebe que Dam­no­en­sa­duk é, hoje, mais para turista ver. Não se ques­ti­ona que valha a pena ver, só se lamenta que a auten­ti­ci­dade de tem­pos idos já seja admi­nis­trada em doses muito pequenas.

Veja-se, por exem­plo, o engar­ra­fa­mento  — e isto não é sen­tido figu­rado – de bar­cos no canal em que nos vemos meti­dos agora. A sen­sa­ção que temos é de estar numa pista de car­ri­nhos de cho­que – ou de bar­qui­nhos de cho­que. Eles apa­re­cem de todos os lados: da frente, de trás, da esquerda e da direita. É uma con­fu­são assi­na­lá­vel que dura vários minu­tos e há quem acre­dite que sair daqui vai ser difícil.

É nesta altura que per­ce­be­mos que ter um único dedo fora do barco seria irre­pa­rá­vel. E che­ga­mos à con­clu­são que no canal serão tal­vez mais os bar­cos a motor com turis­tas do que os autên­ti­cos, a remos, per­tença dos que fazem do comér­cio um modo de vida. Nas mar­gens do canal, há deze­nas e deze­nas de ban­cas onde se vende de tudo um pouco – e quase arris­ca­mos dizer que é aqui, em terra firme, que mais negó­cio se faz. Den­tro de água, aprecia-se sobre­tudo o lado pito­resco da coisa.

San­dra Silva Costa viaja a con­vite da Auto­ri­dade de Turismo da Tailândia 

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2 comentários a Os barquinhos de choque de Damnoensaduk

  1. O tru­que para evi­tar a “hora de ponta” e o aglo­me­rado de turis­tas é ir entre as 6h e as 9h da manhã. Foi o que fiz. Abso­lu­ta­mente tran­quilo. A par­tir das 9h/9:30h é mera­mente turístico.

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  2. Já estive neste mercado.A des­cri­ção da San­dra fez-me revi­ver os momen­tos a bordo do barco, no canal.É tal qual ela diz.Voltaria já hoje, de novo, à Tai­lân­dia, se pudesse.É e vai ser sem­pre a via­gem da minha vida.

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