O Rio de uma janela e os duplos

Ao longo desta semana, Joana Ama­ral Car­doso, no Rio de Janeiro, e Tiago Bar­to­lo­meu Costa, em Macau e depois Hong Kong, tro­cam car­tas de via­gem a mais de 17 mil qui­ló­me­tros de dis­tân­cia. Duas rea­li­da­des, onde o por­tu­guês ainda é lín­gua, em dois paí­ses emer­gen­tes, duas pon­tas do BRIC (sigla que une qua­tro paí­ses emer­gen­tes – Bra­sil, Rús­sia, Índia e China)

Jockey Club do Rio de Janeiro

Olá Tiago,

A Jane Russell está no Rio. Mais precisamente, a Jane Russell é assistente de administração no Instituto Federal do Rio de Janeiro. Diz o LinkedIn, e se está na Internet é porque é verdade. Não sei o que é que a Jane Russell carioca acha de jogo, da sua curvilínea homónima (será um acaso? Será um tributo do sr. Clóvis e da sra. Maria Russell?), nem desta magia perversa do português pós-colonial e suas armadilhas. E a minha armadilha maior chama-se trabalho, porque me põe (profissionalismo oblige) a ver o Rio de Janeiro de uma janela. Da janela de uma vanette, da janela do quarto (mas a vista não é nada má, já viste na carta anterior).

É tenso estar numa cidade que desconheces e que queres explorar e não o fazer. Mas no alarms and no surprises, sabia ao que vinha e “viagem de trabalho” é isto. Por isso é que se acorda às 6h para ir ver qualquer coisa antes das vanettes, dos meet and greets, de mais vanettes, dos desfiles, de táxis e mais vanettes. Ao menos vi partes da Gávea, do Leme e a Lagoa Rodrigo de Freitas, que Seu Jorge diz que é meio salgada e meio doce. Como? Metade vem das nascentes dos mil morros tipo menir do Pacífico Sul, escorrendo Rio abaixo, metade vem do mar. E misturam-se. “Só não sei dizer se tem mais doce ou mais salgada.” Obrigada Seu Jorge, condutor de vanette para jornalistas estrangeiros. Não Seu Jorge homem da Renascença, músico, produtor, actor, brasileiro.

Seu Jorge ajuda-nos a furar os morros. Tudo é túnel nesta cidade, tudo é gente a correr, saltar, muscular à beira de uma tigela de água. Ou a relaxar num boteco. Um homem dos seus 60 e tal anos passa, de sunga e chinelo, na rua interior cheia de gente que vai trabalhar e parece demasiado despido. Ou são eles, os outros, que parecem demasiado vestidos?

Noutra viagem, de táxi, começa um tema que nos vai arrastar, acredito, até domingo: o que são os cariocas? O que vale um paulista? Gostas mais da mãe ou do pai? No Porto é que se trabalha, Lisboa é que é. Contributos para um debate entre jornalistas estrangeiros que vivem no Brasil, jornalistas brasileiros, assessores e afins opinadores: “filisteus”, “odeiam gente esperta”; “odeio São Paulo”; “em São Paulo há gangues e só te podes divertir muito ou trabalhar muito”; “por mais que volte ao Rio, é sempre ‘aaah’, ‘olhaaaa’, “que lindo’”. Ou, a melhor: “Dizem que o Rio é a cidade maravilhosa. Não, o rio é uma geografia maravilhosa onde se construir uma cidade”. And so on. Também se pode falar de Buenos Aires, de Los Angeles vs. Nova Iorque, de Lisboa ou de Monterrey. Mas não é a mesma coisa.

Ao menos o evento que aqui nos traz é no Jockey Club com vista para o hipódromo e favelas meias com o belíssimo, riquíssimo e fresquíssimo Jardim Botânico. Há corridas às sextas, sábados e domingos. Será que vamos ter Um Dia nas Corridas?

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Um comentário a O Rio de uma janela e os duplos

  1. Se algum dos pais de Jane têm o sobrenome Russell (q é até nome de rua antiga no bairro da Glória) ela é Russell por direito e não por homenagem e como está no Brasil ela é Jane e não ‘djeini’, ou seja, é bem outra coisa. Não creio q um mãe poria nome numa filha de uma atriz cheia de curvas e peituda só para agradar as preferencias do pai, de mais a mais, para quem chegou ontem ao Brasil, Jane é um nome extremamente comum por aqui, eu disse Jane e não ‘djeini’. O 1º filme da Russell é de 1943 época q no Brasil se idolatrava os astros e estrelas das ‘chanchadas’ do cinema nacional, o Brasil tinha estudios com padrão de Hollywood e Carmen Miranda (q vcs se iludem achando q era portuguesa, talvez apenas na certidão de nascimento ou nem isso) fazia filmes nos EUA, creio q sobrava pouco tempo e atenção para a Jane Russel americana

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