Abril forever!

Aterrei à hora de almoço no centro histórico de Nice. Havia montes de gente gira e bem-disposta nas ruas, pessoal a trabalhar para o bronze nas esplanadas e outro tanto a fazer bicha à porta dos melhores restaurantes.

Já tinha estado em Nice e mais sítios famosos da Riviera francesa uma porção de vezes, por sinal algumas nesta altura do ano. Mas devo confessar que já me tinha esquecido, principalmente não me lembro de ficar tão chocado.

O show de vaidades antes era seguramente semelhante, mas o abismo nunca como agora me pareceu tão cavado. Talvez porque a memória é curta, mas certamente porque agora vivo numa capital sob o signo da Troika. Já se sabe: uma cidade em que são mais os comércios que fecham que os que abrem, em que há contingentes de pedintes e de sem abrigo a patrulhar as ruas, em que boa parte da população já desistiu de sair de casa e de outros prazeres da vida.

Quem tiver mais de 40 e o raro privilégio deste ano se deslocar ao estrangeiro (excluindo os emigrantes forçados e mesmo assim) vai por isso ter um choque. Ou então experimentar uma estranha sensação de déjà vu. Como eu, que achei a Côte D’ Azur nesta versão 2012 em tudo igual à dos finais dos anos 70. Pelo menos a sensação de que Nice e outros sítios “civilizados” pertencem a outra galáxia é certamente a mesma.

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