Miami me encanta!

Espe­ra­mos que hayan pasado una noche repo­sada. Son las diez  horas de la mañana. Bue­nos días”. Há 18 anos e alguns dias — foi a 15 de Março de 1994 — acor­dava com esta men­sa­gem tele­fó­nica num hotel de Miami. Era a pri­meira vez que pisava ter­ri­tó­rio ame­ri­cano e depois de uma via­gem demo­rada e muito atri­bu­lada (que incluiu uma ater­ra­gem de emer­gên­cia numa pista rode­ada de neve, no Que­be­que) não estava pre­pa­rada para um des­per­tar tão … hispânico.

Desta vez, mais infor­mada, já não me deixo impres­si­o­nar por uma cidade — dizem que a mais cos­mo­po­lita dos EUA — habi­tada por mui­tos cuba­nos, hai­ti­a­nos, mexi­ca­nos, jamai­ca­nos ou porto-riquenhos. Começo por jan­tar um polvo à galega e umas almôn­de­gas à espa­nhola no Tapas & Tin­tos, na Española Way, uma rua pedo­nal cheia de espla­na­das e res­tau­ran­tes, ani­mada mas mais calma do que a Ocean Drive, onde a “movida” se con­cen­tra. Nesta, mui­tos bares ficam aber­tos 24 horas e a música toca alto, muito alto.

Miami é uma cidade de arranha-céus (a maior parte deles de escri­tó­rios e con­cen­tra­dos em Down­town), de iates luxu­o­sos atra­ca­dos ao largo e de bair­ros como Lit­tle Havana (é obri­ga­tó­ria a Calle Ocho, com o seu pas­seio da fama ao estilo de Hollywood, mas ape­nas com estre­las cuba­nas como Glo­ria Este­fan, Celia Cruz ou Willy Chi­rino, ou o par­que onde os cuba­nos se encon­tram para jogar dominó). E, em frente, fica Miami Beach — um con­junto de ilhas, com uma mais impor­tante, que cons­ti­tui admi­nis­tra­ti­va­mente uma cidade dis­tinta de Miami — e as suas duas gran­des atrac­ções: a praia (a per­der de vista e com nadadores-salvadores ao estilo das séries tele­vi­si­vas) e o Art Déco Dis­trict (em South Beach, ou ape­nas SoBe para os mais ínti­mos). Trata-se de um con­junto de mais de 800 edi­fí­cios cons­truí­dos nas déca­das de 1930 e 1940, entre­tanto recu­pe­ra­dos, depois de na década de 1970 se ter pen­sado na sua demo­li­ção. Há um que se des­taca ao longo da Ocean Drive (no número 1116), pela quan­ti­dade de turis­tas que que­rem ser foto­gra­fa­dos à sua frente: é a antiga man­são do esti­lista ita­li­ano Gianni Ver­sace, assas­si­nado em 1997 quando vol­tava do seu pas­seio mati­nal ao News Cafe (já agora, um óptimo local para tomar o pequeno-almoço).  Depois de ter estado fechado quase 13 anos, o edi­fí­cio converteu-se em hotel de luxo: uma noite no The Villa by Bar­ton G, com ape­nas dez quar­tos, custa desde 1250 dóla­res (e vai até aos 2250…).

Tal­vez tenha sido capaz de pen­sar em abso­lu­ta­mente nada enquanto boi­ava na pis­cina do hotel Mon­drian, em South Beach”, escreve José Luís Pei­xoto na “Volta ao Mundo” de Março (um número come­mo­ra­tivo dos 18 anos da revista, feito inte­gral­mente pelo escri­tor). Na pequena pis­cina do meu mais modesto mas his­tó­rico Park Cen­tral – cons­truído em 1937 por Henry Hohau­ser, tem esta­ci­o­nado à frente um antigo Buick com Humph­rey Bogart ao volante, uma home­na­gem a todas as estre­las que por ali pas­sa­ram – senti-me um pouco assim. Acho que podia ficar em Miami – ou melhor, Miami Beach – por mais uns tempos.

 

[fotos de Tiago Sousa]

Um comentário a Miami me encanta!

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>