Portugal-Dakar Challenge: Rumo à Mauritânia

Pas­sa­vam trinta minu­tos da meia-noite e os gera­do­res já se tinham des­li­gado há muito. Tam­bém a antena que dá acesso à Inter­net, explicou-nos Pierre, de Tou­lon, devia estar des­li­gada… ou ava­ri­ada. Pas­sá­mos a última noite em Fort Bou-Jrif, um com­plexo ins­ta­lado pró­ximo de um forte, quase no meio do nada, mas com luxos ini­ma­gi­ná­veis quando com­pa­rado ao último hotel, o Impe­rial Holi­day, em Mar­ra­quexe, de onde até a saída foi muito difi­cul­tada e exi­giu a pre­sença de polí­cia e dele­gado de turismo. Pelo menos para os mem­bros da organização.

Deje­maa el-Fna (foto PDC-Jaime Gonçalves)

Os res­tan­tes foram libe­ra­dos para o pri­meiro dia que come­çou a arran­car boa-disposição geral, mas que tam­bém se reve­lou sofrido para alguns. O Pajero de caixa auto­má­tica parou pouco tempo depois da cidade com pro­ble­mas. Pre­ci­sa­mente na caixa auto­má­tica. Regres­sou a Mar­ra­quexe e hoje aguar­dava a che­gada da máquina que iria diag­nos­ti­car o pro­blema, sem quais­quer cer­te­zas de poder con­ti­nuar con­nosco. Para todos os outros tam­bém não há faci­li­da­des. Acabou-se o pas­seio turís­tico, rema­tado da melhor forma com uma incur­são à exu­be­rante e intensa praça Dje­maa el-Fna e iniciou-se a expe­di­ção de sobre­vi­vên­cia em que cada carro é um tem­plo para quem aí segue.

Além disso, demo­rou, tempo e qui­ló­me­tros, mas os 30 minu­tos de pista para che­gar ao forte foram sufi­ci­en­tes para sen­tir que valeu a pena a cami­nhada de alca­trão até aqui. A noite ante­rior foi uma última noite de relaxe antes do deserto que nos con­duz ao Sara Oci­den­tal para duas noi­tes de acampamento.

Pará­mos para abas­te­cer no último posto em que há a cer­teza de haver com­bus­tí­vel. Depó­si­tos a vazar e jer­ry­cans com­ple­tos, apro­vei­ta­mos a deixa para comer alguma coisa e ligar o com­pu­ta­dor à cor­rente loca­li­zada sobre um lava­tó­rio e com um cai­xote do lixo ao lado, gen­til­mente cedida.

Hão-de che­gar momen­tos ainda mais difí­ceis, prin­ci­pal­mente para atra­ves­sar a Mau­ri­tâ­nia. E acabam-se as cer­te­zas de quando pode­re­mos enviar o pró­ximo relato (mas have­re­mos de ten­tar tudo para enviá-lo o mais depressa pos­sí­vel): é que a par­tir daqui, o ter­ri­tó­rio é inós­pito e a rede poderá falhar a maior parte, se não todo, o tempo.

Um dos escri­tó­rios da Fugas

Mas para já vamos apro­vei­tando a sim­pa­tia com que nos vão aco­lhendo por onde quer que pas­se­mos – como nos aca­bou de acon­te­cer em Tan-Tan, onde dei­xá­mos o ende­reço da Fugas para que os nos­sos anfi­triões, que nos anda­ram a guiar entre pada­rias, cafés, casas de banho, pudes­sem esprei­tar e até dei­xar um comen­tá­rio (Salut! Et merci pour tout!).

p.s. – entre­tanto, che­gá­mos, nesta quinta-feira, a Es Smara, local do último abas­te­ci­mento até Dakhla e tam­bém para o último con­tacto com a civi­li­za­ção. A noite foi pas­sada no deserto sob uma cúpula estre­lada. Pros­se­gui­mos rumo à Mau­ri­tâ­nia. O ner­voso miu­di­nho aumenta, mas tam­bém o ânimo. Infe­liz­mente, o Mit­su­bishi Pajero, que ficou em Mar­ra­quexe, vol­tou para casa. Dei­xa­mos aqui os nos­sos votos de boa viagem.

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Carla B. Ribeiro acom­pa­nha o 2.º Portugal-Dakar Chal­lenge, a con­vite da orga­ni­za­ção, de 30 de Dezem­bro a 13 de Janeiro. Infor­ma­ções gerais sobre o evento no pri­meiro post

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