Sem santolas mas sempre com música

Vista da varanda do res­tau­rante em Neves

Posso tra­zer mais?”, perguntou-nos o dono do res­tau­rante em Neves, um cabo-verdiano de 51 anos cha­mado Daniel, pai de 27 filhos e ben­fi­quista fer­re­nho. “Pode tra­zer tudo. Nós tra­ze­mos a bar­riga, você a comida”, res­pon­deu pron­ta­mente o Kuassa. Fomos até Neves na expec­ta­tiva de comer san­to­las, mas não havia. Em vez delas, a nossa mesa encheu-se de búzios, peixe frito e gre­lhado, banana frita e ran­cho (um arroz com fei­jão picante). Acom­pa­nha­dos ainda pela cer­veja naci­o­nal, a Rosema, deixámo-nos ficar por ali no ritmo vaga­roso em que parece cor­rer o tempo nas ilhas, numa varanda com vista para o mar e sem­pre com música de fundo.

Praia Gue­gue

Em São Tomé, é raro estar-se num sítio sem música. Já sabe­mos as can­ções que por cá se ouvem quase todas de cor. Mesmo de manhã, quando está­va­mos na praia Gue­gue, no norte, o maru­lhar das ondas foi subi­ta­mente aba­fado pelas colu­nas gigan­tes que uma famí­lia levou para o areal. Che­ga­ram com um gera­dor, mon­ta­ram um com­pu­ta­dor em cima de uma mesa, puse­ram o volume no máximo e nin­guém na praia pare­ceu importar-se. As cri­an­ças con­ti­nu­a­ram a boiar em cima de pneus no mar ou a jogar à bola na areia. E mui­tos dos adul­tos sim­ples­mente come­ça­ram a dan­çar. Até nós, em oito dias, já dan­çá­mos para um ano.

Hoje fomos ao Jar­dim Botâ­nico, visi­tá­mos a Roça Monte Café, e ainda demos ainda um mer­gu­lho na cas­cata de S. Nico­lau. Agora à noite, vamos nova­mente atrás de san­to­las para jantar.

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