Com a corrente nos pés

Antes de sair­mos de casa, o Her­nany, que é são-tomense, disse-me assim: “Esses pés hoje vão apa­nhar muita cor­rente”. Pen­sei que ele se refe­ria à leve brisa noc­turna que pode­ria entrar pelos peque­nos bura­cos das minhas sabri­nas e respondi-lhe: “Não faz mal, este fres­qui­nho até me sabe bem”. Ele riu-se ape­nas, dando-me tempo para per­ce­ber por mim o que era a “cor­rente”, e lá fomos para a discoteca.

Acon­tece que em São Tomé as pes­soas não vão à dis­co­teca para estar de copo na mão a aba­nar ligei­ra­mente a cabeça – aliás, nem se podia levar bebida para a pista. Em São Tomé, vai-se à dis­co­teca para dan­çar e dan­çar, em São Tomé, é uma arte, não é só entre­te­ni­mento. Pri­meira parte da noite: kizomba. Segunda: semba. O resul­tado das nos­sas ten­ta­ti­vas de entrar no espí­rito local foi bem pior do que se possa ima­gi­nar. Não valia a pena todo o esforço que faziam por nós: as nos­sas ancas sim­ples­mente não se mexem daquela forma.

Quando, mais tarde, pela pri­meira vez, põem música que não é para dan­çar aos pares, pen­sá­mos que tinha che­gado a nossa hora e que pode­ría­mos ir mais con­fi­an­tes para a pista, mas foi ainda pior. E final­mente per­ce­be­mos o que acon­tece quando lhes passa a “cor­rente” pelos pés.

P.S. — Feliz­mente não há fotos para regis­tar a nossa estreia nas pis­tas de dança são-tomenses, de maneira que envi­a­mos uma do Chico’s bar (conhe­cido por Café Com­pa­nhia), onde temos ido ao final da tarde.

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