Os uzbeques não vão para a “night”

Numa das noites passadas pelo Uzbequistão, fui jantar a uma “casa de família” em Samarcanda.  Afinal era uma vivenda de dois andares com mesas postas em todas as salas à volta do pátio. Não seria um restaurante com letreiro luminoso à porta, mas também não era bem o que estava à espera. Já a comida se apurou genuinamente caseira e deliciosa, porventura a melhor refeição que tive em mais de uma semana no país.

Apesar de sair com a barriga cheia não pude deixar de reparar que havia pouca ou nenhuma iluminação pública naquele bairro, a escassos dez minutos de carro da baixa da cidade. Havia quanto muito um poste iluminado por quarteirão. Fiz notar a óbvia escuridão ao meu guia, que não demorou a dar-me a sua versão favorita da história aplicada a este problema. A culpa não é do actual presidente em funções desde a declaração de independência em Dezembro de 2001, mas da anterior administração soviética (por sinal Karimov era antes chefe do Supremo Soviete Uzbeque).

Sempre que um candeeiro de rua se fundia no tempo dos soviéticos era necessário comunicar a ocorrência aos serviços correspondentes, que depois levavam uma eternidade a proceder à reparação. Este expediente burocrático herdado da era comunista precisa ainda de ser reformado, acabou por  reconhecer. Mas logo acrescentou que a maioria não se queixa, nem sequer dá pela deficiente iluminação pública.

É que os uzbeques são, na opinião deste guia patriótico, um povo que não gosta de sair à noite.

2 comentários a Os uzbeques não vão para a “night”

  1. Caro Luís
    Acabo de ler o seu excelente artigo da “Rota da Seda”, no Público, e fiquei com algumas dúvidas. Você cita a cidade de Merv (que só encontro Mary – será a mesma?), e diz que fizeram escala mais além (em direçao do Uzbequistão), na cidade de Turkemenbashi ( não será Turkmenabat?), porque a anterior é na diração contrária.
    Obrigada
    Lidia

    Responder
    • Muitos agradecimentos pela leitura cuidadosa, assim vale a pena escrever!
      Quanto às designações

      É em Merv (antes conhecida por Marv)que estão os achados arqueológicos. Mary fica perto, de facto, mas é uma cidade administrativa.

      Turkmenabat, a segunda cidade do Turquemenistão, fica realmente na fronteira com o Uzebequistão, ao passo que Turkmenabashi fica à beira do mar Cáspio.

      Vou corrigir a segunda, portanto. Obrigado de novo

      Responder

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