Rumo a Chefchaouen com direito a arco-íris

Dia 1 de Setembro – chegada a Chefchaouen

Ti Carvalho não dispensa os Dire Straits e os Pink Floyd no mp3. É o condutor do nosso jipe, o número 15 – um Patrol GR longo, chamam-lhe o XXL, por causa do tamanho. Volta e meia, Ti Carvalho põe a música mais alto. Uma vez até chegou a fazer uns tímidos gestos de dança. Ti Carvalho, o do TT – é assim que é conhecido – tem 56 anos, é mecânico e adora todo-o-terreno: está morto por sair do asfalto e ir para o deserto, para a areia, “fazer pistas”.  Usa um chapéu que parece de cowboy – na realidade é modelo australiano-, mas a nós parece-nos na mesma um xerife ao volante do jipe, a falar no rádio CB. Mas, mais do que música, o que se ouve durante toda a viagem são as comunicações entre os participantes que vão nos jipes.

De vez em quando, lá se ouve a Amy Winehouse, o Elvis Presley, a Tina Turner, mas grande parte do tempo o que se escuta é “apertem a coluna”. É a voz de António Vilela, o presidente dos “Marafados do TT Algarve” que organiza, em conjunto com a autarquia de Mértola, esta expedição. Chamam-lhe chefe e é ele quem impõe a ordem no grupo: devemos seguir juntos, cumprir horários…

Antes de partirmos, de manhã, António Vilela reuniu a malta avisou toda a gente para usar o canal 20 am do rádio CB apenas para trocar informações e coordenadas; para mandar piadas duns jipes para os outros, é favor usar outro canal, pediu.

Saímos às 7h35 de Mértola. Apanhámos o ferry em Algeciras para Ceuta. Estivemos mais de duas horas na fronteira: 35 pessoas em 15 carros é muito passaporte, muita papelada. Rumámos depois na direcção de Tétouan e chegámos a Chefchaouen à hora de jantar. Hoje fizemos, segundo as contas do Ti Carvalho, uns 600km. Nem demos por isso: fomos ouvindo as músicas do Ti Carvalho, que está sempre calmo e bem-disposto, as conversas e piadas entre o pessoal dos jipes e, no nosso, o número 15, as histórias de Marco Vilela, de 32 anos, que já andou nove meses a viajar pelo mundo.

Eles não são iniciados nestas coisas. Quanto mais aventura, melhor. Neste momento, a única pena de alguns participantes é não poderem ver o documentário que Marco Vilela fez sobre o rali Budapeste-Bamako (que vai passar no sábado, dia 3, às 17h30 na RTP2). O nosso jipe é, aliás, o único que tem autorização para sair da “coluna”, para que Marco Vilela, que anda sempre com a máquina de filmar atrás, possa fazer os planos que quer (também vai haver documentário desta vez…). As fotos que enviámos hoje para o nosso blogue são sua cortesia.

Quando saímos de Mértola chovia. O céu negro acompanhou-nos até Jerez de la Frontera. Depois disso, o sol abriu e quando chegámos a Marrocos, apesar de ter voltado a chover um pouco, tivemos direito a um arco-íris. E, depois de jantar, até tivemos direito a um bolo: um dos participantes, João Guerreiro, filho do Malagueta (também participante), fez 32 anos. Para a manhã, reserva-se um passeio no centro de Chefchaouen. Agora é de noite, mas as ruas continuam cheias de gente e de carros. Ah!, e amanhã vamos também tirar uma fotografia ao Ti Carvalho, ao volante do XXL.

{fotos de Marco Vilela}

Um comentário a Rumo a Chefchaouen com direito a arco-íris

  1. Esta reportagem fêz-me reviver a viagem que fiz pela 1ª.vez a Marrocos em 1973. Eu e o meu marido, num Fiat 800, a fazer campismo, seguimos à aventura, entrando pela mesma fronteira, claro, com menos demora e seguimos até Agadir, depois Marraquexe – Zagora – Marraquexe e a seguir regressámos.Se nos nossos dias esta viagem é uma aventura, naquela época foi simplesmente indizível. PARABÉNS! Fico à espera de mais reportagens.

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