A bicicleta e o riquexó já não moram aqui

É surpreendente, mas em quase 24 horas não pude ver em Pequim um riquexó, uma motoreta ou até, que tenha reparado, uma bicicleta.

A outrora pátria do ciclismo quotidiano morreu, como morreram as ruas irregulares de pedra, como morreram os hutongs, bairros populares onde viviam milhares de pessoas, como morreu a China exausta com um século e meio de dominação estrangeira, com as guerras civis dos anos 20 e 30 do século passado, com a invasão japonesa da II Guerra e, principalmente, com a ditadura de Mao.

Na avenida de 50 quilómetros que cruza a “capital do Norte” e toca Tianamen, Pequim exibe nas alas a opulência de 20 anos do mais prodigioso crescimento económico da História e no meio, no engarrafamento, um parque automóvel que faz a inveja de qualquer país desenvolvido.

 

Lojas da Dior, da Tiffany multiplicam-se nos passeios, mulheres impecavelmente vestidas à ocidental observam-nas com a displicência de quem tudo pode comprar com um gesto simples.

Nas imediações do Teatro Vermelho onde se exibe um espectáculo de kung fu, ainda se pôde ver alguns chineses de tronco nu, encostados a carros utilitários, bebendo chá em plena rua.

Mas esqueçam as imagens de há apenas dez anos. O cinza prata da arquitectura moderna e os Mercedes topos de gama são os emblemas da Pequim de hoje.

4 comentários a A bicicleta e o riquexó já não moram aqui

  1. Um relato de viagem que retira muita credibilidade à revista em causa. Poderia falar da sua experiência (que poderá ser supérflua ao ponto que a descreve!), diferente é emitir juízos de valor (quase absolutos) sobre uma cidade/cultura que claramente não conhece. Mas pior, é ter divulgação na comunicação social.

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  2. Claramente escrito por alguém que está de passagem e não vê a cidade que, como eu que lá vivi 6 meses, a vi e vejo. Concordo plenamente com a Catarina Andrade.

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  3. O senhor não está a escrever sobre a Pequim que eu conheço, com certeza. Fica-lhe muito mal escrever desta forma… Mostrar o lado menos interessante de uma cidade esplêndida, cheia de historias para contar. Pequim é um misto da China imperial versus capitalismo, tem arquitetura moderna que pontualmente marcam a verticalidade do seu skyline, mas as bicicletas continuam a existir, as motocicletas são muitas mas eléctricas devido aos grandes índices de poluição, os riquexós foram modernizados e os hutongs são bairros renovados (sem abandonar a sua verdadeira identidade), cheios de vida, populares diversificados e muito trendy! Da próxima vez que falar de Pequim ou de outra cidade, esteja mais atento aos verdadeiros pormenores das vivências urbanas.

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  4. Fiquei muito admirada com esta vossa notícia! Estive em Pequim em Abril 2011 e a par dos muitos carros vi motoretas, passeei pelos hutongs renovados e cheios de vida e adorei andar de riquexó! Tenho lá familiares por isso manter-me -ei informada!

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