La Fugitiva

Parei na rua por causa da montra – ao lado de obras de Éluard, Yeats, Cummings ou Céline havia um livro pequenino, com ar de manifesto, capa vermelha e tudo, que tinha por título “Os economistas assustados”. Era uma combinação estranha, sobretudo se tivermos em conta que, mesmo ao seu lado, outro volume ensinava a escolher plantas para chá.

Só quando levantei a cabeça me apercebi que aquela não era simplesmente uma livraria, era também um café. Lá dentro o chão era de tábuas corridas, escuras e toscas, e havia muitas prateleiras com livros em segunda-mão. Atrás do balcão, um rapaz que parecia estar prestes a juntar-se ao manifestantes na Porta do Sol ia elogiando os croissants e os brioches. Paris? Não, Madrid. Estava prestes a perguntar por que razão havia uma secção tão grande de guias de viagem quando reparei num cartão de visita com o nome desta livraria-café – La Fugitiva. Se alguém está em fuga – ou a pensar fugir – convém manter todas as opções em aberto.

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