Pela floresta cerrada da Costa Rica, entre o mar e a chuva tropical

Depois de uma noite em que choveu torrencialmente e trovejou como só acontece num país perto do equador e em eṕoca de chuvas, decidimos sair cedo para fazer uma caminhada ao longo do litoral da Península de Osa. Disseram-nos que seriam três horas para ir e outras tantas para voltar. Calçámos galochas, agarrámos nos bastões e lá fomos, por trilhos de lama e pedra, no meio de floresta cerrada e de praias desertas. Como “guia”, Kira, a cadela sem idade (só se sabe que é “muito velha”) do hotel onde ficámos. Ao longo do trilho, havíamos de ser acompanhados por mais dois cães que se juntaram.
O percurso vale bem a pena. Passámos pelas praias do Cocalito, Punta Marenco e, finalmente, a praia San Jocesito, considerada uma das mais bonitas da Costa Rica. Vimos um bando macacos de cara branca (que não ficaram muito contentes por nos ver a nós e aos cães) e vários papagaios vermelhos. Pelo meio, muita lama, lianas, poças, trilhos íngremes e estreitos, sempre colados ao mar.
Mas os 22 quilómetros não se fizeram em 6 horas, pelo menos não por nós. Contudo, importa referir que, pelo meio do caminho voltaram a chuva tropical e as trovoadas. Mas o que atrasou a caminhada de regresso foi o rio Claro, que desagua no mar e que, às 15h00, já estava quase intransponível. Para atravessá-lo, lá nos molhámos até à cintura. Mas mais uma vez, valeu bem a pena. Porque é assim a Costa Rica e por isso é que é tão especial. Ah, obrigada Kira!

2 comentários a Pela floresta cerrada da Costa Rica, entre o mar e a chuva tropical

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  2. Também nós experimentámos uma chuvada tropical que nos encharcou até aos ossos e que tentei descrever no poema a seguir:

    LOUCOS NA SELVA
    (Parque Nacional Tortuguero – Costa Rica)

    Madrugada, cinco e meia
    entrada em comunhão
    com o espírito da natureza
    chove a cântaros e troveja…
    Mas a selva nos espera
    fresca, lavada que enleia
    com cheiro a rio e a mar
    pássaros em seu chilrear.
    À fraca luz da alvorada
    lá vamos p´rà caminhada
    por trilhos enlameados
    sob uma forte chuvada.

    Macacos por companhia
    desviam nossa atenção
    pois o trilho enlameado
    e tropeços nas raízes
    é agora o nosso chão.
    Mas caminhamos felizes
    chegamos ao areal
    ao reino das tartarugas
    e aí, é de pasmar
    ainda lá estão seus rastos
    dos ninhos até ao mar.

    Já no fim da caminhada
    desta aventura marada
    surge-nos um ovo perdido
    por predador distraído…

    P’ra encerrar a odisseia
    ele é aninhado na areia
    e lá para o mês de Outubro
    sairá da sua toca
    uma linda tartaruga
    chamada de Kapiloka.

    M.Clara Costa

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