Um almoço de cinco horas na Broadway dos presuntos

Quem quer ver um bom musical provavelmente irá até à Broadway para satisfação dos sentidos da mesma forma que os amantes de presunto virão a Guijuelo. Sem grandes atractivos arquitectónicos ou paisagísticos, esta pequena cidade em Castilla León (Espanha), nos arredores de Salamanca, tem contudo uma particularidade interessante: o número invulgar de produtores de enchidos por quilómetro quadrado. Ou não estivéssemos a falar da segunda maior região produtora de presunto de Espanha (depois de Jabugo, em Huelva) e uma das mais importantes a nível mundial.

No que toca a presuntos, Guijuelo brilha não só pela quantidade, como pela qualidade, já que é a casa do afamado Joselito, um luxo apreciado por nomes como Ferran Adriá, Shakira ou a rainha de Inglaterra (Lula da Silva fez questão de pedir um Joselito quando veio a Coimbra receber o doutoramento honoris causa).

Com um preço de cerca de três mil euros por peça (com uma cura de sete anos), um presunto Joselito é um prazer reservado a poucos. Daí que ao sermos recebidos por José Gomez, o proprietário desta empresa familiar com mais de um século de existência, com um Joselito de nove anos reservado aos convidados, não nos sentimos menos do que privilegiados.

“Este é um almoço de quantas horas?”, perguntei quando já estávamos sentados à mesa há pelo menos cinco. Aqui não se come, vai-se comendo, com uma brasa que nunca apaga para receber diferentes carnes, mal passadas e sem tempero. Enquanto estão no calor, José Gomez é um hábil anfitrião que corta presunto (claro), mas também salsichão e paio, enquanto o champanhe é servido em paralelo. É o formato “ham and champ”, que não surpreende quando nos lembramos que entre as marcas de luxo de que a Joselito é parceira está a Don Perignon. Ainda assim, a garrafeira de José Gomez impressiona.

As presenças mais apreciadas à mesa foram os tintos que desfilaram e fizeram perder as horas, encabeçados por dois Veja Sicilia: um Valbuena 2001 (1000 euros em média por garrafa) e um Único 1994 (nada mais nada menos do que 3500 euros de preço base). A estrela não podia contudo deixar de ser o Joselito. “Um presunto muito baixo em sal, muito doce, que tem uma cor rosa púrpura com muita gordura marmoreada, um aroma intenso e com muito impacto na boca”, resume José Gomez. Está visto: Guijuelo só se percebe saboreando.

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