Sagração da pinavera (II)

Aprende-se mais sobre a Pina Bausch estando em Wuppertal a andar nas ruas do que nos quilométricos textos cheios de interpretações sobre o trabalho dela. Arash, o taxista que me trouxe até ao hotel, 37 anos, foi duas vezes ver peças suas: “nunca mais precisei de ver dança. ainda hoje as sei de cor [Nelken e Barba Azul]”. Também colaborou na montagem das luzes no teatro. “Quando ela chegava ninguém diria que era uma estrela. Só nos lembrávamos disso quando nas noites de estreia a cidade era invadida por estrangeiros”. O mesmo diz Agustine, florista, 82 anos, a quem Pina comprava flores todos os sábados. “Era só uma senhora”, era o que ela gostava de dizer de si mesma. E a única forma como gostava de ser tratada. Apenas uma senhora”. Mas, se ouvirmos as palavras de Elena, 47 anos, bibliotecária, era mais do que isso: “Não sei falar das peças dela, mas é como se ela falasse das minhas relações”. Disse-o à saída do filme de Wim Wenders, ainda em exibição em Wuppertal, no cinema ao lado teatro onde sempre se apresentou e que hoje ostenta um enorme cartaz com o seu nome.

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