Em Copenhaga: Fantasmas, boxe ou estatísticas?


Podia ter-me calhado o quarto do boxe, com luvas e tudo, ou então o das estatísticas, mas acabei por ficar com um mais simples. No Hotel Fox, em Copenhaga, cada quarto é decorado por um artista, e eu fiquei nos dos berlinenses Akim Zasd Bus.

E o que eles me deixaram foi uma espécie de mensagem em código sobre o que pode ser Copenhaga para um visitante. Um textinho junto à porta, no exterior, explica que o trabalho do trio envolve retirar a palavra escrita das paredes das ruas e transformá-la num conjunto de padrões e texturas. São, portanto, texturas da cidade (acompanhadas pela indicação do local e data em que foram recolhidas) que se espalham pelas paredes do meu quarto tendo como suporte caracteres de madeira de diferentes formas.

Ao pequeno-almoço – que é óptimo, iogurte com frutas, sumo de morango, sanduíches em pão de sementes escuro – troco impressões com outros hóspedes sobre os respectivos quartos. Uma confessa que o quarto coberto de fantasminhas negros que lhe coube a perturba ligeiramente, não tanto pelos fantasminhas, que até são simpáticos, mas pelo facto de terem olhos também na ponta dos dedos, o que a deixa no centro de demasiadas atenções.
No quarto inspirado no boxe as coisas até correm bem, apesar de tudo. E, na verdade, talvez seja preferível este ao que tem a cama cheia de peluches – mas é tudo uma questão de gosto, claro, e os clientes podem sempre escolher entre os quartos que estejam disponíveis.

Ao fundo do meu corredor fica o das estatísticas, e logo na porta somos informados de que 94% dos hóspedes de hotéis não esperam nenhuma surpresa quando entram no quarto – o que claramente não é o caso aqui.  É, aliás, esse o objectivo dos dinamarqueses E-types, que decoraram o quarto: o texto à entrada aconselha a nunca acreditar em estatísticas de fontes não identificadas. {www.hotelfox.dk}

Um comentário a Em Copenhaga: Fantasmas, boxe ou estatísticas?

  1. também estou num hotel desses assim em Wuppertal… Digamos que, enfim… Não se se chame ao cabelo que encontrei no tampo da sanita e no chão da casa de banho arte povera ou arte quotidiana.

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