Balanço:Jornalismo sobre crime ou crimes de jornalistas?

Ontem fomos, como com­bi­nado, ao Chapitô par­tic­i­par no debate (do qual já se tinha fal­ado). Infe­liz­mente, e dado o horário tar­dio, não foi pos­sível a pre­sença de todos os estag­iários, mas aqui fica uma espé­cie de resumo para os mais interessados:

No mesmo espaço de dis­cussão foi pos­sível ter as diver­sas per­spec­ti­vas do tema: PSP, jor­nal­is­tas e ainda rep­re­sen­tantes dos ditos “bair­ros prob­lemáti­cos”. A ideia era, essen­cial­mente, com­preen­der qual a actu­ação da polí­cia nos con­fli­tos com bair­ros soci­ais, ao mesmo tempo que se ques­tion­ava a actu­ação dos jor­nal­is­tas nes­tas mes­mas situações.

A sen­sação que tive é que o jor­nal­ismo se enquadra como o “mau da fita”. Para a PSP, pela voz do Comis­sário Flo­res, somos “nós” jor­nal­is­tas quem dis­crim­ina.  Claro que existe bom e mau jor­nal­ismo, não coloco isso em causa, mas se efec­ti­va­mente exi­s­tir sangue, por­tas par­tidas, armas… o que é suposto dizer? Men­tir? Não é de todo essa a função desta profis­são, e o descar­tar de respon­s­abil­i­dade da PSP pareceu-me irreal!

Por outro lado, as pes­soas dos, já referi­dos, bair­ros prob­lemáti­cos cul­pam em muito a actu­ação de quem tra­balha com infor­mação. Não digo que não ten­ham razão em algu­mas das coisas que foram expostas, mas a ver­dade é que não podem cul­par os jor­nal­is­tas por faz­erem o seu tra­balho. Não são os jor­nais ou a tele­visão a “cor­roer” as mentes, a incen­ti­var a dis­crim­i­nação. Dão mais vis­i­bil­i­dade aos acon­tec­i­men­tos, é claro, mas não os criam. Pelo menos o bom jor­nal­ismo não o faz.

E pronto, foi a ideia geral (com um pouco de opinião à mis­tura… não se con­seguiu evitar).

Bei­jin­hos*

Cláu­dia Ferreira

Oi! Oi!

 

BOM DIA! Eu sou a Maria Lis­boa. Faço parte daquele grupo de estagiárias(eram só meni­nas) que começaram dia 8. Éramos qua­tro. Quando chegei, as 3 meni­nas já tin­ham chegado, cheguei eu, e logo a seguir Nuno Pacheco, que nos rece­bia para apre­sen­tar o nosso novo local de tra­balho. Entrá­mos e uma vida mel­hor, saí do desem­prego, começou assim…

Logo pra começar: hoje ! está a ser um dia espectacular(tal como o público, recuso-me a escr­ever de acordo com as nor­mas do novo acordo ortográfico!).  Chegar, haver notí­cia e não parar até o dia acabar! No entanto, dias houve em que me senti a deses­perar por não ter nada para fazer no mel­hor jor­nal do país (e nem há duas sem­anas cá estava, sou muito impa­ciente!). E aqui está um ensi­na­mento, vindo do jor­nal­ista, edi­tor do local, Vic­tor Oliveira Fer­reira, que eu gostaria de pas­sar a todos os estag­iários, pois foi pre­cioso para mim. Ini­cial­mente , o meu está­gio foi feito de tra­bal­hos que a Joana Ama­ral Car­doso me pas­sava para fazer para  o Online, mas dias houve em que a Joana não vinha porque estava de folga, e eu ficava à espera que me dessem tra­balho. e nada apare­cia. Não querendo criar mau ambi­ente na sec­cçaõ da cul­tura, onde estou, resolvi desaba­far com o Vic­tor, que, ao ouvir-me, a primeira coisa que disse foi :“Se cal­har a culpa é tua.”, mas disse-o com um ar bem sim­pático e nada assus­ta­dor, o que me deu para não me ame­drontar, mas  para ouvir mel­hor o que ele tinha para me dizer, ou seja, não deve­mos ter uma ati­tude pas­siva den­tro da redacção, o tra­balho do jor­nal­ista é activo, é o de  procu­rar notí­cias, disponíveis em várias platafor­mas, e comunicá-las. Primeiro, visto ser­mos estag­iários, a quem está respon­sável por nós, o nosso edi­tor, ou, se não for opor­tuno, a out­ros edi­tores , de out­ras secções, onde a notí­cia se possa inserir. E, como o Vic­tor disse, é mesmo assim, há dias ter­ríveis, em que até podem encon­trar notí­cias, mas nen­huma é aceite, mas out­ros há em que tudo flui e passa a cor­rer mais um dia mar­avil­hoso no público. No fundo, e se pen­sar­mos de uma forma pos­i­tiva, o nosso gosto é escr­ever e estar actu­al­izado  sobre as coisas que se pas­sam no mundo à nossa volta, e estas notí­cias até podem não ser notí­cia, mas nós apren­demos e com­preen­demos mel­hor o mundo com todas elas, as boas e as “más”.  Esta minha maneira de estar e visão pos­i­tiva veio logo depois da con­versa com o Vic­tor. Como vocês já dis­seram aqui tan­tas vezes, esta­mos aqui para apren­der, e este , parece-me, é o mel­hor local para o fazer, por isso vamos aproveitar ao máx­imo, apren­der ao máx­imo e val­orizar ao máx­imo. Palavra de ordem: máx­imo ;)

Um mês e uma sem­ana, está a pas­sar a cor­rer, que pena! Ainda há muito para apren­der! Mãos à obra pessoal!

Bons está­gios!

Bei­jinho,

Maria Lis­boa

Dá que pensar

Poder vis­i­tar novos espaços, real­i­dades difer­entes da minha e que me são com­ple­ta­mente descon­heci­das. Estar nesta secção do jor­nal (Por­tu­gal) permite-me isso mesmo. Escr­ever sobre múlti­p­los temas, variar de assunto todos os dias. Aprender.

Se isso implica, por vezes, ficar chocada com alguns fac­tos? Claro. O jor­nal­ismo é a ver­dade, a infor­mação. E a real­i­dade, infe­liz­mente, não se resume ao nosso mundo cor-de-rosa. E pronto, ontem estive na Cova da Moura e isso fez-me pensar.

Bei­jin­hos*

Cláu­dia Ferreira

A primeira já lá vai…

A primeira sem­ana de está­gio no Público já pas­sou. Dig­amos que foi uma sem­ana um pouco atribu­lada no final, mas ainda assim bas­tante gratificante.

O con­tacto com a redacção mar­cou o iní­cio de um novo ciclo. Nos primeiros dias foi tudo novo, as pes­soas, o ambi­ente, o ritmo de tra­balho, tudo. Mas com o pas­sar dos dias tudo foi gan­hando um ar mais natural.

Ainda assim é aos poucos que me vou habit­uando a esta vida de “jor­nal­ista”.
No primeiro dia fiquei a saber que iria esta­giar na secção de Econo­mia (bem difer­ente da que tinha escol­hido, no caso Sociedade), o espanto ini­cial tem vindo a dar lugar a uma agradável sen­sação de apren­diza­gem que cresce a cada dia que passa.

Um novo mundo cheio de ter­mos téc­ni­cos que até agora só ouvira na tv ou na rádio, mas que a par­tir de agora tratarei (vá, tentarei tratar) por tu. Para isso vou ter de voltar aos tem­pos de escola (que longín­quos que eles estão) lol e ir bus­car os livros de econo­mia do secundário, pode ser que aju­dem ;)

Como aqui já foi dito pela Tânia (que eu ainda não con­heço :p) a demora na con­clusão de peças é UM dos prob­le­mas, mas que ire­mos com certeza ver solu­cionado daqui a algum tempo.

A primeira já lá vai, a segunda está a meio, venha a ter­ceira semana!

Bom está­gio a todos*
Ana Tavares

O tempo passa, mas a lentidão permanece

Um mês já pas­sou. Ape­sar de tudo o que já aprendi, exis­tem aspec­tos (muitos, por sinal) que tenho de mel­ho­rar =)
Tempo
Este é clara­mente um, dos muitos. O tempo que eu demoro a elab­o­rar uma notí­cia é algo abso­lu­ta­mente chocante!
Ape­sar de não ser algo muito orga­ni­zado, tal como diz a Cláu­dia, e que eu con­cordo na per­feição, é algo que no meu caso demora uma eternidadeeee! =)

Bem, Cumpri­men­tos

=)

Tânia Machado

Debate sobre jornalismo

Cole­gas,

estariam inter­es­sa­dos em ir a este debate? Sei que não tem nada a ver com a área de alguns de vocês, mas acho que seria bom para qual­quer estag­iário — e não só. Afi­nal de con­tas é a nossa profis­são e quanto mais apren­der­mos, mel­hor. Den­tro e fora do local de está­gio. Dêem uma vista de olhos :)

Quarta 14 de Julho 22H Bartô
Out­ras Quar­tas
ComVo­cações…: Jor­nal­ismo sobre crime ou crimes de jor­nal­is­tas?
Debate orga­ni­zado em parce­ria com o Sindi­cato dos Jor­nal­is­tas e a CIG — Comis­são para a Cidada­nia e Igual­dade de Género
“O homem de 30 anos que na madru­gada de segunda-feira foi mor­tal­mente atingido pela PSP era rap­per de Chelas, con­hecido por actuar com Sam The Kid. Nuno Rodrigues era con­hecido por MC Snake e can­tava no tema «Nego­ciantes», de Sam The Kid. Deixou uma filha de dois anos”, assim começa a notí­cia de mais um jovem morto nos bair­ros soci­ais. Pas­sado uns dias ‚a comu­ni­cação social vai divul­gando infor­mações de fontes anón­i­mas dizendo que o rap­per tinha estado recen­te­mente envolvido num tiroteio à porta de uma dis­coteca e que estava preparada uma caçada con­tra polí­cias nos bair­ros per­iféri­cos de Lis­boa, em retal­i­ação dessa morte. Nen­huma dessas infor­mações era ver­dadeira, mas a comu­ni­cação social prestou-se a pro­pa­gan­dear estas “rev­e­lações” de fontes poli­ci­ais.
Per­ante situ­ações de morte e con­flito em bair­ros soci­ais pobres e dis­crim­i­na­dos quais são os cuida­dos a ter pelos jor­nal­is­tas. Qual é a linha de difer­ença entre jor­nal­ismo sobre polí­cia e jor­nal­ismo poli­cial?
Para dis­cu­tir estas questões, o Chapitô, a CIG e o Sindi­cato dos Jor­nal­is­tas jun­tam jor­nal­is­tas, polí­cias e habi­tantes dos bair­ros soci­ais.
No próx­imo dia 14 de Julho às 22 horas, no Chapitô, vai-se dis­cu­tir o papel dos jor­nal­is­tas nos bair­ros sociais.

http://chapito.org/?s=events&v=view&e=44

 

Outra coisa: acho que poderíamos começar a mar­car “tomar um café” de vez em quando - ao fim-de-semana, por exem­plo, se cos­tu­marem cá ficar - para irmos falando sobre a nossa exper­iên­cia no está­gio e tam­bém para nos con­hecer­mos mel­hor, já que esta­mos todos no mesmo “barco” :P

O que acham?

Bei­jin­hos

Primeiro Mês de Estágio

Amanhã faz exac­ta­mente um mês desde o iní­cio do nosso está­gio. Digo nosso porque quando aqui cheguei foram qua­tro as caras novas a entrar neste edifí­cio. Se cal­har nem todas com medo, eu cer­ta­mente o tinha. E em grandes quan­ti­dades, devo con­fes­sar. Provavel­mente o receio seria de fal­har, mais do que qual­quer outra coisa, mas é claro que sen­tia uma espé­cie de frio na bar­riga, próprio de quem não sabe bem ao que vai.
Há uns dias chegaram novos estag­iários. Vi a Ana entrar na redacção, uma cara que me era estranha, mas ao mesmo tempo famil­iar (mais não seja por com­preen­der o que custa o primeiro dia). Estava demasi­ado envolvida no tra­balho, até porque a elab­o­ração de uma notí­cia não é, pelo menos para mim, um processo muito orga­ni­zado, mas mesmo assim olhei e sorri. “Como deve estar ner­vosa…”, pen­sei (e no dia seguinte, à hora de almoço, teria a con­fir­mação da própria).
Naquele momento, e por instantes, olhei para mim. Percebi que o frio na bar­riga, que sen­tia quando aqui cheguei, passa aos poucos. Seja pelo hábito ou pela con­fi­ança que vamos gan­hando. Com­preendi ainda que o medo se man­tém, pelo menos em parte. E ainda bem. O receio é per­feita­mente saudável, e estar aqui há um mês, emb­ora tenha ensi­nado muita coisa, não mudou esse sen­ti­mento. Não há nada mel­hor do que a respon­s­abil­i­dade, a noção de que o que faze­mos tem implicações.

Quanto ao está­gio, bal­anço pos­i­tivo. Estar no ter­reno e fazer ver­dadeira infor­mação. Sen­tir que con­fiam em nós como se fos­se­mos jor­nal­is­tas a sério. Acima de tudo apren­der. É para isso que aqui estamos  =)

Cláu­dia Ferreira

A” reportagem

Após “muito” tra­balho e muito sofri­mento em saber se estava boa ou não para sair, no pas­sado domingo, a minha “grande” reportagem saiu.
Eu sei que para quem a lê parece uma coisa pequena, que exigui alguma inves­ti­gação, mas nada de mais.
Mas para mim, ver duas pági­nas min­has (claro que revis­tas pelo meu “chefinho”) num jor­nal como este é o que eu andava a son­har há 10 anos!
Foi sobre um tema que não me sen­tia muito á von­tade (Eras­mus), mas com pesquisa e força de von­tade, mesmo que meio a medo, desen­fer­ru­jei o meu inglês e lá fui eu.
Com muitas aju­das, mas con­segui e acho que real­izei um bom tra­balho.
Espero que vocês leitores ten­ham gostado =D

Vanessa Jorge

O tempo para escrever

Se nos primeiros dias de está­gio escr­ever um texto de 1000 car­ac­teres afigurava-se uma tarefa que só ter­mi­nava à noite, agora escr­ever um de 2000 ter­mina no ini­cio da tarde.
Os ner­vos e a inse­gu­rança são parte inte­grante do mais rijo dos estag­iários, e isso atrofia todo o processo de tra­balho, mas é garan­tido que com o tempo e pro­gres­sivo à-von­tade todo o tra­balho se optimizará!

Hugo Mamede

Informação dificil e fácil

Haverá alguma relação entre a resistên­cia em fac­ul­tar infor­mação por parte das (pou­cas) enti­dades estatais que tenho con­tac­tado, e a rel­a­tiva facil­i­dade em a obter a par­tir dos sindicatos?

Hugo Mamede