E agora para algo completamente diferente

Os americanos gostam que os seus presidentes tenham sentido de humor. Quando perguntamos a Mark Broghammer, um democrata de 68 anos residente em Lisbon, no Iowa, por que é que o republicano Ronald Reagan está no topo da sua lista de melhores presidentes (com Bill Clinton em segundo lugar e Barack Obama em terceiro), ele responde que Reagan “tinha um excelente sentido de humor”.

Segundo um estudo da Comedy Central – a estação de televisão americana que produz os programas de comédia de Jon Stewart e Stephen Colbert – sobre o papel que o humor desempenha nas convicções e atitudes políticas da geração que nasceu depois de 1980, mais de metade destes jovens prefere um político que os faça rir.

Ontem, o Presidente Barack Obama e Mitt Romney foram os comediantes de serviço num jantar de gala em Nova Iorque que se tornou um ritual obrigatório das campanhas presidenciais desde que Kennedy e Nixon foram os primeiros candidatos a comparecer, em 1960: por uma noite, os dois rivais dizem piadas um sobre o outro e sobre si próprios, a poucos metros de distância, enquanto as câmaras de televisão captam o momento.

Um analista político notava ontem na CNN que, como o debate de terça-feira demonstrou, estes são dois homens que não gostam um do outro. Obama e Romney ficaram sentados perto um do outro, apenas com Timothy Dolan, o arcebispo católico de Nova Iorque, a separá-los. (O jantar destinava-se a gerar receitas para instituições de caridade da Igreja Católica americana.)

Os dois cumprimentaram-se no início e raramente olharam um para o outro durante o evento. Mas o jantar pretende ser uma demonstração de civilidade entre adversários políticos e, a apenas 19 dias da eleição presidencial, Obama e Romney fizeram uma trégua no que tem sido uma campanha amarga dominada por ataques dos dois lados.

Durante uma noite, fizeram humor até com questões delicadas que, noutro contexto, teriam preferido evitar. Romney brincou com o facto de ser rico, algo que tem sido explorado pela campanha de Obama para reforçar a percepção que o candidato republicano não entende os problemas que os americanos comuns enfrentam.

Obama troçou do seu desempenho no primeiro debate presidencial, dizendo que estava com muito mais energia no segundo porque tinha dormido uma longa sesta durante o anterior.

Alguns excertos:

“Uma campanha presidencial pode ser extenuante. O Presidente Obama e eu temos a sorte de ter uma pessoa que está sempre do nosso lado, alguém com quem podemos contar, uma presença reconfortante sem a qual não poderíamos aguentar mais um dia. Eu tenho a minha bela mulher Ann. Ele tem Bill Clinton.” (Mitt Romney)

“Tenho de admitir que algumas coisas mudaram desde 2008. Tenho ouvido algumas pessoas dizer: ‘Barack, não és tão novo como costumavas ser. O que é feito daquele sorriso radioso? O que é feito da energia que tinhas na tua forma de andar?’ E eu digo: ‘Acalma-te Joe [Biden], estou a tentar conduzir uma reunião do conselho de ministros.’” (Barack Obama)

“Não costumo sugerir que a imprensa é tendenciosa. Digamos apenas que alguns jornalistas têm uma certa forma de olhar para as coisas. Já vi as primeiras reportagens sobre o jantar desta noite. Título: ‘Católicos apoiam Obama, Romney janta com gente rica’.” (Mitt Romney)

“Por favor sentem-se. Senão o Clint Eastwood vai começar a gritar com as vossas cadeiras.” (Barack Obama)

No mesmo dia, o Presidente Obama também foi o convidado do programa de Jon Stewart. Mas foi uma conversa séria.

Kathleen Gomes, em Des Moines (Iowa)

Esta entrada foi publicada em Sem categoria com os tópicos , , , . Guarde o href="http://blogues.publico.pt/eleicoeseua2012/2012/10/19/e-agora-para-algo-completamente-diferente/" title="Endereço para E agora para algo completamente diferente" rel="bookmark">endereço permamente.

Um comentário a E agora para algo completamente diferente

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>