Mitt Romney precisa de vencer o primeiro debate

A última semana foi um autêntico desastre para a campanha de Mitt Romney. Depois do fiasco da sua reacção à morte de um diplomata americano na Líbia, até a sua entrevista com o canal Univisión, cuidadosamente ensaiada e aparentemente sob controlo, acabou por correr menos bem ao candidato republicano.

As coisas só pioraram com a divulgação de um video feito sem o seu conhecimento durante um jantar de angariação de fundos, em que Romney aprofundou o seu pensamento sobre os 47% de americanos que estão isentos do pagamento de impostos federais — e a descrição desta parcela que compreende os mais pobres e os reformados, mas também os veteranos do Exército, os estudantes universitários ou as famílias de classe média que estão a pagar uma hipoteca ou perderam o emprego, como “dependentes” que votarão em Obama para prolongar os seus benefícios — veio reforçar a percepção de que o ex-governador e antigo gestor de capitais de risco não só não conhece como não compreende nem se preocupa com quase metade da população do país.

Essa é uma ideia-feita que a sua campanha provavelmente já não tem tempo para desfazer — desde o arranque das primárias que o eleitorado identifica Romney como membro de uma elite de milionários, os tais 1% diabolizados pelo movimento Occupy Wall Street. A tímida tentativa de desviar as atenções e contrariar alguns dos argumentos e acusações lançadas contra o republicano, por exemplo com a divulgação de pormenores relativos ao seu pagamento de impostos nos últimos dez anos, não surtiram o efeito desejado: a narrativa mantém-se.

As sondagens confirmam o afundamento da candidatura republicana, e favorecemo Presidente Barack Obama.

Vale a pena ler esta resposta de Samuel Popkin, um estudioso da história da presidência na Universidade da Califórnia em San Diego, à interrogação de James Fallows “ainda é possível salvar a campanha de Romney?” .

Vários analistas dizem que Mitt Romney está a ficar sem alternativas: o seu momento da verdade, argumenta o veterano consultor democrata Robert Shrum, será o primeiro frente-a-frente televisivo com Obama. O republicano tem uma vantagem relativa, graças à sua disciplina e experiência neste tipo de eventos, mas também por força das baixas expectativas depois de tantas gaffes. William Galston , na The New Republic, analisa as anteriores oportunidades desperdiçadas por Romney e duvida que o ex-governador consiga mudar o rumo da campanha.

Os debates televisivos são mais um momento para convencer o eleitorado de uma forma quase subliminar. Não é tanto a substância do discurso que conta, mas antes o delivery, como dizem os americanos. Trata-se de um processo altamente teatral, em que cada um dos candidatos procura impressionar e engajar a audiência com base em emoções e percepções — confiança, segurança, convicção, conhecimento, empatia, ponderação, tolerância, resistência… Como num longo combate, há momentos de defesa e de ataque. Um aparte bem metido, a deixar o adversário sem resposta, é geralmente sinal de KO, um golpe de misericórdia.

Os candidatos já estão a afiar as facas antes do confronto do dia 3 de Outubro. Esta semana vai ser interessante.

Rita Siza

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